Me divertindo com neve, finalmente!

Dia feliz, fiquei brincando na neve…

Mas como eu estou assistindo futurama enquanto assisto isso, vou escrever um post mais curto… Brincadeirinha, vou escrever menos porque estou bastante cansado.

A nossa diversão hoje foi ficar descendo o morro naquele mini-trenó que parece uma versão esticada de uma bacia. E acreditem, é divertido pra caramba, o Bidula e eu ficamos umas duas horas fazendo isso! Tentei gravar, mas estava escuro, acho que não pegou nada. Pelo menos tem o audio.

A neve estava tão bonita, estava naquela forma de cristal, então refletia qualquer luz, em outras palavras, a sensação era de que o chão estava coberto de jóias e diamantes brilhando! A previsão é de que neve um pouco mais, estou bastante ansioso, porque com o tanto de neve de hoje só conseguimos descer uma colina de grama, se a neve ficar mais grossa, vamos poder descer a estrada aqui do Lodge, aí sim vai ser uma looonga descida!

Agora um pouco sobre o trabalho: Estou tranquilo, porque conversei com o Michael ontem sobre as minhas horas, ele me disse que os chefes fizeram uma reunião e uma lista de várias coisas que precisam ser feitas, que a gente provavelmente vai fazer. A primeira delas é pintar o teto de alguns banheiros, já começamos dois, e é algo que tem que ser feito devagar, então leva tempo, ou seja, vou conseguir as minhas tão almejadas oito horas por dia. E o que é bastante interessante, essas coisas extras não precisam ser feitas com urgência, então se eu quiser tirar a tarde para fazer alguma outra coisa, eu provavelmente vou poder.

Sabem o que isso significa, crianças? Que o meu Wii está cada vez mais perto!

Ficar descendo colina e depois subir correndo de novo cansa… Então fiquem com as fotos e vídeos que eu fiz hoje, não são muito bons, em metade deles eu só estava brincando com a câmera, alguma coisa aí deve ser aproveitável.

Neve!

Esse era para ser um post longo sobre o dia de hoje e sobre os dias por aqui, mas hoje eu acabei me distraindo agora à noite com outras coisas, estive escrevendo um pouco para o pessoal do Brasil, e nem me sobrou tempo para o blog.

Também foi dia de organizar a minha mente, redefinir minhas prioridades aqui. Hoje eu acordei determinado a arrumar um segundo emprego, mas logo mais à tarde meu chefe me arrumou alguns serviços que vão complementar minhas horas aqui, como pintar o teto dos banheiros e outras coisinhas, o que me fez reconsiderar se pego ou não um segundo emprego.

De qualquer modo, resolvi que vou atrás de umas vagas que fiquei sabendo em uma pizzaria, ver se eu pego um ou dois dias por semana, à noite. Ainda não tenho certeza de nada, preciso conversar lá também para ver como é o esquema.

Mas vamos ao que interessa: hoje nevou, finalmente! Não é a primeira vez que vemos neve por aqui, mas hoje nevou um bocado mais que os outros dias, e ficou nevando o dia todo, o que fez com que o chão ficasse coberto por uma camada de pouco mais de cinco centímetros de neve. Não é muito, ainda não vai atrair mais hóspedes para o lodge, mas se continuar frio e nevar mais um pouco, acho que o lodge se movimenta.

Neve é tão legal! Pareço criança olhando aqueles floquinhos caindo do céu, é tão bonito, tão legal. Você pisa e o seu pé afunda, não sei o que tem de divertido nisso, só sei que eu gosto. E também faz um barulho estranho quando você anda, parecido com o barulho que pés fazem andando na areia, mas mais alto.

Foi divertido ver o meu carro todinho coberto de neve hoje de manhã, mas não é muito divertido você ter que varrer todos os vidros antes de poder sair com ele, porque como os flocos são muito leves, quando você varre eles voam para todos os lados, o que inclui o seu rosto, inclui aquele vão no seu pescoço onde ela vai se enfiar, e é claro, sua mão.

Ontem estava fazendo uns takes para o documentário do lenhador, e estava muito frio. Só que para ter mais precisão na câmera, eu estava sem luvas, e após uns dez ou quinze minutos lá fora meus dedos começaram a doer, por isso resolvi entrar para dentro. Não tinha sentido ainda daquele jeito, mas o frio dói para caramba, quando você está desprotegido, parece que os seus dedos estão sendo esmagados, não tem o que fazer, e se você mexe para esquentar dói. O negócio é mexer devagar e esperar a mão esquentar que pára de doer.

O engraçado é que agora temos neve, até temos um tempo livre, mas ainda não conseguimos ir brincar na neve, fazer boneco de neve, essas coisas, porque os horários do BS, do Bidula e meus são bastante diferentes, então, apesarmos de nos vermos o dia inteiro, só podemos aproveitar mesmo à noite, e como anoitece as cinco da tarde, não temos mais luz.

Hoje fomos para Gran Marais, abri uma conta poupança aqui para depositar os meus paychecks, não queria ficar enfiando dinheiro na gaveta, acho difícil controlar direito, de qualquer modo, banco é mais seguro. Só que as taxas para fazer qualquer coisa são um bocado salgadas. Ainda bem que nem vou usar muito aquela conta senão para guardar o dinheiro. A taxa mais ardida que tem lá é a de transferir o dinheiro para o Brasi, que custa 45 dólares. Paciência, acho que vou ter que pagar, não pretendo levar dinheiro em espécie no caminho de volta… Talvez se eu enfiar na cueca.

Depois fui para o supermercado comprar coisinhas pro meu café da manhã só o básico, cereal e pão, mas dessa vez eu me assustei com os preço. É que da última vez eu fiz as compras em Duluth, que é uma cidade bem maior. Aqui os preços são três vezes mais caros!!! Mas fazer o quê, eu preciso do meu leite e do meu pão, sem isso eu não vivo…

Acho que depois eu conto mais. Amanhã eu vou substituir a Judy no restaurante, vou ficar lá a tarde inteira, e de manhã tenho housekeeping, ou seja, trabalho pra caramba, oba!

Tenho quase certeza que não vou ter tempo, mas se eu arrumar algum eu tiro um pouco de fotos de neve para vocês!

Que calor!

Vamos lá, tenho escrito pouco porque os dias aqui têm sido rotineiros, não acontece muita coisa nessa região, temos trabalhando em média sete horas por dia, e a neve só ameaça.

Por exemplo, hoje foi um dia muito quente, fez -5, agora está -3, muito calor! Essa semana a média estava em -15, até um pouco mais frio alguns dias. Ontem nevou um pouco… Hoje nevou pela manhã, e poderia ter nevado o dia todo, se essa água caindo do céu não tivesse virado chuva por causa do calor. Em outras palavras, nevou um pouco, mas aí choveu um pouco e a neve já era… Não tenho certeza quanto ao lodge, mas o restaurante está só tendo prejuízo há algum tempo, tanto que o dinheiro que conseguimos alguns dias não paga nem os custos de mantê-lo aberto.

Aliás, voltando ao modo como terminei meu último post: aquele arroz e feijão tava bom demais! Não sei se era a falta que comida brasileira me fazia, só sei que comi bastante! Conheci também mais um pessoal, já os tinha visto naquele jantar na igreja, mas foi só na terça que tive oportunidade de conversar com eles. Para ser sincero havia estranhado aquele cara da Sérvia quando ele se apresentou no jantar da igreja, assim como eu provavelmente estranharia qualquer um de lá, mas ele é legal. Desconfundindo: Onde eu fui jantar na terça moram um cara e uma moça da Sérvia, além de duas brasileiras. (Nota: Pode ser que eu esteja confundindo os lugares, eu faço isso algumas vezes.)

Na quarta o que aconteceu de mais diferente foi ter sido o primeiro dia que servi sozinho no restaurante, peguei o turno da Amanda. Pena que o restaurante ficou bem vazio, no final acabei passando a tarde inteira caçando moscas, limpando banheiro, preparando salada, e nada de atender clientes… Só à noite apareceram três casais, pouca coisa. A coisa mais bizarra foi a impressora que imprime a conta ter ficado louca e parado de imprimir qualquer coisa depois que eu troquei o papel. Eu liguei para a Amanda para pedir socorro, ela apareceu logo em seguida (Ela e o Michael moram em uma casa que fica dentro do Lodge, lá para cima), entrou, disse, “wrong paper”, explicou que a impressora era térmica e o papel tinha que ser outro, trocou, e tudo voltou a funcionar magicamente. Me senti uma anta. Ela disse: “passa o dedo nos dois papéis, está vendo que esse é mais liso?” Eu disse que sim, mas para falar a verdade não percebi nada não. De qualquer forma, da próxima vez que isso acontecer, se der problema é só pegar o papel da outra caixa. Ahn, uma nota: O Bidula era o cozinheiro nesse dia, então ficamos nós dois dominando o restaurante nos turnos da tarde e noite!

Ontem foi um dia comum, housekeeping de manhã, “chicken breast sandwich” no almoço, o que eu peço 90% dos dias, e de tarde fomos limpar a Cascade House, varrer as cinzas de cigarro que se espalhavam pela casa inteira. Fui no restaurante ontem à noite também, mas fiquei apenas uma hora, estava deserto e fui dispensado. Ainda bem, porque eu estava cansado mesmo, e já tinha conseguido minhas horas fazendo housekeeping.

Chegamos finalmente ao dia de hoje, no qual o Michael me ligou um pouco mais cedo perguntando se eu gostaria de começar antes o trabalho. Bom, agora que ele já tinha me acordado, lógico que eu vou trabalhar mais cedo. Para falar a verdade não foi o esse o caso, porque hoje eu já estava acordado quando ele me ligou, tenho acordado mais cedo para comer cereal e pão com geléia de manhã. Um fato que me alegrou um pouco: fiz um bocado de “arrivals” hoje, aquela checada que fazemos nos quartos quando vai chegar gente para ver se está tudo em ordem, o que significa que o hotel até que vai estar com bom movimento esse fim de semana. E como eu sirvo no restaurante amanhã, talvez consiga pegar bastante mesas.

Hoje o Bidula e eu fomos a Grand Marais, no centro de reciclagem, pois na sexta-feira, naquela loja onde se vendem roupas e coisas usadas a um dólar, eles te dão uma sacola, você a leva por 3 dólares com tudo o que você conseguir enfiar lá dentro. Compramos algumas roupas de lenhador, umas roupas para trabalhar, além de outras coisinhas que encontramos, como um urso para o nosso documentário sobre a vida dos lenhadores. Curiosos? Aguardem e verão!

Estava falando com a Li agora pela internet, dizendo que não tinha muito o que escrever no blog, ela disse para falar um pouco sobre o pessoal daqui. É estranho contar sobre o pessoal daqui, porque eu estou tão acostumado a eles, que nem consigo distinguir mais que hábitos ou costumes são diferentes do Brasil. Acho que eu estou me esquecendo como ser brasileiro, eu até acho estranho quando alguém me cumprimenta com um beijo no rosto ou então com um aperto de mãos.

Não assisto muita notícia por aqui, a minha televisão só alterna entre o 15 e 16, que são o Cartoon Network e o Discovery Channel. Mas às vezes eu pesco alguma coisa sim: O tio Bush está mandando mais soldados para o Iraque, ignorando o alerta de inúmero especialistas que falam que aquela guerra já está perdida, e que esse novo contingente não vai definir um ganhador para nenhum lado, mas só aumentar as perdas.

Não posso falar toda a mídia, mas uma boa parte das notícias e comentários que eu vejo por aqui critica essa postura do Bush, já vi críticas muito ferrenhas vindas de âncoras e homens de peso das notícias americanas. (Os notíciários aqui são mais opinativos que os do Brasil, eles não têm, ou têm muito menos aquela máscara de imparcialidade que a mídia brasileira tenta emplacar) O engraçado é que como os notíciários são mais opinativos, a posição do âncora é, sem dúvida, a mais importante aqui, tanto que muitos jornais levam o nome do jornalista no título. E uma das bandeira mais levantadas pela publicidade desses jornais é a “independência” (o que é um bocado diferente de imparcialidade).

Mesmo com a mídia criticando o Bush e essa guerra, o povo americano é um povo patriota, que gosta de ostentar suas armas e suas novas invenções. Mas uma coisa é certa: eles estão com os olhos bem abertos sobre a China e sobre a Coréia do Norte, já vi especiais sobre armas que simulavam como os EUA se defenderiam de um ataque de mísseis de longo alcance, ou mísseis anti-satélites.

Ahn, o que eu vejo sobre o Brasil nas notícias? Nada. O Brasil não é importante para os americanos. Pelo menos na maior parte do ano, e ainda não…

Último comentário sem importância: Acabei de ver uma banda tocando no Cartoon Network, com várias criancinhas pulando e berrando do lado. Música legal, punk-pop-emo-rock, não consegui pegar o nome da banda… Pensando melhor, ainda bem.

A lumberman’s life for me

Deixa eu começar esse post de onde eu parei o último: aquele mp3 player que eu ia comprar.

Entrei na internet em busca do danado, e encontrei um que me esticou os olhos, até pensei em comprar ele para mim, e talvez outro para minha irmã. Mas não sei se vou ter dinheiro, tenho outras coisas na lista, então melhor comprar como se fosse para a minha irmã mesmo. O problema é que a Best-Buy só vende pela internet com cartão de crédito, e eu não tenho nenhum aqui, só aquele vinculado à conta no Brasil, que eu não quero usar para isso, quero comprar com o dinheiro que estou ganhando aqui. Descobri que posso comprar na Amazon, mas é 10 dólares mais caro. De qualquer modo eu preciso de uma conta, e só vou abrir uma quando vier o meu próximo paycheck, então tenho que esperar de qualquer maneira.

Enquanto isso, nada de música enquanto faço housekeeping. Tenho que lembrar esses três dias, tenho que escrever com mais frequência, para não correr o risco de esquecer, mas esses três dias eu estive cansado demais para escrever. Ok, com preguiça mesmo, mas prefiro dizer que estava cansado, porque o Bidula fica me chamando de Lazy Boy…

Fomos jogar basquete três dias atrás, na quadra de Grand Marais, contra americanos de verdade, dessa vez adultos. Noite muito divertida, daquelas que nos fazem agradecer ter comprado o carrinho! Tinha uma mulher, não sei o seu nome, que não podíamos deixar livre na linha de três pontos porque ela sempre fazia, era incrível! Não tinha dois times completos, eram quatro contra quatro, o que de certa forma deixa as coisas mais cansativas (Além do sedentarismo nosso de cada dia, é claro). Bom jogo, os times mudavam de tempos em tempos, no jogo Brasil X Eua perdemos, mas como ninguém lembrava o placar, calculamos em torno de 20 a 10. Não foi uma lavada tão grande. Ahn sim, aquela que arremessava todas de três estava no nosso time.

O jogo rendeu uma noite alegre a todos, bolhas de três centímetros de diâmetro nos pés do BS e meus, e uma câibra que quase paralisou o Bidula. Ao chegarmos aqui, BS nos deixou no restaurante e foi estacionar o carro. O Bidula desceu do carro, deu dois passos e parou.
“Cara, tá dando câibra de novo!”
“Vem aqui para dentro, está calor, melhora.”
“E como eu saio daqui?”
“Andando”
Bidula com cara de quem viu o ônibus passar antes de chegar no ponto.
“Eu vou ter que te arrastar?”
“Deixa que eu mesmo me arrasto…”

Uma vez dentro, ele já tinha o controle das pernas de novo. Falei para ele alongar, ele sentou no chão da área dos garçons (onde os clientes do restaurante não conseguem ver), e começou a alongar. A melhor parte foi quando a Judy entrou e olhou a cena com o olhar de quem vê um esquilo andando de bicicleta.

Dia seguinte: Dia de fazer mais housekeeping no Solbakken. Na verdade dia de lenhador, o Bidula tinha folga, mas decidiu trabalhar, e fomos nós com aquela pick-up azul que vocês já viram a foto, para carregar um pouco de lenha até a área que ela seria dividida em pedaços menores, e depois passar a tarde dividindo aquelas toras em pedaços engolíveis por crianças menores de três anos de idade e lareiras.

Na verdade é algo que não achamos tão chato fazer, principalmente por ser algo diferente da rotina restaurante – housekeeping. Mas é cansativo ficar carregando aquelas toras gigantes. Aliás, nesse dia estávamos mais inteligentes e estacionamos a caminhonete ao lado do barranco, e fomos rolando os troncos até a sua caçamba por uma rampa de madeira. Tudo bem até a hora que eu. (tinha que ser eu, quem mais… ) rolei um dos pedaços mais pesados do dia para a caçamba, bem devagar… Ele caiu meio torto, e ameaçou… ameaçou… e caiu no chão, onde começou a rolar… até que virou mais um pouco e rolou por outro barranco de uns três metros de altura e parou só na cabana lá embaixo. O problema foi rolar aquele bicho de volta para cima.

Conversei com a Mareen ,(a minha chefe da posição mais alta na cadeia alimentar, esposa do Michael senior), sobre o trabalho, que nós não queremos arrumar um segundo emprego, mas que estávamos incontentes a semana passada, quando em alguns dias mal conseguíamos trabalhar cinco horas, ela concordou com os pontos que eu apresentei, e disse que vai arrumar algumas coisas para a gente conseguir manter oito horas por dia, e que era para continuarmos sempre falando com ela sobre isso, se estivermos nos sentindo sobrecarregados de trabalho, ou se queremos trabalhar mais. Tive muita sorte com os empregadores, ele são super legais e compreensivos, desde que, em contrapartida, você seja profissional e trabalhe as horas que estiver designado e não fique enrolando. (É um problema frequente por aqui, onde todos os hotéis pagam por horas, empregados enrolões ou lentos para ganhar mais horas.)

Ontem também foi aniversário da minha mãe, láááá no Brasil, estou com saudades da minha família. Hoje eu liguei para eles pelo Skype, ainda bem que eu trouxe o microfone, assim posso ficar falando bastante tempo de graça, sem ter que ficar preocupado com o preço que vai sair cada minuto de ligação. Tem um pouco de lag, a ligação corta um pouco, mas é de graça!

Chegamos finalmente ao dia de hoje, dia mundial do lenhador! Ontem decidimos fazer um documentário sobre a vida dos lenhadores, aproveitamos hoje que eu fui novamente ao Solbakken e o Bidula também para gravar material para o nosso documentário. Ainda falta bastante coisa, por isso nem vou colocar o vídeo aqui, mas eu coloco quando ele estiver pronto.

Aliás, hoje era o meu dia de folga, mas eu resolvi não tirar o dia de folga e trabalhar um pouco, amanhã que vai pegar, porque eu vou fazer housekeeping de manhã e depois assumir o restaurante às três horas, no lugar da Amanda, então provavelmente vou estar o dia todo no batente. Ahn, por quê eu resolvi trabalhar no meu dia de folga? Não foi por causa de dinheiro não, aliás, é um pouco por isso, mas nem estou mais encanado, percebi que havia um erro no meu controle de gastos, e preciso de menos horas diárias para pagar tudo por aqui. O motivo de eu ter trabalhado hoje foi para poder pedir outro dia de folga, quando eu tiver alguma coisa planejada, como ir esquiar, ir para Duluth, ou qualquer coisa parecida. Vamos ver se conseguimos também trocar com alguém aqui para pegarmos mais um dia de folga nós três, para fazermos alguma coisa divertida juntos.

Estou saindo agora, vou comer arroz e feijão, estou há mais de um mês de abstinência, fiquem com as fotos-preview do nosso documentário.


Al é o verdadeiro lenhador…


Olha ele fazendo pose com a motosserra!


Bidula Lenhador!


Al e eu: companheiros de lenha!


Eu lenhador feliz!

Bidula lenhador!

Segundo post de hoje… Mas leia aquele ali embaixo que está bem mais divertido!

Ontem foi um dia meio cansativo, fiquei fazendo o que eles chamam de “Recycling”, ou seja, carregar tudo as reciclagens em cima daquela pick-up azul e levar tudo para Grand Marais, no centro de reciclagem. Não é tão chato, mas demora até carregar tudo, demora mais ainda para descarregar e jogar cada coisa em seu lugar lá.

Aproveitei para comprar uma camisa de lenhador para o Bidula, pois ao lado do centro de reciclagem tem uma loja que vende roupas usadas a um dólar.

Uma coisa sobre ontem: eu estava passando um pouco de frio, mas tínhamos que passar aqui no Cascade de qualquer modo, aí aproveitei para trocar a blusa. Na verdade troquei a blusa que eu estava usando por baixo. São duas coisas que me mantém aquecido quando eu tenho que fazer trabalho lá fora: Uma blusa preta colada que parece de borracha, que o pessoal usa para praticar esqui. (Paguei caro pra caramba nela, mas eu vi que valeu a pena, ela é muito boa!), e o meu casaco grande que veio da Holanda. Eu tenho dó de ficar sujando o casaco, ainda mais quando tenho que carregar madeira e essas coisas, mas entre passar frio e sujar o casaco, eu prefiro proteger o meu corpo mesmo.

Outra coisa estranha: acho que os machucados aqui não cicatrizam direito, lembram daquele machucado que eu fiz na mão eras atrás? Então, ele ainda não fechou direito…

E sobre hoje, nada mais pra contar, fui cedo ao Solbakken onde fiquei fazendo housekeeping o dia todo. O problema de fazer housekeeping sozinho, ainda mais por bastante tempo, é que você começa a pensar demais. E você pensa tanto que chega uma hora que você não aguenta mais você mesmo, mas eu não tinha nem uma musiquinha pra parar de pensar. Mas já combinei com a minha irmã, vou comprar um mp3 player pra ela e usar enquanto eu estiver aqui.

O que eu pensei? Muitas coisas, na vida, no que eu vou fazer dela, nas oportunidades que me apareceram, nas oportunidades que se foram, mas a que mais me importunava era: o que eu estou fazendo aqui? Assim, foi tudo muito rápido esse lance de vir para cá, eu acho que valeu a pena, mas quando você fica trancado consigo mesmo, você pára para tentar descobrir porque valeu a pena, se não seria melhor ter ficado no Brasil mesmo. Não sei, não é uma resposta fácil. Aí eu fico imaginando o que eu estaria fazendo no Brasil. Eu acho que estaria reclamando, o que me leva a conclusão de que eu reclamo de mais. O Bidula vive me chamando de reclamão, e sempre fica rindo da minha cara quando eu reclamo de qualquer coisa… Acho melhor eu parar de reclamar um pouco… XD

De volta à Duluth e à Best-Buy, dessa vez de carro!

Esse post era para ter saído ontem, mas a internet estava tão de mau humor que não deixou eu colocar as fotos. Mas cá está! Esse “ontem” é quinta-feira, dia 18.

Não sei por onde começar o dia de ontem, então, como eu não vou ser indicado para a ABL por esse blog anyway, vou fazer do jeito mais simples que eu conheço: do começo.

Acordamos cedo. Sete horas o nosso despertador tocava alguma coisa estúpida ou então um country meia-boca do Alabama, e pouco depois tomamos um café no restaurante. Panquecas, ovos fritos, torrada, enfim: o típico café-da-manhã gorduroso americano. E armados de documentos para o Social Security, a Câmera fotográfica, e é claro, um mapa e algumas indicações, colocamos o nosso Honda Prelude na Highway 61 em direção Sul, na qual seguiríamos até Duluth.

A única parada foi no posto de gasolina em Lutsen, no qual 22 dólares encheram o tanque, quase vazio. Ida e volta consumiu menos de meio tanque, não consigo dizer quantos quilômetros de distância, foram pouco mais de três horas de estrada no total, por mais ou menos doze dólares… O combustível é bem barato por aqui, assim dá para entender porque americano anda tanto de carro. O pessoal do lodge pega o carro até mesmo para ir do lodge até o restaurante, o que deve dar uns cinquenta metros…

Mas voltando à nossa viagem, o BS de piloto e eu de navegador, e o Bidula de passageiro dormindo, fomos ouvindo aquele CD de música country que já veio com o carro. Nós nem aguentamos mais aquele cd, mas as rádios daqui são péssimas, em todas elas você só ouve o pessoal falando coisas idiotas. Um falando dos presentes que ele ganhou de natal, outro falando do time de hóckey da sobrinha, todos assuntos que me interessam profundamente. Então ficamos com a mulherzinha cantando mesmo.

O country aqui é um pouco diferente do sertanejo brasileiro, é um pouco mais animado, não é aquele berreiro chorão de corno, tem isso também, mas o que o pessoal curte mais são aqueles cowboys com aquele vozeirão e a violinha com notas rápidas.

Voltando à viagem, a paisagem é meio igual até chegar em Duluth, mantendo as 55 milhas por hora, que é igual a uns 90 kmh. Na entrada da cidade eu tomei em mãos os mapas e comecei a guiar o BS pelas ruas de Duluth, na verdade não era muito difícil. Você só tem que prestar atenção que aqui nos EUA as avenidas são 7th N, 6th N, 5th N, e tem também as 7th S, além de provavelmente a “7th E” e a “7th W” (Os pontos cardeais). E como as ruas numeradas se repetem nos diversos bairros, fica fácil se perder em qualquer lugar. Mas chegamos com facilidade na sede do Social Security, estacionamos, e colocamos as moedinhas naquelas máquinas de estacionamento. Cada quarter (25cents) aumentava meia hora no contador. Divertido colocar uma moedinha naqueles negócios de estacionar!

Entramos, subimos ao quarto andar, pegamos a senha e sentamos para esperar. (Pelo menos isso é igual ao Brasil). O BS e o Bidula ficaram se esforçando para não rir de um lenhador que havia lá. (Lenhador, na nossa definição: qualquer ser com uma barba maior que 5 cm que apareça com uma camisa de flanela, listrada ou quadriculada.) Ainda tivemos que aturar um americano metido a simpático que ficava tentando conversar mas era mala para caramba. Pelo menos a mulher que nos atendeu era simpática!

Depois foi hora de tirar algumas fotos, mas devido aos erros de iluminação, ficamos parecidos com backstreetboys ou qualquer coisa parecida, mas é claro que eu vou dizer que isso foi de propósito, porque eu sou mala o suficiente para dizer que eu sei o que estou fazendo mesmo quando eu não faço a menor idéia de para que serve aquele botão na câmera…

Terminada essa parte poser, pegamos o nosso possante e rumamos para a Best Buy, mais para passar algumas vontades do que para realmente fazermos compras. Só que dessa vez errando as avenidas, confundindo as entradas, e dando algumas voltinhas. Ainda bem que a avenida que precisávamos seguir era bem grande, então acabávamos voltando fácil nela, e enfim chegamos à loja dos sonhos nerds.

O Bidula comprou o mp3 player que ele queria comprar para ele, rachamos um tubo de 50 cds por 8 dólares (para escutarmos alguma coisa diferente de country no carro e passar um pouco de música brasileira para os americanos daqui.) Também comprei um fone de ouvido decente, e uma pendrive de 1gb, por 15 dólares cada.

O BS e o Bidula me traíram… Compraram pulseirinhas da Microsoft, do Xbox… Traidores… traidores… Eles… pagarão por esse erro fatal… Aaaaargh!!!

(Pra quem não entendeu nada acima, vou simplificar: Eu sou fã da Nintendo, quero comprar um Wii. O Xbox 360 é o concorrente, da Microsoft. Essas letrinhas aí são video-games.)

Depois entrei pela primeira vez em uma loja da Target, empurrei pela primeira vez um carrinho de supermercado vermelho da Target, entrei pela primeira vez em um banheiro da Target. É uma rede de supermercados, o pessoal diz que é barato. Eu não tenho muita noção de preço por aqui, eu só sei que lá eu comprei umas coisas pela metade do preço que eu pagaria aqui nas lojas de Grand Marais. Mas como lá é uma cidade grande e aqui uma cidade pequena, essa diferença é normal… Talvez não devesse ser tão grande.

Mas consegui achar desodorantes, giletes, cereais, leite, e essas coisas que a gente precisa para sobreviver em qualquer lugar do mundo. Vou tentar melhorar um pouquinho minha alimentação comendo cereal com leite de manhã, já fiz isso hoje, espero fazer isso todo dia. E compramos sabão de lavar roupa, para não termos que ficar emprestando do Matt toda vez que formos lavar as nossas cuecas…

Enfim, depois de lá, estávamos indecisos se comíamos na Pizza Hut, que era ali mesmo, ou se íamos para um tal Shopping que vimos no caminho. Resolvemos ir no shopping, só que ao chegarmos nesse tal shopping, vimos que era mais um supermercado gigante. Então resolvemos seguir viagem porque vimos vários fast-foods ao lado da avenida que pegamos na ida.

E a escolha foi o Subway, uma rede de lanchonetes que serve fast-food que tem gosto de comida fresca, muito bom e barato. E provavelmente mais saudável também, porque os lanches são feitos com queijo, presunto, e outros frios além das verduras, e não com hambúrgueres, e é muito gostoso. Vou abrir um desses no Brasil. (Se é que alguém já não fez isso ainda…) Os turistas aqui acabaram tirando um monte de fotos e ficar fazendo propagandas do Subway. Acho que vou mandar essas fotos para a administração da franquia.

Depois resolvemos seguir direto para cara, queríamos chegar cedo porque à noite teríamos ainda o jantar para intercambistas organizado pela igreja (Free church, uma igreja evangélica local).

E dentro do nosso carinho seguimos de volta para o Cascade, não sem antes fazer alguns vídeos tremidos e tirar algumas fotos que não ficaram muito boas…

E é claro que a gente tem que mostrar para todos a nossa descordenação:

Quase que me esqueço de contar da loja que paramos na cidade seguinte a Duluth. A Valerie, que trabalha conosco, nos pediu para parar lá e comprar um moletom para ela, após nos passar o número, a marca, o nome da loja, a cor, e o preço. (E ainda compramos errado). Mas a graça nessa loja eram as camisetas, quase todas entre 13 e 15 dólares. Algumas eram a minha cara, outras a cara do Bidula, e algumas a cara do BS, tanto que tiramos várias fotos com elas, pra fazer uma graça…

Depois do BS praticamente nos arrastar para fora da loja pegamos a 61 até o Cascade Lodge, sem mais intervalos. Chegamos, descarregamos as compras, tomamos um banho e nos enfiamos novamente no Prelude, e pegamos a Highway, dessa vez com destino a Grand Marais.

Chegamos lá na igreja, depois de errarmos qual igreja que era. (Nos disseram em frente à escola, mas não era bem em frente à escola, era um pouco mais ao lado… Em Grand Marais para ir pra qualquer lugar você só tem que atravessar a rua, é incrível!) E depois de errar a porta certa e entrar pela errada, ficamos surpresos ao encontrar algumas pessoas com quem trabalhamos aqui no Cascade, como a Valerie e o Mark, ou então do Solbakken também. Tínhamos que escrever e colar em nossas blusas etiquetas com os nossos nomes e o nome do país. Mas como só falaram do país depois que eu já tinha colado, fui tentar escrever Brasil de ponta cabeça. B… R… A… Aí eu fiquei tentando lembrar como se escrevia o Z de ponta cabeça, o curioso é que eu nem pensei em escrever com S. Aliás, podia ter feito de qualquer jeito e falado que foi de propósito que teria dado certo.

Enfim, a noite foi bem legal, tinha uma comida bem gostosa e de graça. Na verdade era um jantar oferecido aos intercambistas estrangeiros, o ambiente foi bem amigável e conseguimos conhecer mais um pessoal trabalhando aqui na região. Pena que não foi o pessoal de Lutsen, dizem os ventos que em torno de vinte brasileiros trabalham por lá, mas até agora não vi nenhum sinal da praga.

Pelo menos eu conheci uma menina que me disse que cozinha arroz e feijão todos os dias no almoço, e eu estou ávido por um prato dessa iguaria brasileira! Já estamos combinando um dia para eu matar um pouco da saudade da comida brasileira. Um pouco, porque matar a saudade só quando eu voltar e comer um churrascão com farofa, feijoada e caipirinha… Podem começar a organizar aí, o meu vôo é dia 23 de Março.

Já paguei mico pelo resto do ano inteiro: cantei Ana Júlia. Isso foi pior que o YMCA do ano passado,(opa, não era pra contar aqui), mas o fato é que levamos o violão, e quando o padre viu aquilo pediu para os brasileiros cantarem uma música em português. O BS tocou essa, fazer o quê, a gente canta junto. O Bidula filmou, toda vez que ele virava a câmera para mim eu dava risada. Depois os peruanos (eles sim mais de vinte) cantaram uma música do seu país e os americanos cantaram uma música que devia ser um hino de louvor, ou qualquer coisa assim.

Conhecemos também um cara e uma menina da Sérvia. (Será que é isso mesmo?), e mais alguns brasileiros.

Espera, estou esquecendo a melhor hora da noite: Tínhamos que nos apresentar e falar um pouco de nós, aí quando uma mulher ia falar o padre disse: “Não, você não precisa falar sua idade, viu?”. Ele era meio louco, não era o padre fixo, mas um substituto enquanto estão arranjando um novo. Espera, agora é a melhor parte: uma menina peruana se levantou e disse a pérola: “O meu nome é flor… Mas me chamam de couve-flor!” Quando o Bidula e eu ouvimos aquilo destamos a rir sem parar, sabe quando você está na aula ou em um lugar que você não pode rir, mas você fica vermelho de tanto rir, algo que acaba se tornando contagioso… Ficamos rindo pelo menos uns cinco minutos, já até tinha acabado a apresentação dela e mais um monte de gente se apresentado que nem consegui escutar o nome, estando mais preocupado em tentar parar de rir.

Esse é o BS se apresentando… Não liguem para o descaso do câmera-man, eu esqueci que estava gravando…

No final ainda fomos para o apartamento do Lucas, um brasileiro que a gente já conhecia, para beber umas cervejas. Não, eu não gosto de beber cerveja e nem bebi nada, mas é isso que as pessoas fazem, oras… Ficamos conversando um bocado sobre coisas-que-não-podem-ser-explicitadas-aqui, depois montamos de novo no Prelude de volta para casa. (Sim, eu no volante, o menino bonzinho que não enche a cara)

Assim acabou o meu dia feliz. Foi um dia feliz, à noite bateu uma saudade, que vocês já leram, mas essas coisas acontecem.
Aproveitem aí o Rodrigo cantando Ana Júlia…

Saudades…

Hoje foi um dia muito legal, nós acordamos cedo, fomos para Lutsen, resolvemos o social security card, compramos algumas coisas na Best Buy, vimos camisetas legais, falei com minha mãe no telefone, fomos à um jantar de uma igreja para intercambistas, conhecemos muita gente nova, tiramos várias fotos. Mas isso tudo eu conto amanhã, porque está tarde. Agora eu quero falar sobre saudade, esse post vai ser diferente, leia quem quiser. Ele não é para todo mundo, de qualquer modo…

Eu já estava acostumado a ficar longe dos meus pais e dos meus irmãos, e apesar daqui a situação ser um pouco diferente e de eu sentir sim muita falta dos meus pais e dos meus irmão, isso é algo com o que posso lidar. Mas hoje, quando faz um mês que eu embarquei nessa experiência, existe um tipo de saudade que incomoda. Um tipo de saudades que eu poderia dizer que é bom se eu fosse um pouco mais romântico. Mas não é não, é ruim pra caramba, dói.

Serei sincero: antes de deixar o Brasil eu não achei que iria sentir muitas saudades da minha namorada, eu gosto muito dela, mas achei que com a falta de contato e com a distância, acabaria nem percebendo muito a falta dela. Mas eu me enganei. Me enganei profundamente.

Eu me acostumei a ter alguém sempre do meu lado. Alguém para quem eu poderia contar qualquer coisa, alguém que me criticaria por estar fazendo futrica, alguém que me condenaria por pensar mal dos outros, mas o faria com um sorriso sincero no rosto. Deus, como eu sinto falta daquele sorriso. Eu tenho milhares de fotos aqui comigo, mas está longe de ser “just like the real thing”.

Tem dias que passam correndo, tem dias que eu mal lembro que sou brasileiro. E tem dias que tudo o que eu penso é no Brasil, naquela menina linda chamada Lívia, que está me esperando, assim como eu a estou esperando aqui nos Estados Unidos para quando eu voltar para o Brasil. Se eu tenho medo? É claro que eu tenho medo, tenho medo de milhares de coisas, mas sabem do que eu mais tenho medo? De mim mesmo. Tenho medo de que eu bote tudo a perder de uma forma estúpida.

Se tem uma coisa que eu percebi aqui no exterior é como eu amo aquela menina lá do Brasil. Tenho conversado com alguns brasileiros que também estão fazendo intercâmbio aqui na região, alguns deles têm namoradas, eles dizem que sentem falta de sexo e de bocas, mas isso é fácil de resolver, essas coisas se encontram por aqui. Eu sou diferente, aliás, eu sempre fui diferente. Eu sinto falta das nossas mãos entrelaçadas, sinto falta daquele sorriso, sinto falta daqueles dias que ficamos deitados abraçados no sofá da sala até tarde olhando para uma televisão desligada conversando… Do que eu realmente preciso eu não vou encontrar aqui, eu vou ter que esperar mais dois meses. Mas dói.

Não quero fazer um balanço nesse um terço de viagem, mas ela tem me ensinado milhares de coisas: a mais importante delas: Não vale a pena sair do seu país e deixar para trás as pessoas que você ama por dinheiro nenhum. Antes de eu vir, muita gente duvidava que eu voltaria para o Brasil depois desse tempo aqui. Eu tenho cada vez mais certeza que não saio mais daí. Não quero que as pessoas entendam errado, eu mudei completamente a minha opinião sobre o povo americano, acho até os EUA um ótimo lugar para se trabalhar e morar hoje. Mas não acho que valha a pena uma vida sem aqueles a quem se ama, então, se for para sair do Brasil, eu saio acompanhado.

Não quero preocupar meus pais, ou as pessoas do Brasil com esse post, eu não vou voltar para o Brasil amanhã de tanta saudade, é só algo que de vez em quando bate mais forte que o normal, e que você tem que colocar pra fora de alguma forma, e eu agora faço uso desse blog para isso…

Mas é que tem noites que tudo o que eu queria era um beijo de boa noite…

Alguns dias iguais

Não tem acontecido muita coisa esses dias, então vou fazer um resumão do que eu consigo me lembrar agora:

Acabei de receber um e-mail da minha mãe, me dizendo que ela tem visto nas notícias nevascas em vários lugares dos EUA. Nós vimos algumas coisas sobre isso aqui, está acontecendo uma coisa muito estranha: está nevando em vários lugares dos EUA, menos aqui, quando geralmente acontece o contrário nessa época do ano. Nevou até no Novo México, o que acontece muito raramente, e aqui ainda não conseguimos nem dez centímetros de neve! O clima endoidou… Já ouvimos algumas histórias de gente que veio trabalhar na região esse ano, mas por falta de trabalho se mandou para Miami. Está difícil trabalhar mesmo, o resort está vazio, o restaurante está minguando… Estou fazendo seis horas por dia em média, preciso de uma média de quase sete horas para pagar a minha viagem e a estadia… Se não nevar eu vou ter prejuízo. Mas não vou fazer como o BS, que está indo atrás de um segundo emprego. A minha prioridade aqui é experiência, e não o dinheiro, e se eu ocupar todo o meu tempo, não terei como aproveitar, esquiar, e essas coisas.

Uma curiosidade que eu reparei antes: O Michael estava reclamando do aquecimento global. Ele dirige uma Blazer. Sua esposa dirige uma Blazer. O seu pai dirige uma pick-up gigante. Sua mãe dirige uma van. Os SUVs (Utilitários esportivos) contribuem para o aquecimento global em média quatro vezes mais que um carro compacto. Não é preciso ser um gênio para juntar A+B.

Ontem o Michael levou eu e o Bidula para esquiar. Ficamos apenas meia hora, mas até que foi divertido. Ele disse que a trilha estava bem ruim, que era preciso muito mais neve para deslizar mais, mas eu já escorreguei bastante e capotei duas vezes (na reta…). O Bidula capotou quatro, mas ele consegue ir no dobro da minha velocidade. O BS estava fazendo housekeeping lá no Solbakken esse dia, por isso não pôde ir conosco. Pelo menos fiquei sabendo que posso pegar os esquis aqui do hotel, que eles alugam para os hóspedes de graça e tentar esquiar nas trilhas aqui perto (aquelas que eu fui arrumar outro dia).

Depois o Michael nos levou até Lutsen Mountains, apenas para vermos algumas pessoas praticando esqui e snowboard. (Downhill, ou descer montanhas. XD) O Michael disse que qualquer dia vai nos levar para fazer isso também, mas eu vi o tamanho das descidas, é bem alto, não sei se vou ter moral de descer aquilo. E se tiver eu provavelmente vou capotar. Várias vezes…

Ainda não arrumaram o aquecedor do nosso quarto, e eu estou passando frio aqui agora. Calma, não tão frio, pois apesar de lá fora estar -11ºC, aqui dentro a temperatura está num constante 20ºC. Mas vinte graus é frio, eu estou assistindo TV com cobertor, e ficando de blusa no quarto, quando antes ficava só de camiseta. Talvez o problema seja no controlador de temperatura (Que deixamos em 40ºC, numa tentativa de esquentar um pouco), talvez no aquecedor mesmo. Não sei, só sei que estou pedindo todo dia para arrumarem essa coisa, e já faz uns três dias. O problema é que de manhã ele funciona, aí quando alguém vem ver ele está soltando ar quente, mas de noite, que é mais frio, ele não funciona direito, e o quarto fica frio. Frio em vinte graus, ainda não está nevando dentro do meu quarto. Ainda.

Antes de ontem lavamos roupa. Assim como em Bauru, como não poderia deixar de ser, no último dia possível, quando acabam as cuecas. Nós íamos lavar antes, mas não tínhamos sabão. Por isso pedimos para o Matt, ele nos emprestou, enquanto não compramos. O chato é que a lavadora e a secadora são de moedinhas, então se vai 1 dólar nessa brincadeira, aliás, 30 centavos de cada um, porque lavamos nossas roupas juntas. (Apenas cuecas, meias e as camisetas longas que eu uso por baixo de tudo, o resto nem tem porquê lavar, não suja.

Tomei banho pouco antes de começar a escrever isso aqui, a última vez que tinha feito isso foi a última vez que escrevi, meu cabelo estava adquirindo vida própria, e minha barba estava começando a criar uma fauna própria.

Essas fotos foram antes do banho. Eu tentei tirar uma foto poser, mas só saiu nítida a que eu estou com cara de bobo. (Pra variar… ¬¬)

Falando em fauna, já estou começando a cansar de ver deers (veados). Tem mais deers aqui do que vira-lata nas ruas do Brasil, ainda não vi nenhum de pertinho, só de uns 20 metros… Quero ver se tiro alguma foto uma hora dessas.

Ontem fomos jogar volei em Grand Marais, na verdade eu e o Bidula jogamos apenas um jogo rápido e então ficamos batendo a bola de basquete que havíamos levado, enquanto o BS ficou jogando todos os jogos. O problema é que era todo mundo meio velho, o jogo era zoneado, eu nem sabia até onde ia a quadra. Quero ir no dia que a quadra é aberta ao basquete, fui ontem porque o BS insistiu. Ele também nos levou até o apartamento das peruanas depois, ele havia pegado elas no caminho.

O BS colocou nove dólares de gasolina ontem, deu mais de meio tanque. Nós estávamos preocupados com o preço, porque é difícil calcular as coisas quando as medidas são em milhas, a gasolina é vendida por “galons”, e você não faz idéia de quantas milhas por “galon” faz o seu carro. O lance é que não é tão caro abastecer o carro por aqui, dá pra encher o tanque com menos de 20 dólares, mas mesmo assim estamos maneirando no carro, não queremos nos afundar em despesas.
Quinta feira vamos para Duluth, vamos resolver o nosso “social security”. Nós só podíamos ir lá em torno de dez dias depois de começar a trabalhar, já estamos trabalhando faz quinze dias, mas não tínhamos arrumado um meio nem um dia. Agora já está agendado, acho que o Bidula vai aproveitar para comprar eletrônicos. Vamos fazer compras também, porque comprar comida por aqui é muito mais caro.

Hoje nós trabalhamos um pouco de lixeiros (tirar os lixos de duas cabanas de estoque), jogar na caminhonete e jogar num contâiner. Não foi a primeira vez que eu e o Bidula fizemos isso, mas hoje estávamos sozinhos… E, como não podia deixar de ser, derrubamos um dos barris pelo caminho. Sim, EU estava dirigindo, e não, eu NÃO zoei com aquela caminhonete. Pelo menos não quando estava com lixo em cima… XD… Brincadeirinha…

Agora à noite o restaurante estava tão vazio que só tivemos duas mesas, até fechamos um pouco mais cedo… Havia uma mulher, uma hóspede do hotel, que estava sozinha. Não pude deixar de reparar, porque poucas pessoas aparecem naquele restaurante desacompanhadas no jantar, aliás, já me chamou a atenção o fato dela alugar uma cabine sozinha. Pouco mais tarde pediu à recepção para mudar para um dos quartos do lodge principal. Acredito que pelas cabines serem maiores lhe aumentava a angústia solitária. Magra, em torno de cinquenta anos, provavelmente bela quando jovem, pediu um “Breaded Walleye”, um dos pratos mais caros do cardápio, mas não comeu nem um quarto de sua comida. Ela parecia um pouco triste, como são as pessoas sozinhas. Fiquei imaginando qual seria sua história, se já tivera um marido, o que teria acontecido, se estaria tentando reconstruir sua vida, se estaria tentando seguir em frente, ou se sua vida sempre fora marcada por uma tênue amargura. Talvez seja alegre, talvez estava apenas em um dia ruim…

Ao mesmo tempo havia um casal com uma criança bem nova, em seus três anos. Garoto simpático, estranho ter sorrido para mim. Crianças geralmente me rejeitam.

Essa é a melhor parte de se tornar um garçom. Conhecer pessoas, imaginar histórias… Todo mundo tem a sua. E esse blog é a minha!

Basquete americano

Terceiro post hoje.

Os americanos não são tão bons assim no basquete… Tá certo eu joguei contra uns moleques do time do ensino médio, mas mesmo assim, o jogo até que estava equilibrado. O maior problema é que você não podia deixá-los livre na linha de três pontos que eles fazia a cesta! Então você tinha que marcar em todo lugar, mas foi divertido. Eu até dei um toco em um deles! No final ninguém contou pontos, então foi um jogo amigável que todo mundo saiu ganhando! (Se tivesse contado os pontos provavelmente teríamos perdido… Não muito feio, mas ainda assim.)

Depois de uma tarde como essa a gente ficou pensando que valeu a pena torrar aquela grana no carro sim.

Mas vamos começar o dia do começo: um despertador tocando quinze minutos às sete horas da manhã esperando o BS desligá-lo. Surpreendentemente, ele acordou quando eu perdi a paciência e desci do beliche para apertar o off…

Mas passada essa parte traumática do meu dia, logo de manhã o Michael me falou para colocar o casaco e me deu uma pá de neve. O meu trabalho seria usar aquela pá para tirar a neve da área da frente do lodge, assim como da varanda de todas as cabines. (São 13, ao todo… )

E é frio… Agora está -20ºC aqui, de manhã quando eu estava trabalhando estava a -15ºC. Mas foi bom termos conseguido um pouco de neve. Se continuar frio assim e nevar mais um pouco as pessoas aparecem. Teremos um fim de semana agitado porque segunda feira é feriado de Martin Luther King, por isso (além de remover neve) fiz vários “Arrivals” por aqui, que é uma verificação que a gente faz antes do hóspede chegar para ver se está tudo em ordem, se tem sabão, toalhas e essas coisas suficientes. O engraçado é que hoje eu fui a única pessoa responsável por housekeeping, então eu mesmo montei a sequência que iria fazer, e parece que o trabalho rendeu.

Aconteceram algumas coisas engraçadas, no entanto: Quando eu ia bater na porta da onze dizendo “housekeeeeepiiing”, o cara abriu a porta para ver o que eu queria. E eu ia perguntar “Hello, I would like to know if you need anything, fresh towels, new sheets.” (Olá, gostaria de saber se você precisa de algo, toalhas ou lençóis novos.). Até aí tudo bem, mas estava tão frio, que parecia que os músculos da minha cara estavam gelados, e eu não consegui mexer a boca direito, então saiu algo do tipo “Hello, I like to anything, towel new sheets.” (Olá, eu gosto de qualquer coisa toalha e lençóis novos.) Mas aí eu corrigi, “Sorry, (e falei a frase correta).” Depois de falar que não precisava de nada ele ainda continuou me olhando de modo estranho… Ele deve ter dado um desconto pelo fato de eu ser estrangeiro.

Outra coisa foi quando eu bati na porta da cabine 3 dizendo housekeeping, eu ouvi um barulho lá dentro, então esperei alguém abrir a porta… Esperei… bati de novo… esperei… Aí abri a porta, pedindo licensa. E tinha um cachorro lá dentro. Não sei de que raça ele era, mas era fofo e simpático! E (ainda bem), higiênico, porque não tinha cocô e pipi de cachorro lá dentro pra limpar.

Hoje eu recebi o paycheck. Na verdade ele é só um pedaço de papel que você troca no banco por dinheiro ou deposita na conta. Ok, é um tipo de cheque que você recebe do empregador. O Bidula até tirou uma foto com ele, o primeiro pagamento da vida dele!

E fomos nós para Grand Marais descontar os nossos primeiros paychecks. Fomos em um banco, ela disse que só poderíamos trocar por dinheiro em outro banco, que era só atravessar a rua. Mas perguntamos algumas coisas sobre abrir contas e tranferência para o Brasil. Acho que vou abrir uma conta poupança lá, é grátis, e depois eu posso sacar todo o dinheiro sem pagar taxa nenhuma ou transferir para uma conta no Brasil por 40 dólares. Também não tem taxa para fechar a conta…

Depois que fomos nos bancos e que o Bidula enfiou o presente dele no correio, não tínhamos nada para fazer, então fomos na quadra, que fica em uma escola de ensino médio, ver o que estava rolando por lá, e era um treino do time, eles têm um jogo amanhã contra outra escola. Depois que acabou o treino, pedimos para o treinador se podíamos pegar uma bola e dar alguns arremessos. E fizemos isso um pouco, enquanto outros garotos também resolveram fazer um joguinho do outro lado da quadra. Depois de algum tempo nós fomos lá falar com eles se eles estavam afim de jogar três contra três, e eles aceitaram… Agora posso falar que eu já joguei basquete contra americanos de verdade!

Acho que hoje foi o primeiro dia que fiquei fedendo aqui… Nem quando eu estava fazendo os trabalhos pesados eu suei, mas nesse jogo de basquete, vixe! A primeira coisa que eu fiz quando cheguei foi tomar um bom banho! Aliás, a primeira coisa que eu fiz quando cheguei foi colocar aqueles dois posts abaixo no ar, mas logo em seguida eu fui tomar banho…

Agora pedimos pizza, eles fazem (esquentam) aqui no Lodge… Vamos comer em quinze minutos.

Virei lenhador

Leiam o “hoje” como ontem, ou 11 de janeiro. É o segundo post de hoje.

Hoje foi um dia extremamente exaustivo. Esqueçam o que eu disse sobre cansaço ontem, hoje eu estou cansado. Virei lenhador. Mas vamos começar pela reunião com os chefes:

Foi tranquila, eles na verdade só falaram algumas coisas que a gente ou já sabia ou já havia percebido pela experiência aqui. A Mareen disse algumas medidas de higiene a mais sobre o restaurante, o Michael pediu para a gente não fazer o “clock-in” para o housekeeping a menos que esteja agendado, segundo eles, era apenas uma reunião que eles pretendiam fazer com todos os intercambistas, mas nós fomos os primeiros, foi uma espécie de “agora vocês estão avisados sobre os procedimentos, não podem mais usar a desculpa que não sabiam”.

Logo em seguida o Michael Senior disse que precisava que fôssemos ao Solbakken para fazer um pouco de “Outdoor work”. Eu entendi que tinha alguma coisa a ver com lenha e madeira, mas não exatamente o que era. (Para esclarecer: eu sempre cito o Michael Jr, que é o nosso superior direto, um dos chefes. Mas o owner, o dono de tudo isso aqui é o Michael Senior, pai do Michael Jr.)

Primeiro terminamos o housekeeping aqui, muito pouco para fazer. Na verdade só conseguimos uma hora a mais porque arrumamos o cart de limpeza. (Aquele carrinho de golfe com os produtos, toalhas e lençóis). Estava uma verdadeira zona, fizemos aquelas arrumações poderosas, na qual se tira tudo de dentro e depois coloca de volta, e onde antes estava atulhado de coisa sobra espaço quase que milagrosamente.

Terminado o serviço por aqui, pegamos aquela super caminhonete azul sem o freio de mão e dirigimos até o Solbakken, onde o “L”(lembram dele?) nos mostrou o serviço que precisava ser feito: primeiro teríamos que carregar uma madeira, que já estava cortada, na caminhonete e levá-la até um lugar onde ela seria cortada em pedaços menores para virar lenha. Eu disse madeira cortada? Mais ou menos: eram toras gigantes, em torno de cinquenta centímetros de altura num diâmetro de mais cinquênta centímetros. Não, vocês não entenderam errado, eu fiquei carregando partes (grandes) de troncos de árvores o dia todo hoje, bastante pesados. Tanto que perto das quatro horas eu falei pro L que só ia carregar mais uma caçamba, depois disso iria voltar para o Cascade. Ele também estava cansado, concordou comigo. Aliás, ele começou a carregar os troncos bem depois de eu o BS, ele e o Bidula ainda fizeram housekeeping por lá antes de começar a ajudar a gente com os troncos.

Ainda bem que eu não tive que trabalhar no restaurante essa noite, o BS foi servir o jantar (provavelmente um dos seus últimos, uma vez que ele vai pegar somente o café-da-manhã e eu apenas o jantar. Pedimos isso pra Mareen hoje na reunião, ela disse que não tem problemas, que ela estava nos alternando para ser mais justo com os dois, mas se ambos preferimos isso… O bom é que vou ter que aparecer todo dia no trabalho somente às nove, que é a hora que o housekeeping começa, e vou pegar algumas horas a mais à noite, com o restaurante, o que deve dar em torno de oito ou nove horas por dia.

Bom, não tenho muito o que falar além de que eu preciso de uma boa noite de sono hoje. E que a internet não está funcionando, o que me deixa um tanto irritado, mas se vocês estão lendo isso é porque ela voltou. (Ou vocês estão lendo com um certo atraso…)

(um dia de atraso)

Um dia nas trilhas

Leiam esse “ontem” como 10 de janeiro.

Ontem comecei o dia bastante cedo, mais precisamente às sete e meia cheguei no restaurante para os procedimentos padrões que fazemos antes de abrí-lo. Até que o Michael apareceu lá pelas oito pedindo pra Mareen me liberar porque ele me precisava para “cleaning trails”. Apesar de eu não fazer a menor idéia do que era aquilo, voltei para o quarto e segui as intruções do Michael, para vestir as melhores roupas contra o frio que eu havia trazido. E lá fui eu com duas camisetas de algodão longas, um moletom especial, outro moletom normal e por cima de tudo isso aquele casaco grande vindo da Holanda. Dois pares de meia dentro da bota e luvas decentes para as extremidades. Antes de sairmos ainda pedimos para o Michael passar na loja de presentes do restaurante para comprarmos máscaras faciais, para proteger o rosto do frio. Não era pra menos, aqui no Lodge a temperatura era -15ºC, e haviam nos dito que a temperatura nas trilhas seria um tanto mais fria que isso. Além disso ainda usei “calças de neve”, um tipo de calça impermeável grande pra caramba que não tem elásticos, você prende nos ombros com suspensórios. Essas calças são tão grandes que eu usei a da esposa do Michael, e serviram.

Como não conseguimos colocar três pessoas em um snow-mobile, eu fui com o Michael enquanto o BS esperaria pelo Mark. E lá fui eu dar a minha primeira volta (que foi um bocado longa) de snow-mobile. Um veículo desses pode chegar a 200 km por hora, o velocímetro marca até 220. Como estávamos a trabalho, não passamos de sessenta, mantendo-nos a maior parte do tempo a menos de 15. O que era o trabalho: nós íamos seguir algumas trilhas de ski, e fazer a manutenção, ou, em outras palavras, deixar a neve mais fofa (que era feita com um tipo de grade engatada no snow-mobile), e remover as árvores caídas, galhos e pedras da área da trilha. (As trilhas eram cross-countri, uma modalidade de ski que não é uma ladeira, mas um tipo de “caminhada com skis”, não sei ao certo como funcionam).

Eu achei divertido trabalhar na trilha. Começou a nevar uma hora, aliás, nevou em quase todo o tempo que eu estava trabalhando, mas uma hora a neve ficou mais densa. O engraçado é que como ela é sólida, você passa a mão para removê-la dos ombros e da roupa antes que ela derreta e você fique molhado. (As roupas eram impermeáveis, mas ainda assim é melhor se manter seco). Bom, lá na trilha havia muito mais neve do que por aqui, um pouco mais de um “pé” (uns 20 cm, no meu cálculo tosco). Fiquei maravilhado em ver que os flocos de neve são exatamente iguais a como são desenhados. Eles são pequenos cristais, e você consegue ver aquele formato um tanto parecido com uma estrela que representa neve em tudo quanto é lugar. Somente quando ela está mais grossa, os flocos grudam um no outro, por isso parecem mais bolinhas brancas irregulares.

Até que não teve muito trabalho por lá. Uma ou outra árvore caída no caminho para cortar, alguns galhos mais finos, mas nada de muito difícil não. Só que eu fiquei quase seis horas exposto ao frio intenso, porque precisamos passar três vezes nas trilhas para afofar a neve, e como não podíamos ir muito rápido fazendo isso, foi mais como um grande passeio de snow-mobile do que um trabalho muito difícil.

Aliás, o Michael me deixou dirigir um pouco! Me senti como uma criança aprendendo a andar de bicicleta, ou então a dirigir, acelerando bem devagar, com os olhos fixos no caminho, e um medo gigante de fazer besteira. Mas é divertido!

Agora o frio: O BS não tinha botas adequadas, por isso os seus pés quase congelaram na primeira meia hora, o que fez com que o Michael o trouxesse de volta ao Lodge, enquanto eu fiquei com o Mark limpando a trilha e “passeando de snow-mobile”. As minhas botas eram boas, mas não boas o suficiente, por isso de tempos em tempos eu precisava andar um pouco para aquecer os meus pés. Acho que eu trouxe roupas muito boas, porque eu não senti frio nem nas pernas e nem no corpo, o meu tronco estava bem aquecido, as únicas partes que eu sentia frio era nos pés e nas mãos, mas não o tempo todo, acontecia quando eu ficava meia hora parado sobre o snow-mobile. Percebi uma coisa que é obvia: As roupas quentes protegem o seu corpo contra o frio exterior, mas para você se sentir aquecido, o seu corpo precisa produzir calor. Outra coisa bastante interessante é que na primeira volta na trilha eu não senti frio, porque precisava descer toda hora para arrumar os galhos e etc. Já na segunda volta, eu pedi para o Mark para deixar eu caminhar um pouco, e depois de uns duzentos metros eu já sentia o meu corpo aquecido novamente. Já na terceira volta eu precisei andar uns 600 metros até os meus pés se aquecerem novamente, parecia que quanto mais tempo eu passava exposto ao frio mais difícil era para o meu corpo produzir calor.

Mas em torno das quatro horas da tarde o serviço estava feito e voltamos para o Lodge, onde pude me aquecer finalmente. Minha pele estava péssima, até assustei quando olhei no espelho, meu rosto estava branco e vermelho ao mesmo tempo! Foi só depois de um bom banho que eu voltei a ter esse rostinho bonito que vocês conhecem!

Sim, eu estava realmente quebrado de noite, cansado pra caramba. Mas fiquei sabendo que enquanto eu estava na trilha o BS e o Bidula foram à cidade acertar a transferência e o seguro obrigatório do carro. O problema é que o seguro aqui não é no carro, mas nos motoristas, e é caro pra caramba, por isso resolvemos deixar “segurado” apenas o BS, e dividir o valor, que saiu perto de mais cem dólares cada um.

E mais à noite, nove e meia, lá estavam os três brasileiros dentro do nosos Honda Prelude em direção à Grand Marais onde íamos na festa de aniversário de uma das intercambistas do Peru. Fomos bem devagar porcausa da quantidade de veados ao lado da estrada, eram muitos mesmo! Acho que no total foram uns cinquenta contando a ida e a volta! E o medo de um deles passar correndo na estrada e pular na frente gelando as nossas veias.

O mais engraçado é que as peruanas não falam inglês (Como elas chegaram aqui? Também não sei), então a comunicação era naquele portunhol arranhado que todo brasileiro consegue falar quando precisa. Voltamos cedo, voltei dirigindo, porque o Bidula havia bebido dois copos de vinho e o BS uma lata de cerveja. (Eu sei que isso não é quantia pra deixar ninguém alcolizado, mas como eu não havia bebido nada, e tinha os veados na estrada, eu peguei as chaves.) Eita carrinho forte, tenho que tomar cuidado para não sair arrancando na primeira marcha…

O Bidula chegou no quarto, tirou o tênis, deitou na cama e apagou. Foram menos de dez segundos o tempo dele entrar no quarto e estar em sono profundo. O pior é que no dia seguinte, hoje, tivemos uma reunião com a chefe oito horas da manhã…

Última coisa que estava nas minhas notas pra eu escrever no blog: Fiquei sabendo ontem do rolo que deu na internet brasileira, de um juiz proibindo o Youtube porcausa do vídeo da Cicarelli. Que coisa mais idiota! E quando você vê essas coisas idiotas daqui nem dá vontade de voltar para o Brasil.

Mas quando eu lembro das pessoas que estão me esperando de volta, eu fico com uma baita saudade daquela terra de palmeiras onde gorgeiam os passarinhos.

Tirei algumas fotos antes de sair para a festa. Depois nem pensei em tirar mais fotos…


BS posando de motorista…


Essa eu tirei para quem não sabe o que é um snow-mobile. (Estava estacionado ao lado do nosso carro)

Compramos a carta de alforria!

Alguém esqueceu a porta da gaiola aberta. Hoje foi o dia mais frio desde que chegamos aqui, dia no qual compramos o nosso passe para fora daqui: um Honda Prelude 1990!

Ontem nem escrevi nada, pela simples razão de que nada aconteceu. Só o housekeeping de todo dia, algumas conversas (um tanto angustiadas de nossa parte, devo dizer) com o pessoal daqui do lodge sobre precisarmos de um caro. Até que, em torno de oito horas da noite o Michael, nosso chefe, nos ligou propondo um negócio: havia um cara em Grand Marais vendendo esse carro por $2200, mas o Michael conseguia por $800 porque havia vendido um carro praticamente de graça para o cara no ano passado. Ele também nos disse que compraria o carro depois que formos embora por $400, se não batermos ou qualquer coisa assim. Em suma, se tudo correr bem essa brincadeira sai por apenas quatrocentos dinheiros, ou 130 para cada um de nós.

Ainda falta fazer o seguro obrigatório do carro, mas vai sair menos de 200 reais, o que dá para a gente pagar dividindo. Esse carro saiu quase de graça? Mais ou menos: para um carro, conseguimos um ótimo negócio. Mas se formos contar que foi um dinheiro investido que não vamos levar para o Brasil, o gasto é meio grande.

Mas é aquele lance: eu estou aqui pela experiência de passar um tempo fora, e não pelo dinheiro, e para essa experiência ser completa eu preciso visitar lugares, preciso de um meio de transporte para isso, em outras palavras, é algo que realmente precisamos. E amanhã tem festinha da menina peruana em Grand Marais e nós vamos poder ir!

O espaço para os passageiros é minúsculo naquele carro, mas dá para colocar 3 atrás, não muito confortável, mas dá pro gasto. Ele também é baixo pra caramba, tanto que estávamos pensando em estacioná-lo embaixo da caminhonete aqui do lodge. XD

Agora chega de falar do carro, amanhã eu tiro uma foto para vocês.

Hoje foi o dia mais frio desde que eu cheguei aqui. Para vocês terem uma noção, nesse exato momento a temperatura lá fora é de -13ºC. Hoje cedo fui fazer limpeza na Cascade House, estava -15ºC, e o estranho é que não senti muita diferença de zero não… O problema foi na hora que eu estava carregando um fogão com o Michael, e raspei a minha mão de leve no corrimão da escada e um pedacinho da pele da minha mão saiu. Você tem que tomar cuidado nessa temperatura, porque a sua pele fica muito mais sensível do que o normal.

Antes que alguém se alarde: Foi um machucadinho bem leve, menor do que um band-aid. Aliás, eu fui o terceiro a precisar de um aqui, o Bidula se cortou com uma faca na cozinha, o BS bateu a mão quando jogávamos areia com sal na estrada para derreter aquela camada fina de neve. Aliás, eu só coloquei o band-aid porque fomos pegar lenha logo em seguida, e eu não queria que a luva ficasse raspando no machucado.

Depois fui para o restaurante almoçar com os caras, eram duas horas e pouco e o Michael disse que nos levaria para comprar o carro às três. Acabamos pedindo nossa comida tarde demais, assim nem o Bidula nem o BS tiveram tempo de comer e pediram para viagem. E lá fomos nós para Grand Marais comprar e testar o carro. Íamos fazer uma faxina nele por dentro hoje ainda, mas chegamos quase cinco horas aqui, hora que o sol se põe, depois disso não há mais claridade suficiente para limpar um carro.

Vi na previsão do tempo que essa semana a temperatura vai se manter em -15ºC, com exceção de amanhã que provavelmente sobe para -5ºC, mas a previsão é de neve quase todos os dias, então pode ser que ela comece a se acumular, e com isso os clientes apareçam! (E as minhas horas de trabalho, porque essa semana eu mal consigo fazer cinco horas por dia!) Hoje foi o primeiro dia que vi o Michael reclamar do frio. Aliás, ele estava reclamando de muitas coisas, segundo ele, porque foi praticar snowboard ontem, e dos cinco saltos que ele fez capotou em quatro e estava com as costas doendo.

A Mareen, nossa chefe, marcou uma reunião para quinta-feira, que segundo ela, é feita com todos os intercambistas. Vamos aproveitar e conversar com ela sobre as horas e essas coisas também.

E na sexta o Michael vai nos levar para Duluth onde vamos pegar o cartão do seguro social, que só pode ser feito 10 dias depois que você chega no seu emprego. Não fizemos ainda porque a cidade onde tem agência mais próxima é longe…

O BS estava tendo “problemas culturais” aqui. O lance é o seguinte: no Brasil a gente faz massagem em todo mundo, na mãe, na irmã, na amiga, e etc. (Aquela massagenzinha no ombro.) O problema é que nos EUA as pessoas não se tocam. Elas raramente apertam as mãos, na maioria das vezes apenas se cumprimentam apenas falando. Estavam sentadas a Sonia, a Judy e a Hunter (não sei como se escreve), filha da Sonia, enquanto eu e o BS estávamos em pé. O BS fez uma massagenzinha na menina, quase que automaticamente, e a Sonia virou um leão, ficou muito brava. Eu não consigo descrever a Sonia brava, imaginem alguém muito muito muito brava mesmo. Se o BS não fosse brasileiro ele estaria frito. Provavelmente literalmente, na cozinha do restaurante… Temos que tomar cuidado aqui nos EUA, manter as mãos no bolso, porque o “jeito brasileiro de ser” pode ser entendido de uma maneira muito errada.

Fechando: amanhã acordo cedo, tenho que estar no restaurante às sete e meia da manhã. Vamos conversar com a Mareen para eu ficar no restaurante sempre no jantar o BS sempre no café-da-manhã, porque nós dois preferimos isso. O BS está pensando em arrumar um segundo emprego em Grand Marais, eu estou contente se puder fazer o housekeeping de manhã e o restaurante de noite. Porque só cinco horas por dia nem paga a minha viagem!