Simbionte

“Rafa, precisamos conversar.”

Não havia ninguém a metros de distância. A voz soara dentro de sua cabeça, de uma maneira estranha. Tentou tirar os fones, estava sempre com eles, mas não não tinha nada nos ouvidos. Olhou para os lados e continuou seu caminho pela beira da estrada, prestando atenção especial ao matagal ao lado. Estava muito longe de casa para alguém saber seu nome.

“Rafa, posso te chamar assim, né?”

“Quem disse isso?” Respondeu, olhando para todas as direções rapidamente.

“Ah, claro. Deixe-me facilitar um pouco as coisas”. E num piscar de olhos havia um tucano no meio da estrada, de plumagem negra e um longo bico laranja, exatamente como nos livros. Havia algo de errado com o animal, que não parecia vivo, mas um desenho, uma projeção. O tucano chegou mais próximo em pequenos saltos e continuou. “É o melhor que posso fazer. Pensei em tentar uma mulher, mas você se distrairia. Melhor um tucano.” O animal mexia o bico, mas a voz continuava em sua mente.

“Quem é você?”

“Não acho que faz diferença o meu nome. Você não conseguiria pronunciar.”

“E o quê é você?”

“Longa história. Vamos dizer que sou um amigo que te acompanha há muito tempo.”

“Um anjo da guarda?”

“Nunca pensei desse jeito. É, eu gostaria de ser um anjo da guarda. Mas não. Cara, quando você volta para casa?”

“Não sei nem se volto.” Rafael respondeu automaticamente. Estava no meio de uma estrada deserta no interior de São Paulo, próximo à Limeira. Um caminhão passou rente a ele, muito acima dos 80 km/h permitidos, o vento balançando o moletom surrado quase o fazendo tropeçar. Era pouco mais de oito da noite, e conversava com um tucano falante e mal desenhado. Talvez aquela história das doses afetarem o cérebro fosse verdade, afinal. “Mas que merda é você?”

“Já disse, é complicado explicar. Mas estou contigo desde os seus treze anos de idade.”

“Você é a minha consciência?”

“Não, claro que não!” O tucano deu alguns saltos para frente no asfalto, para acompanhar o rapaz, que continuou o passo pela estrada. “Ok, eu influencio um pouco de vez em quando.”

“Como assim?”

“Lembra daquela festa no apartamento da Carina?”

Como poderia esquecer? Rafael tinha quinze anos na época, era um garoto quieto, do tipo que finge dormir na última fileira, escondido do mundo. Não teria sido convidado para um evento daqueles não fosse a pressão de uma amiga da anfitriã que o achava bonitinho.

Recebeu o convite por e-mail. Não pertencia àquela turma, ou a qualquer outra. Preferia fingir que não ligava, mas, como um ser humano de quinze anos, carecia de aceitação. Respondeu no Facebook, confirmando presença.

A roda havia bebido sua quinta ou sexta dose, e entre gargalhadas altas, meninas com o sutiã à mostra e um casal esquentando a cena no sofá, alguém abriu a mochila, tirando dali um aparelho que bem poderia passar por um mixer de cozinha, não fosse a ponta com duas chapas de metal paralelas. Foi a primeira vez que viu um ERN, ou estimulador de reação neural, conhecido apenas como a dose.

A anfitriã foi a primeira a experimentar. Encostou o aparelho na base da nuca e apertou o botão. Começou a tremer e a rir, num estranho ataque epilético que durou dez segundos. “Vocês precisam provar isso!”, disse logo depois, enquanto balançava a cabeça para voltar à realidade.

Amanda teve a mesma reação, acrescida de um movimento involuntário das pernas, que derrubou uma garrafa de cerveja no chão e chutou para longe um pequeno beija-flor de vidro que enfeitava o rack, arrancando mais risadas do grupo quando o casal no sofá pulou com o barulho. Quando terminou, tinha um sorriso de orelha a orelha e a visão um pouco turva.

Rafael pegou o aparelho nas mãos, os olhares em expectativa. Estava bêbado, e apesar de um pouco assustado, queria experimentar. Não sabia dizer se faltou coragem ou o quê. Deixou o aparelho no chão, levantou-se e disse, em voz baixa, mas o suficiente para que fosse ouvido: “Vão todos vocês para puta que pariu”, e saiu, batendo a porta.

Nos meses seguintes, isolou-se cada vez mais, afundado nas músicas e podcasts em seu fone de ouvido. O boato de que era louco correu o colégio, que o perseguia em olhares mudos.

Por anos lembrara da cena, reconstruíra cada passo em sua mente, tentando entender. Culpava o absinto, a vodca, ou a mistura de tudo aquilo. Mas se estava bêbado, porque não apertou o botão logo de uma vez?

***

Parou de andar, olhando para o tucano. “Como você sabe dessa história?”

“Eu já disse, eu estava com você. Fui eu que te tirei de lá”

“Filho da puta.”

“Acho que mereço isso.” Disse o tucano, parando na estrada de cabeça baixa. Conforme Rafael caminhou mais alguns passos, ali estava ele, empoleirado sobre uma cerca de arame farpado.

“Quer dizer que você é algo no meu cérebro, como um fantasma ou algo assim?”

“Algo assim. Na verdade sou um simbionte. Meu povo não é da Terra, mas eu nasci aqui. Para falar a verdade, estamos por aqui há umas boas gerações.”

“E você controla minha mente.”

“Não, não é assim que funciona. Controlar as atitudes do hospedeiro é uma coisa muito difícil de fazer. Naquele dia você estava bêbado, isso ajudou.”

“Olha, fantasma, tucano, ilusão, seja lá o que você é. Eu não tô legal. Você deve ser só alguma coisa da minha cabeça. Só quero chegar ali no bar, tomar minha dose e seguir a vida. Agora, se puder sumir da minha frente…”

O tucano desapareceu, como se nunca estivesse ali. Rafael deu mais alguns passos na beira da estrada depois parou, cerrando os punhos. Virou-se para trás e gritou.

“Você fodeu minha vida! Tudo podia ter sido diferente, agora estou aqui nessa merda e a culpa é sua! Desaparece, saco!”

Um grande lagarto prateado, meio fora de sintonia, atravessou a estrada. Teria sido atropelado por um Gol que passava em alta velocidade, se fosse real. A ilusão chegou mais perto e disse.

“É sobre isso que precisamos conversar. Você já está quase se livrando de mim. E eu preciso de você.” O lagarto respirou fundo. “Cada dose que você toma é como um passeio pela cadeira elétrica para mim. Foi por isso que eu te tirei daquela festa. Se você aumentar um pouco a dose, tomar duas, três seguidas, já era. É o fim da linha.”

“Você não pode me impedir.”

“Claro que não, porra. Se eu pudesse já teria feito.”

“Então está resolvido. Adeus, alienígena controlador de mente.”

“Caramba, Rafa, me escuta, por favor. Você não é o único que tem um simbionte, quase todo mundo tem. A gente usa a energia do padrão de onda do seu cérebro, e assim também damos unidade ao seu pensamento. Eu te ajudei pra caralho nesses anos todos. A entender um monte de coisa complicada, a passar de ano. Naquela merda da prova de bolsa. Você quer ficar louco? É o que acontece com a maioria dos humanos que cresceram com um simbionte e de repente fritaram o cara.”

“Mentira. Você só está com medo.”

“Claro que estou com medo! Estou cagando de medo aqui!” O lagarto ficou embaçado e voltou à sintonia, como um sinal ruim. “Você sabe quantos simbiontes decidem conversar com um humano? Depois de descobrir que a gente existe, a maioria dá um jeito de se livrar. Eu fiquei sem outra alternativa. Se eu não falo com você, você me frita. Se eu falo, você me frita. Porra, vamos conversar!”

Rafael continuou caminhando em direção ao bar na beira da estrada, que vendia laranjas durante o dia e à noite, nos fundos, oferecia as doses para quem estivesse disposto a pagar. “Se eu estou nessa droga de estrada, a culpa é sua.”

Terceiro ano, em setembro. A bolsa de desconto de Rafael estava condenada, e não se importava com isso. Não pertencia ao grupo da sala no Facebook, não estava na lista de contatos de ninguém. Era como se não existisse. Sequer se preocupava em resolver a lição no tablet sobre a mesa, que na última semana fora usado apenas como travesseiro.

Matava a aula no bar, um desses ilegais que existem em frente às escolas, improvisados na garagem de alguém e registrados como lanchonete ou qualquer coisa assim. Havia ali uma máquina antiga de King of Fighters, um dos modelos clássicos que ainda funcionavam com ficha, de antes dos controles serem substituídos por gestos. Havia um prazer insubstituível em esmagar botões e socar alavancas.

Acabara de vencer a luta contra a máquina quando um rapaz um pouco mais velho, de boné de marca e jaqueta vermelha, colocou uma ficha assumindo os controles do player 2. “Uma cerveja?”, perguntou ele. “Uma garrafa”, respondeu Rafael.

Foi uma luta fácil, um dos rounds vencido com perfeição. O rapaz colocou outra ficha. “Dobro ou nada.” A segunda fora um pouco mais difícil, já que não podia apelar novamente para os mesmos combos. Rafael se sentia em transe quando jogava, apertando os botões instintivamente, com a mente vazia.

“É, você joga bem. Sou Marcos. Vai beber sozinho? Vem, cara, senta com a gente.” O rapaz apresentou o amigo, Júlio, um jovem gordo de cabelo ralo e crespo, que fumava um cigarro apoiado na mesa de metal amarela. Conversaram um pouco, Rafael mais ouvia do que falava, quando Marcos contava a história de quando ficara preso em uma balada com o cartão de crédito estourado, sem ter como pagar a conta.

Rafael precisava pegar o ônibus para casa, quando Julio apagou o sexto cigarro daquela noite e disse. “Onde você mora? De repente de dou uma carona.”

“Butantã. Mas eu preciso ir.”

“Então vamos lá, brother. É caminho.” Julio deixou um dinheiro sobre a mesa e pegou a chave do carro, um Mille vermelho enferrujado nos cantos e cuja porta tremia com cada pedra do asfalto. O carro fedia a cigarro.

Os garotos mais velhos no banco da frente trocaram olhares e um sorriso. Marcos virou para trás e disse a Rafael. “A gente só vai fazer um desvio para resolver uma paradinha. Não esquenta.” O menino começara a se arrepender de ter entrado naquele carro, mas não disse nada. Em sua cabeça, formulava planos de fuga.

O Mille entrou em uma rua sem saída, escura no começo da noite. Marcos abriu o porta-luvas e tirou uma sacola de pano. Dentro dela o aparelho que vira uma vez.

Julio foi o primeiro a tomar a dose, chutando e socando a lataria do carro em êxtase durante a aplicação. Depois foi Marcos, que gritou dando risada, abraçando o amigo desajeitadamente enquanto tremia. Ofereceu para Rafael. “Por conta da casa. Pela lavada que você me deu lá na máquina.”

Rafael pegou o aparelho e encostou na nuca. Não cometeria o mesmo erro duas vezes e apertou o gatilho.

Seus braços formigaram. O tempo parou. Um calafrio subiu pela espinha, seguido de uma confortável sensação de calor, novamente frio, e mais uma vez calor. Sua visão ficou embaçada e um dos bastonetes começou a falhar, enxergava as cores como um daltônico. Mas não era assustador, era lindo. As sensações chegavam sem filtro algum, não mais sabia onde começava ou terminava os seus membros, era um com o universo, suas raízes ultrapassavam o concreto, desciam até a terra e se expandiam para todas as direções. Ouvia risadas e sentia-se bem, as risadas eram parte dele, estava feliz. Era como se fadas lambessem seus braços, suas pernas, o peito, a virilha, uma sensação deliciosa, onírica e intensa.

E como veio, a sensação desapareceu de súbito. Estava novamente no carro apertado que fedia a cigarro. “Foi das boas, hein?” Disse Marcos, rindo da ereção do garoto, que ficou envergonhado. Virando-se novamente para frente, concluiu: “Relaxa, cara, isso é normal. Assim que é bom.”

Não disseram mais nada no caminho, mas os três sorriam. Julio deixou-o na porta do condomínio, como prometido, quase no mesmo horário que chegaria se tivesse pego o ônibus.

***

“Eu amava aquele jogo. Quando você escolhia o Iori. Nós éramos matadores.” Disse o lagarto, virando cada olho para um lado diferente.

“Nós?”

“É, eu já disse. O que se passa no seu cérebro faz parte do meu ser. Eu ajudava a organizar toda aquela informação, dando a deixa no momento exato do golpe. Eu não apertava os botões, mas fazia você enxergar qual deles apertar na hora certa. Todo o conteúdo entrando rápido, a adrenalina, tudo aquilo era bom demais… A gente devia jogar de novo qualquer dia.”

Rafael ficou em dúvida entre responder “é, a gente devia” ou “como assim a gente jogava? Isso não faz sentido nenhum.” Não disse nada, mas o simbionte captou as duas respostas. “Como eu vim parar aqui?”, perguntou, por fim.

“Acho que eu devia ter tentado te manter longe daquele bar. Não sei se eu teria conseguido. De qualquer modo aquele fliperama era mágico, cara. Era só você pensar em ir para lá que eu dava um empurrãozinho de apoio.”

“Filho da puta.” Rafael disse novamente.

A cena se tornara rotina. Todas as quintas no começo, uma ou duas partidas de King of Fighters, algumas cervejas e uma dose no caminho de casa. Rafael começara a pagar por elas, já que as baterias do aparelho custavam uma fortuna e duravam apenas vinte ou trinta aplicações.

Aos poucos Marcos se tornava melhor no fliperama, as lutas se tornavam mais desafiadoras. Aos poucos, os seis cigarros de Julio se tornavam oito, dez. Aos poucos, o encontro acontecia duas, três, quatro vezes por semana.

Rafael chegava cada vez mais tarde. Um dia, quando abrira a porta do apartamento, sua mãe o esperava na sala. “Não tem vergonha? Uma hora da manhã em uma terça-feira? Andou bebendo? Está fedendo cigarro! O que aconteceu com você?” Deu um tapa no menino, que ficou em silêncio. O pai apareceu na sala para acalmar a esposa. Rafael foi para o quarto, acompanhado pelo olhar de decepção do pai.

As coisas explodiram quando veio à tona a notícia de que havia perdido a bolsa por reprovar em três matérias diferentes, a partir do semestre seguinte a mensalidade seria integral.

A conversa em casa não fora uma conversa, mas um discurso. Rafael não respondeu. Naquela noite, enfiou algumas mudas de roupa na mochila, pegou o celular, tirou o chip de telefonia e partiu para o bar, onde ouviu do dono a notícia de que Marcos havia sido pego com a dose. Julio estava com ele. “A polícia deve estar indo atrás de todos os contatos dos caras. Te manda daqui, moleque!”

Se enfiou no primeiro ônibus para a rodoviária, depois escolheu qualquer cidade aleatória, logo após sacar do caixa eletrônico pouco mais de mil reais que tinha na conta. Achou melhor não ir para outro estado, os de longa distância deveriam ser os mais checados pela polícia rodoviária. Foi parar em Piracicaba, onde caminhava à noite à beira do rio. O pior do inverno já passara, mas um vento gelado ainda incomodava. Não foi difícil descobrir onde conseguir uma dose, meias palavras aqui e ali sempre indicavam o caminho.

De lá seguiu para Limeira, onde passou duas semanas dormindo escondido no câmpus da Unicamp, atrás de um dos prédios de blocos de concreto. Como toda faculdade tinha o seu traficante, fez contatos rápido. Chegou a tentar jogar uma ou duas partidas de um jogo de luta novo no bar ao lado, mas os controles por sensores de movimento era horríveis, sem precisão. Também incomodava os locais e não era bem vindo.

Passou um tempo em uma cidade pequena chamada Artur Nogueira, dormindo no banco da praça em frente à rodoviária. Mas em uma cidade pequena é mais difícil permanecer anônimo, então resolveu seguir de volta a Limeira, a pé. Sabia onde conseguir uma dose no meio do caminho.

***

O tucano estava logo a frente, na cerca. “Você acha que está sozinho nessa merda de vida, né? Você sabe como esse negócio me embaralha a cada vez que você toma uma dose? Dói, e dói muito. Imagine agulhas perfurando todo o seu corpo de uma só vez… Cada vez que você encosta as placas na sua nuca eu entro em desespero, quero sair daqui, gritar, qualquer coisa.
É uma tortura, cara… Mas não é assim que funciona. Não tem como mudar de hospedeiro. Eu vou viver com você até a sua morte. Ou até você me fritar. Qualquer um dos dois pode ser daqui a pouco.”

Rafael continuou caminhando, sem responder nem pensar. O tucano bateu as asas e pousou sobre uma plataforma de lixo logo adiante.

“Escuta. O ERN foi desenvolvido por um projeto japonês, quando eles descobriram a nossa existência. Seria uma arma para livrar os humanos de nós. O êxtase, o orgasmo, isso é só um efeito colateral. Mas algumas coisas aconteceram durante os testes. Os pacientes entravam em coma, ficavam loucos ou tinham morte cerebral. Só metade ainda conseguia formular frases ou fazer contas depois disso. A pesquisa foi cancelada e as informações apagadas, até que um protótipo vazou como um novo tipo de droga. Estou te falando, a gente ajuda vocês. Que merda, esse negócio vai me matar, e logo em seguida vai te matar!”

Rafael seguiu a estrada escura. Não tinha como não ouvir, mas podia ignorar. Saíra de casa havia dois meses. As roupas sujas fediam, tomava banho uma vez por semana em alguma rodoviária e gastava o dinheiro que enfiara na mochila em doses e comida. Não que desejasse morrer, mas aquilo não era muito uma vida. Pior se estivesse louco e alucinando.

Passou pela porta de correr ao lado da prateleira de mercearia, que exibia alguns pacotes de macarrão e caixas de ovos. Dois bêbados no balcão discutiam. “Foi pênalti, a câmera mostrou!” Fez um sinal com a cabeça para o dono do bar, que tinha os olhos vermelhos e uma barriga grande demais para a camiseta encardida que vestia. Ele terminou de secar um copo e o acompanhou para os fundos, onde se empilhavam caixas de cerveja e garrafas retornáveis de refrigerante. Abriu um freezer e pegou o aparelho escondido dentro de um pacote de latas de skol.

“Pagamento adiantado. Cinquenta.”

“Porra, cinquenta?”

“Se não tiver cai fora.”

“Tá aqui.” O dono pegou a nota amassada e saiu para servir outra pinga para o velho no balcão.

Rafael pegou o aparelho e girou o botão para 20 ohms, dose padrão. Soltando o ar dos pulmões, continuou girando até o 60, índice máximo. Fechou os olhos e encostou as placas na nuca. Estavam geladas. Segurou firme. Não apertou o gatilho. A conversa maluca na estrada, tudo aquilo era parte de si, de algum modo. Seja lá o que fosse, era isso que se chamava “Rafael”. Talvez valesse à pena tentar lutar por isso.

Deixou o aparelho no chão e saiu, com a certeza de que aquela decisão havia sido sua. Enfiou um cartão com poucos créditos no orelhão em frente ao bar e discou para casa.

“Obrigado, cara”, ouviu antes da telefonia completar a ligação.

2 thoughts on “Simbionte”

    1. Muito obrigado, Gui!
      Primeiro eu precisaria escrever um livro de contos, haha! (Mentira, eu tenho um aqui, é meio antigo e tem coisa de lá que provavelmente eu ache bem amadora, mas eu dou um livro para você. :)

      Sério, fiquei bem feliz que tenha lido (e gostado!).
      Abraço!

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