Compramos a carta de alforria!

Alguém esqueceu a porta da gaiola aberta. Hoje foi o dia mais frio desde que chegamos aqui, dia no qual compramos o nosso passe para fora daqui: um Honda Prelude 1990!

Ontem nem escrevi nada, pela simples razão de que nada aconteceu. Só o housekeeping de todo dia, algumas conversas (um tanto angustiadas de nossa parte, devo dizer) com o pessoal daqui do lodge sobre precisarmos de um caro. Até que, em torno de oito horas da noite o Michael, nosso chefe, nos ligou propondo um negócio: havia um cara em Grand Marais vendendo esse carro por $2200, mas o Michael conseguia por $800 porque havia vendido um carro praticamente de graça para o cara no ano passado. Ele também nos disse que compraria o carro depois que formos embora por $400, se não batermos ou qualquer coisa assim. Em suma, se tudo correr bem essa brincadeira sai por apenas quatrocentos dinheiros, ou 130 para cada um de nós.

Ainda falta fazer o seguro obrigatório do carro, mas vai sair menos de 200 reais, o que dá para a gente pagar dividindo. Esse carro saiu quase de graça? Mais ou menos: para um carro, conseguimos um ótimo negócio. Mas se formos contar que foi um dinheiro investido que não vamos levar para o Brasil, o gasto é meio grande.

Mas é aquele lance: eu estou aqui pela experiência de passar um tempo fora, e não pelo dinheiro, e para essa experiência ser completa eu preciso visitar lugares, preciso de um meio de transporte para isso, em outras palavras, é algo que realmente precisamos. E amanhã tem festinha da menina peruana em Grand Marais e nós vamos poder ir!

O espaço para os passageiros é minúsculo naquele carro, mas dá para colocar 3 atrás, não muito confortável, mas dá pro gasto. Ele também é baixo pra caramba, tanto que estávamos pensando em estacioná-lo embaixo da caminhonete aqui do lodge. XD

Agora chega de falar do carro, amanhã eu tiro uma foto para vocês.

Hoje foi o dia mais frio desde que eu cheguei aqui. Para vocês terem uma noção, nesse exato momento a temperatura lá fora é de -13ºC. Hoje cedo fui fazer limpeza na Cascade House, estava -15ºC, e o estranho é que não senti muita diferença de zero não… O problema foi na hora que eu estava carregando um fogão com o Michael, e raspei a minha mão de leve no corrimão da escada e um pedacinho da pele da minha mão saiu. Você tem que tomar cuidado nessa temperatura, porque a sua pele fica muito mais sensível do que o normal.

Antes que alguém se alarde: Foi um machucadinho bem leve, menor do que um band-aid. Aliás, eu fui o terceiro a precisar de um aqui, o Bidula se cortou com uma faca na cozinha, o BS bateu a mão quando jogávamos areia com sal na estrada para derreter aquela camada fina de neve. Aliás, eu só coloquei o band-aid porque fomos pegar lenha logo em seguida, e eu não queria que a luva ficasse raspando no machucado.

Depois fui para o restaurante almoçar com os caras, eram duas horas e pouco e o Michael disse que nos levaria para comprar o carro às três. Acabamos pedindo nossa comida tarde demais, assim nem o Bidula nem o BS tiveram tempo de comer e pediram para viagem. E lá fomos nós para Grand Marais comprar e testar o carro. Íamos fazer uma faxina nele por dentro hoje ainda, mas chegamos quase cinco horas aqui, hora que o sol se põe, depois disso não há mais claridade suficiente para limpar um carro.

Vi na previsão do tempo que essa semana a temperatura vai se manter em -15ºC, com exceção de amanhã que provavelmente sobe para -5ºC, mas a previsão é de neve quase todos os dias, então pode ser que ela comece a se acumular, e com isso os clientes apareçam! (E as minhas horas de trabalho, porque essa semana eu mal consigo fazer cinco horas por dia!) Hoje foi o primeiro dia que vi o Michael reclamar do frio. Aliás, ele estava reclamando de muitas coisas, segundo ele, porque foi praticar snowboard ontem, e dos cinco saltos que ele fez capotou em quatro e estava com as costas doendo.

A Mareen, nossa chefe, marcou uma reunião para quinta-feira, que segundo ela, é feita com todos os intercambistas. Vamos aproveitar e conversar com ela sobre as horas e essas coisas também.

E na sexta o Michael vai nos levar para Duluth onde vamos pegar o cartão do seguro social, que só pode ser feito 10 dias depois que você chega no seu emprego. Não fizemos ainda porque a cidade onde tem agência mais próxima é longe…

O BS estava tendo “problemas culturais” aqui. O lance é o seguinte: no Brasil a gente faz massagem em todo mundo, na mãe, na irmã, na amiga, e etc. (Aquela massagenzinha no ombro.) O problema é que nos EUA as pessoas não se tocam. Elas raramente apertam as mãos, na maioria das vezes apenas se cumprimentam apenas falando. Estavam sentadas a Sonia, a Judy e a Hunter (não sei como se escreve), filha da Sonia, enquanto eu e o BS estávamos em pé. O BS fez uma massagenzinha na menina, quase que automaticamente, e a Sonia virou um leão, ficou muito brava. Eu não consigo descrever a Sonia brava, imaginem alguém muito muito muito brava mesmo. Se o BS não fosse brasileiro ele estaria frito. Provavelmente literalmente, na cozinha do restaurante… Temos que tomar cuidado aqui nos EUA, manter as mãos no bolso, porque o “jeito brasileiro de ser” pode ser entendido de uma maneira muito errada.

Fechando: amanhã acordo cedo, tenho que estar no restaurante às sete e meia da manhã. Vamos conversar com a Mareen para eu ficar no restaurante sempre no jantar o BS sempre no café-da-manhã, porque nós dois preferimos isso. O BS está pensando em arrumar um segundo emprego em Grand Marais, eu estou contente se puder fazer o housekeeping de manhã e o restaurante de noite. Porque só cinco horas por dia nem paga a minha viagem!


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