O Outro Lado da Cidade

tumblr_nsmkj5kruo1qa42ilo1_500O Outro Lado da Cidade é uma coletânea lançada pela Aquário, com ótimos contos de fantasia urbana, escritos por um pessoalzinho muito bacana. Li tudo em dois dias. Como são curtos, vou comentar bem por cima, só para deixar com vontade de ler.

Costumes em Comum – Ana Cristina Rodrigues apresenta o mundo de Biblos, uma cidade-biblioteca onde o conhecimento nem sempre leva à sabedoria… Ótimo exemplo de um conto cujo cenário está totalmente costurado à história.
Coração Mecânico – Steampunk escrito pela Barbara Morais (preciso ler os livros dela). Tem zumbis e uma princesa com um coração artificial.
Vingança é uma palavra de quatro letras – Caramba, só agora entendi o título! Um ótimo conto de J. M. Beraldo que brinca com lendas brasileiras no século XIX (acho).
João Anticristo, de Rodrigo van Kampen – Eu! Eu, eu, eu! :) Tem anjos, demônios e uma princesa de verdade escondida no estádio Brinco de Ouro. Leiam.
Sem troco – Coloque a moeda e gire a catraca. Se a última pessoa com quem você falou permitir, você vive. Senão você morre. Por Vinícius Lisboa.
O Relógio – O conto de Lucas Zanega nos apresenta o interessante detetive Mallear. Trata-se de uma boa abertura, mas quando eu estava pronto para uma aventura, o conto acabou. :(
O Rei e a Deusa – Espero que não tenha nojo de baratas. Ou de ratos. Ou do rei rato e da deusa barata que Lucas Rocha nos apresenta.
Santuário Profanado – Outro conto de detetive, desta vez narrado por Roberta Spindler. Quando um estranho assassinato acontece no reino das fadas, as suspeitas começam a cair sobre um humano. Mas como ele passou pela barreira?
O que os gatos dizem – O conto da Mary C. Müller me lembrou do anime “O Reino dos Gatos”, tem um clima muito legal de história contada, sem grandes pretensões.
O estranho da meia noite – O conto de Lena Rodrigues é muito bem escrito, mas é um conto de terror. Tenho um problema com contos de terror, parece que acabam sempre do mesmo jeito. Para quem gosta é um prato cheio.

Não vou dar estrelinhas porque gostei de praticamente todos os contos, mas meus favoritos foram “Costumes em Comum”, “Vingança é uma palavra de quatro letras” e “O rei e a Deusa”. ;)

Você pode (e deve!) comprar O Outro Lado da Cidade no site da Aquário: http://www.aquarioeditorial.com.br/produto/o-outro-lado-da-cidade ou nas melhores casas do ramo! XD

Rani e o Sino da Divisão – Jim Anotsu

tumblr_nsk4vvf8F71qa42ilo1_r1_400Li este livro mais no começo do ano, estava para escrever sobre ele há uns meses, mas a vida, ah, a vida…

Primeiro, que capa linda! A Gutenberg está, ó, de parabéns!
O livro é ótimo! Havia lido “A Morte é Legal” do Jim Anotsu e caramba, que evolução para este livro. A protagonista, Rani, está mais sólida, mais bem construída. Ela tem problemas (claro, quando se é uma adolescente xamã lidando com colégio, garoto e o fim do mundo ao mesmo tempo…) Mas em vez de reclamar e reclamar (viu, Andrew Webley?) ela transforma isso em vontade de chutar a bunda do tal xamã do mal que quer destruir a coisa toda, o que torna o livro muito mais divertido. Os animais de festa são a turma super legal que todo adolescente gostaria de ter.

Sou um cara velho e ranzinza, então às vezes sentia que o livro não era para mim, principalmente nas partes mais viajadas como o Reino da Califórnia. Mas se tivesse lido o livro na adolescência, este seria o meu livro favorito da vida ever.

P.S. Acho que o Jim usa metade do tempo de escrita do livro procurando músicas para o começo dos capítulos.

O Império Acima da Torre Diamante

A Torre Acima do Véu – Roberta Spindler

Estou sem o livro em mãos para escrever sobre, ele ficou na casa de minha mãe, que pediu para lê-lo. Ela disse que gostou bastante, o que já seria resenha suficiente para convencer você a ler essa obra.

O livro se passa em uma cidade criada nos andares superiores de megaedificíos, únicos lugares não atingidos pela névoa, uma neblina espessa que cobre toda a superfície e esconde terríveis segredos. Como ponto negativo, eu elencaria o portunhol falado pelos personagens. Não por ser exagerado, mas o contrário. Ele aparece pontualmente, em gírias aqui e ali, eu acharia mais divertido se contaminasse o livro inteiro, até o narrador, à la Laranja Mecânica. :)

Mas Beca é uma ótima protagonista, Rato faz as vezes de antagonista e parceiro em diversos momentos, com motivações sólidas e bem construídas, e a aventura é ótima para fazer você virar as páginas com prazer. Elementos de ficção científica, conflitos políticos e de controle de massa e um clima meio de super-herói também temperam esse romance.

Império de Diamante – João Beraldo

Que história fantástica! O livro está bem amarrado, com protagonistas cativantes e construção de mundo ótima.

Porém, o que me incomodou foi a falta de mulheres na obra. Só tem duas, uma é mal aproveitada, a outra praticamente uma entidade sobrenatural. As poucas demais que são as caras na história parecem só servir para ser assassinadas ou estupradas. (Bati um papo com o autor, ele disse que demorou demais para perceber o problema, mas que está trabalhando para corrigir isso nas próximas obras dentro do mesmo universo. Tomara!)

Mas recomendo a leitura, a mitologia de Myambe é incrível, e a mistura de ação, política e religião para costurar a narrativa é das melhores que já vi um autor nacional fazer.

Garota Dodge 404

Fevereiro não foi um mês de muita leitura, então vou trapacear, ok?

Garota Exemplar

Não vi o filme ainda naquelas de “vou ler o livro primeiro”. A história começa quando Amy, a “garota exemplar”,
desaparece misteriosamente no dia de seu aniversário de casamento. Nick, o
marido, se revela um cara estranho, com dificuldade em lidar com a
situação e se torna o principal acusado do crime.  A primeira vez que
ouvi sobre o livro foi no Cabulosocast, resolvi conferir. E caramba, que
livro bom, cheio de reviravoltas, explorando o pior lado de qualquer
casamento, as palavras não ditas, os sentimentos deixados no ar. Você
aprende a odiar e amar cada personagem e no final acaba amando-odiando
todo mundo. :)

 

Dodge

Dodge é um conto de Clara Madrigano. Nunca tinha lido nada dela, e
fique surpreso com a qualidade da sua escrita. “Dodge” é um conto que
começa simples: uma garota quer contar sobre como encontrou o cachorro
Dodge. Aos poucos o conto vai se tornando cada vez mais triste e
miserável até o final sombrio. O conto é ótimo. Só não gostei do cenário enlatado, parece traduzido. O cenário é algum lugar nos EUA, com nomes como Lauren
e Stanley. Ele bem que poderia se passar no Brasil, por que não? Mas vai lá ler, é gratuito: https://www.dropbox.com/s/zd46qohswl7urpz/Dodge.zip?dl=0

Bônus: Leia este outro conto da autora, muito bom também: Chalé de chaminé torta

 

Zine _erro404

Editada
por um amigo, Gui Trento, é um projeto punk, zine de xerox. Texto,
design e fotografia se unem a noticiários sujos, peitos de plástico,
pseudopoemas e reclamações banais. O zine não tem letra maiúscula no
começo, não tem parágrafo, algumas coisas estão praticamente ilegíveis
no garrancho. E tudo isso faz parte do motivo pelo qual vale a pena dar
uma olhada. “todas as cabeças balançam para o mesmo lado. um café
amargo, por favor.”

Leia: http://issuu.com/motimrecords/docs/teste_issue?e=15689764%2F11539389

Maus, Depois do Fim e Coisas Frágeis

E então que eu decidi tentar ler pelo menos três livros por mês e postar mini resenhas aqui, mas já estamos em março, né? Essa resenha vai estar meio capenga, porque os livros estão em alguma caixa da mudança, então não consigo conferir informações.

Mas vamos lá, em janeiro teve:

Maus – Art Spiegelman

Que leitura fantástica. A graphic novel é bastante explícita ao mostrar os horrores da segunda guerra, sob o ponto de vista do pai do artista, Vladek. Há duas linhas temporais na história, uma cotidiana de Vladek, um judeu ranzina e muquirana tentando encontrar seu caminho em Nova Iorque, e a própria história contada por Vladek, sobrevivendo ao holocausto. As duas linhas se intercalam montando um perfil humano, e até um pouco triste, do personagem. Se você, como eu, não consegue compreender como pode um povo subjugar outro assim, Maus é leitura mais que recomendada. Forte, triste, e muito belo.

 

Coisas Frágeis – Neil Gaiman

Estava na estante há muito, muito tempo. Acho que foi uma das primeiras coisas que comprei do Gaiman. Depois de ouvir um podcast http://leitorcabuloso.com.br/2014/11/cabulosocast-108-neil-gaiman-parte-a/ sobre o autor, e pensar “como assim tem um conto sobre Shadow nesse livro?”, puxei de novo da estante. Gaiman é ótimo contista, e reviver histórias incríveis como “O Problema de Susan”, “Um Estudo em Esmeralda” e aquele que eles vão para um circo estranho subterrâneo e a mulher sai com os tigres dente-de-sabre.

 

Depois do fim

Organização de Eric Novello

Eu amo pós apocalipse. (Alguém me convida para a próxima coletânia disso?). Há algo na destruição do mundo, no caos que restou e na tentativa de reconstrução que me fascina. Depois de ter adorado a coletânea “Fantasias Urbanas”, vim com altas expectativas para essa coleção de contos da Draco. De cara me decepcionei, já que a interpretação de “fim” é mais aberta. O fim para um rei pode ser o calabouço, por exemplo. Mas “Sangue Santo” de Marcelo Galvão é excelente, “A Sociedade Sombria” me impressonou pelo controle da narrativa de Nazarethe Fonseca e “O Dono do Cinturão Caminha entre Gigantes” é arrebatador. Só esses três valem a sua compra, mas o livro tem ainda outras boas surpresas, como Postdomini de Gerson Lodi-Ribeiro.

Exorcismos, Pesadelos e uma Dose de Bidu

Exorcismos, Amores e uma dose de Blues
Eric Novello

Já havia lido um conto ou outro do Eric Novello, e apesar de achá-los bons, não havia encontrado nada excepcional. Talvez ele tenha guardado tudo para esse livro fantástico.

Se o cenário de Libertá ao Entremundos é encantador, com uma sorte muito variada de criaturas, lendas, instituições e personalidades, o autor consegue ancorar muito bem o romance em Tiago Boanerges, um exorcista em busca de resolver cicatrizes do passado.

O único item que eu apontaria é uma afobação no cenário, o que faz com que um remendo enorme de situações e criaturas desfilem uma atrás da outra, sem muitas explicações ou tempo para absorções, ao ponto em que estive completamente perdido pouco depois da metade, para só entender o enredo ao final. Um próximo livro no mesmo cenário provavelmente será mais bem apreciado, agora que as regras estão mais claras.

O melhor livro nacional que li este ano, sem dúvida.
Bônus: Nina Simone e a melhor cena de sexo de 2014.

* * *

Alameda dos Pesadelos
Karen Alvares

Estou indeciso quanto a que comentário tecer aqui.

Por um lado, o roteiro do livro me desapontou. Não sei qual o contato da autora com livros espíritas. Por ser minha religião, achei o roteiro um tanto “arroz com feijão” seguindo os conceitos da doutrina, incluindo o componente moral (talvez como C.S.Lewis tenha feito com Narnia.) Mas esse não é um livro espírita, e talvez essa sobreposição de conceitos tenha sido um acaso.

Por outro, a escrita da Karen é poderosa, direta ao ponto, emocional sem ser piegas. Um romance em primeira pessoa com uma personagem forte, cercada por acontecimentos estranhos.

* * *

Bidu – Caminhos
Eduardo Damasceno e Luíz Felipe Garrocho

Esposa e eu compramos este auto-presente de Natal. Eu já era fã da dupla desde “Achados e Perdidos”, uma HQ bastante singela. Em Bidu, Damasceno e Garrocho trazem uma aventura simples, emocionante, magistralmente desenhada. Os traços são suaves, com uma boa dose de genialidade nos detalhes do cenário e onomatopéias. Comecei lendo pensando que acharia “bonitinho” e terminei quase com lágrimas no rosto. Sim, é bom assim.

Ouro, Passarinha e Dias das Bruxas Nem um Pouco Megabytes

Ouro, Fogo e Megabytes – Felipe Castilho

Este livro estava na minha lista há um tempo por se tratar de temas folclóricos, algo que também trabalho no romance que estou escrevendo. O que me incomodou um pouco no texto foi o didatismo de algumas passagens. Sei que o livro é para adolescentes, mas muita coisa é entregue de bandeja, prefiro deixar o próprio leitor chegar às conclusões. Mas Felipe Castilho é muito bom em criar cenas de tensão e construir a narrativa aos poucos, amarrando cada vez melhor as pontas da trama. É um dos poucos livros nacionais que me fez virar as páginas do final querendo saber como aquilo ali estava para terminar.

Passarinha – Kathryn Erskine

Peguei de passagem um comentário da Karen Alvares sobre esse livro, e quando o vi sobre a mesa na casa da minha sogra, peguei para ler. Passarinha é um livro fácil e difícil ao mesmo tempo. A história é simples. Para Caitlin, uma menina da quinta série com Asperger, lidar com o cotidiano da escola já não é tarefa fácil. Agora tem que entender também a morte do irmão mais velho e modelo. Uma aula de narrativa em primeira pessoa, você consegue ao mesmo tempo enxergar o mundo pelos olhos de Caitlin e sentir angústia ao ver além e perceber o que ela mesma não consegue. Um livro que mostra que se existe algo mais difícil do que lidar com a morte de um ente querido, é não conseguir compreender ao certo as próprias emoções sobre isso.

Um Dia das Bruxas Nem Um Pouco Épico – Vários autores

Ebook gratuito, então vamos lá! Uma boa coletânea de autores nacionais, e como todas, com pontos fortes e fracos. Comentarei os favoritos.

A Caçadora – Fernanda Nia
“O dia em que a conheci foi o dia em que Seu Alceu morreu.” Assim começa a história de uma “aprendiz” de caçadora, em um conto em que você pouco vê a ação, apenas as consequências dia após dia.

O Que Separa as Coisas – Felipe castilho
“A primeira vez em que eu o vi foi a pior de todas.” Uma história sobre uma menina e um fantasma. Nem luz, nem sombra, nem vivo, nem morto. Adorei, para mim a melhor do livro.

A Biblioteca do Sussuro – Eric Novello
O conto que me convenceu a tirar o livro do Eric Novello da lista de “para comprar” e adicionar na “lendo”. Bia é uma menina que adora a biblioteca dos avós, e aproveita todo o Dia das para se esconder lá dentro. Este ano vai ser especial. Seus avós prometeram uma seleção especial de livros a ela. Muito bem conduzido, magia e suspense na medida.

Três Vezes Loira – Mary C. Müller
Estava gostando desse conto divertido, uma versão contemporânea dos bastidores da vida da loira do banheiro. Até aquele final feliz-e-macabro-ao-mesmo-tempo.

Um Adeus Prolongado – Dana Martins
Este é um conto simples. Muito simples. E muito bonito, também. Do tipo que te deixa um sorriso no canto da boca, e você gosta sem precisar elaborar muito por quê.

Esta coletânea é gratuita! Lá em http://nemumpoucoepico.com/

Andei lendo

“O Peregrino em Busca das Crianças Perdidas” – Tibor Moricz

Acabei de ler faz um tempo e estava enrolando para escrever algo sobre, porque não sei o que pensar sobre o livro. É muito bem escrito, com descrições ótimas e um universo steampunk-faroeste riquíssimo. Mas tem o final, que, ainda que não seja óbvio, fez eu me sentir enganado, e não de um jeito bom.

“O Castelo das Águias” – Ana Merege

Estava querendo ler o livro há algum tempo, depois de ter lido alguns contos da autora aqui e ali. A Ana escreve de uma maneira absurdamente flúida, é um livro muito gostoso de ler, com personagens sólidas e dificuldades reais. Trata-se de um romance de fantasia que deve agradar muito aos fãs do gênero.

Ainda que o livro traga aventura, tensão e conflitos políticos bem construídos dentro do universo de Athelgard, o centro da narrativa em primeira pessoa foca no relacionamento de Anna e Kieran. Acho que o livro acabou me pegando na fase errada. :P

O que andei lendo

Laranja Mecânica – Anthony Burgess

Ganhei de presente a edição da Aleph, com tradução do Fábio Fernandes. Finalmente terminei a tríade clássica de distopias (Laranja Mecânica, 1984 e Admirável Mundo Novo). Não é um livro fácil, escrito em linguagem nadsat, mas é leitura obrigatória e muito bom. :)

E aí que eu resolvi participar da Maratona Literária Brasuca organizada por alguns blogs brasileiros, mas me distraí e acabei não conseguindo ler os contos e revisá-los do modo que eu gostaria dentro do prazo. Mas aproveitei para ler:

Glória Sombria – Roberto de Sousa Causo (Devir)

O livro é bom, mas não é para mim. Um belo exemplar de FC hard brasileira, conta o início da tragetória de Peregrino, que recebe a missão de formar uma unidade de elite e defender a evacuação de um planeta ameaçado. Os muitos detalhes políticos, hierárquicos, descrições de manobras e outros conceitos bastante técnicos tornam o livro cansativo. (Bom, isso é FC hard, há quem goste. Se é a sua praia, vai fundo!)

Coletânea Futebol – Histórias Fantásticas de Glória, Paixão e Vitórias (Draco)

Com um belo time de escritores, o livro não decepciona. Não sou um grande apaixonado pelo esporte, mas os dramas individuais e coletivos, histórias de craques dos campos de terra e estádio, são um prato cheio. Os melhores são “2010 – O Ano em que Faremos Contrato”, de Fábio Fernandes” e “Jogo Puro”, de Diego Matioli, que enquanto focam no futebol, extrapolam as consequências de seus universos, com alienígenas no primeiro caso, e demônios no segundo. Também achei fascinante o plot-twist de “O último grande craque”, de Marcel Breton.

Este livro tem também um conto de autoria deste que vos escreve, por isso mais que recomendo, digo “comprem, comprem, compreeeem!” :D Comprem aqui no site da Draco.

Andei lendo…

Minha memória não é lá essas coisas. Por isso, além, de esquecer de resenhar o que vou lendo, também esqueço de muitos detalhes da história para fazer a resenha direito. Mas o que andei lendo é isso aqui:

O Baronato de Shoah – A canção do Silêncio
José Roberto Vieira

Se você gosta de Final Fantasy, vai gostar do universo meio steampunk, meio fantasia criado pelo autor. Tive meus probleminhas com a suspensão de descrença (oook, nesta parte apelou demais), mas o livro é bem bacana e vale a leitura.

Coletânea portal Stalker
(Editada por Nelson de Oliveira).

Esse é um livro difícil de conseguir, mas ganhei de presente de um amigo. Como é o mal de coletânea, tem bastante coisa média (leia-se entendi bulhufas), mas tem algumas ótimas surpresas que fazem você acreditar de vez na FC brasileira. Destaque para “Fênix”, de Rodrigo Novaes de Almeida e “Singularidade Nua”, de Luis Brás – caramba, que conto incrível.

Além do Deserto
Érica Bombardi

Estava com receio de que não iria gostar deste livros, mas a Érica é uma narradora muito competente, que consegue manter a dinâmica dos conflitos num ótimo ritmo, despertando a curiosidade. Sofre daquele problema clássico do maniqueísmo em livros de fantasia, (pelo menos as vilãs, que são apenas más), mas os mocinhos não são sempre essencialmente bons, são um pouco mais complexos que isso. :)

Tenho lido sempre a Somnium e a Lightspeed Magazine, mas como sempre têm muita coisa boa, não vou resenhar, vou mandar vocês aos sites http://clfc.com.br/somnium/ e http://lightspeedmagazine.com

A Morte do Super 8 é Legal, Gabriel

Um resumo do que ando lendo e vendo.

Super 8

Ontem assisti Super 8, finalmente, diminuindo em um item a gigante lista de filmes que todo mundo viu menos eu. Gostei bastante, há um clima de “Sessão da Tarde” presente em todo o filme, que não se leva tanto a sério, mas encanta. Outro dia um amigo comentou que não se fazem mais filmes como “Os Goonies”, mas achei Super 8 um filme totalmente goonies, divertido, bem equilibrado entre comédia, aventura, monstro.

Mas alguém precisa tirar os fogos de artifício do J.J. Abrams, esposa e eu começamos a rir muito na (interminável) cena do trem explodindo.

Gabriel – Claudio Parreira

Conheci o Claudio Parreira porque ele estará na próxima edição da Trasgo, revista que edito, e fiquei curioso para ler como seria um romance inteiro com anjos, um Deus politicamente incorreto, e por aí vai.

O livro não decepciona neste quesito, os personagens são bem construídos, humanos (no caso do Gabriel, vai se tornando cada vez mais humano), e cenas que vão se construindo e embaralhando de maneira muito rica.

Peca, talvez, pelo final. Quando um determinado personagem é apresentado, já vislumbrei um final, e passei o restante do livro torcendo para que não fosse aquele final, um deus-ex machina, talvez surpreendende para outros leitores, mas que me desapontou um pouco. Também fiquei incomodado com a figura de Deus, hora onipotente, ora falho, essa maleabilidade para encaixar na história me soou um pouco incoerente.

No mais, é um livro muito divertido, ótimo para quem gosta de brincar com ritos e histórias humanas. Não achei em nenhum momento ofensivo com qualquer religião, considerando-se os personagens como criaturas de fantasia. Mas se você acha que vislumbrar uma figura de Deus entendiado passando a eternindade jogando cartas e fumando charutos uma blasfêmia, é melhor parar a leitura por aí…

Gabriel está disponível pela Editora Draco

A Morte é Legal – Jim Anotsu

“A Morte é Legal” é um livro que me conquistou pelo título há alguns meses, talvez porque me lembre da Morte em Sandman, ela é realmente legal. Conheci o autor também pela Trasgo, e decidi que era hora de ver qual é a do livro.

Há quem diga que o Jim Anotsu escreve para menininhas emo de 15 anos de idade. Talvez seja verdade, talvez eu tenha um bom tanto de menininha emo dentro de mim, pois gostei bastante do livro. (Embora várias vezes eu tenha ficado com vontade de socar o protagonista bem no meio da fuça para ele parar com aquele drama de autopiedade e seguir com a história).

O universo fantástico paralelo ao mundo real construído no livro é bastante real e divertido, lembrou-me as construções que Neil Gaiman faz em “Neverwhere”. O livro conta a história de Andrew e Amber em paralelo. Particularmente gostei muito mais do enredo de Andrew, já que o mundo e conflito de Amber estão ainda mais distantes de meus interesses e realidade.

O livro começa a engrenar mesmo a partir da primeira morte, quando você vê que tudo aquilo não é brincadeira, e sim, as coisas podem e vão dar errado, muito mais errado do que parece no começo.

É um ótimo livro, bem escrito e divertido, recheado de referências a tudo quanto é coisa, como é comum nos textos do Jim Anotsu. Se há uma menininha emo dentro do seu coração peludo, é leitura mais que recomendada.

A Morte é Legal está disponível pela Editora Draco

Andei lendo umas coisas

E resolvi dar meus pitacos, enquanto ainda estão frescos na memória.

Filhos do Fim do Mundo – Fábio Barreto

Comecei sem muita expectativa, fiquei impressionado com a habilidade narrativa do escritor, o ritmo do livro é fantástico e a história muito boa. Fiquei um pouco decepcionado com o final (não com o que acontece com o protagonista, mas com o que acontece depois), mas ainda assim recomendo. Vale pela bela jornada.

O Oceano no Fim do Caminho – Neil Gaiman

Lindo. Lindo e de uma sutileza tamanha, que cada um faz uma leitura diferente das entrelinhas da narrativa. Para mim, somos todos como crianças tentando aprender como navegar este mundo adulto. Gaiman é foda.

Solaris – Stanislaw Lem

Ok, vamos ler, é um clássico da FC, leitura obrigatória. Não aguentava mais ler páginas e páginas de teses sobre o tal oceano vivo. Não sei nem por que cheguei ao final.

Farenheit 451 – Ray Bradbury

Outro clássico, agora sim um que foi devorado do começo ao fim. Merece o lugar de honra na prateleira, e a recomendação: “tem que ler”.

Fantasias Urbanas – Coletânea da Draco

Caramba, que coletânea incrível. Fiquei surpreso com a qualidade dos contos, outro livro que foi devorado durante o Carnaval. Antropomaquia, de Carlos Orsi é incrível, o grande destaque do livro, pela bela construção de mundo. O Monge (José Roberto Vieira) me deu vontade de ler a série do Baronato de Shoah, e o velho oeste fantástico de Onde Termina o Inferno (Douglas MCT) é divertidíssimo.

O Espadachim de Carvão – Affonso Solano

Peguei o livro de birra, com um pé atrás, mas todo mundo estava falando que é ótimo. Fui obrigado a concordar. Se havia alguma dúvida em relação à competência de Solano como escritor, estas somem nos primeiros capítulos. A narrativa é muito ágil e flúida, e o enredo prende bem até o final. Peca, talvez, pelo excesso de raças em Kurgala, já que muitas vezes não lembrava que tipo de ser era aquele. Mas o livro é ótimo!