Trabalhadores mentais

Em um ambiente de trabalho, o valor de cada um está no que entrega, e não em quanto tempo esquenta a cadeira do escritório, ou no número de cafés bebidos. Se você faz bolsas, o seu valor estaria nas bolsas que você entrega, com variáveis na relação entre a qualidade do acabamento e a quantidade de bolsas.

Mais e mais entregáveis agora são puramente mentais. Se sou redator publicitário, eu agrego valor à agência entregando um texto de qualidade, sem erros e criativo. Mas criativo só o suficiente, afinal, a aprovação do cliente ainda é necessária.

Mas e quando, em determinado momento, você não consegue mais entregar aquele texto? Você dá conta da quantidade, escreve 50, 60, às vezes até 100 motes diferentes para uma campanha, todos gramaticalmente corretos. Mas nenhum capaz de tocar a sirene, abrir um sorriso.

É relativamente fácil entender como foi feita uma bolsa, porque é possível voltar a cada etapa do trabalho e ver qual peça se junta a qual. Depois da criação de um layout, um texto, uma campanha, muita coisa brotou na cabeça do publicitário para cair ali. De onde veio essa linha, essa palavra, esse grafismo?

E se você não desmonta uma campanha publicitária parte a parte (assim como não se desmonta qualquer obra artística, ainda que campanhas e obras de arte sejam essencialmente diferentes), você depende de uma fonte, da qual não tem total controle, e que um dia pode secar, ou mudar.

Sim, existem métodos, cursos, modelos, brainstorms, exercícios. Mas e se…?

Casa nova

Fim de ano, projetos, resoluções e avaliações. Resolvi fazer uma pequena faxina virtual, e colher os pedaços da minha personalidade perdidos por aí. Pelo menos os pedaços que eu consigo controlar, como blogs que nunca apaguei.

Após importar tudo para este espaço, eu pretendia que isso fizesse algum sentido. Um cronograma da minha linha de raciocínio desde o começo da faculdade. Havia outros antes, mas além de estarem perdidos, eu teria vergonha de quase tudo postado. Já encontrei muita coisa embaraçosa em meus posts, que agora foram cuidadosamente removidos da vista pública.

A ideia é que um lugar só seja mais fácil de controlar e organizar, para não me perder na loucura de canais sociais. Apesar de trabalhar com isso, ainda me perco no Facebook, Twitter, Flickr, Instagram, e agora Google+. Não sei por que um link é melhor para o Twitter do que para o Facebook, se boa parte do público é o mesmo.

Antes eu costumava colocar em meus blogs conteúdos alheios interessantes. Aqui resolvi juntar apenas o que é meu, autoral, portifólio. Por isso o layout branco, fonte grande, foco total no conteúdo, é o que consigo trabalhar melhor. As formas eu deixo para os meus coleguinhas designers.

O novo tema mostra apenas um post de cada vez, sempre o último. Isso me obriga a pensar um pouco mais antes de publicar qualquer coisa por aqui, já que, se cada post tem a atenção integral do leitor, não posso desperdiçar esse tempo precioso com bobagens. Também está publicado em um servidor próprio, para diminuir o risco do sistema falir, desaparecer, ou resolver que o meus textos podem ser vendidos por aí.

Por enquanto  os conteúdos alheios interessantes estou juntando em um board no Pinterest, para minha sanidade nomeado “Coisas que eu acho legal“.  É uma coleção para mim, mas fique à vontade para acompanhar.

Para música junto um pouco do que tenho ouvido na minha playlist do Grooveshark. Como geralmente apenas abro a lista e aperto o play, talvez ali seja um retrato mais fiel do que gosto de ouvir, e não do que quero que os outros vejam que ouço. A lista muda constantemente. Se enjôo, a música sai, se descubro algo novo, jogo ali. Tudo junto misturado.

Ainda estamos todos entendendo como é ter uma vida digital. Para mim, um pouco de diário, um pouco de jornalista, e um pouco de redator. Mas, se os meus posts mais antigos não são tão pessoais, mostram muito da minha linha de raciocínio esse anos. E entre a vergonha em perceber ali muita coisa equivocada, há a felicidade em ver uma evolução. Como escritor, talvez, mas principalmente como pessoa. Estou mais tolerante, mais resiliente, e muito mais otimista. Evoluir é bom.

Por isso, para 2013, keep calm, keep walking, keep writing.

=)