Foi legal enquanto durou – Último post.

Último post. Para encerrar esse blog. A todos que entraram aqui, leram essas minhas histórias, lástimas, comentários, e tudo o mais, meu sincero muito obrigado.

Foi muito bom voltar para casa. No final da experiência, eu já estava ficando cansado, as situações eram muito legais lá, ver neve, poder esquiar, trabalhar e tudo o mais, mas aquilo não era a minha vida, e eu precisava voltar para a minha vida.

Não dá para descrever a sensação de rever meus familiares, namorada e amigos. O engraçado é que pouco após foi como se eu nunca estivesse saído, o modo como conversávamos e tal, mas eu tenho certeza que agora eu teho muito mais experiências de vida do que quando eu saí. É como se aparentemente não tivesse mudado nada, mas bem no fundo você sabe o que mudou.

Basicamente, eu valorizo muito mais as relações humanas que eu tenho hoje. Como moro fora de casa desde cedo, não achei que ia sentir muita falta das pessoas, mas nossa, a saudade bateu bem forte naquelas terras geladas do norte. Eu senti que eu realmente preciso das pessoas à minha volta. Sim, estou falando exatamente da última frase do vídeo abaixo: Crescer é descobrir o que realmente importa. E o que realmente importa não é o que você tem ou o que você faz, mas com quem você vivencia a sua vida.

Por isso acabei não indo a Nova York. Ia vivenciar uma experiência legal… sozinho. Guardei a grana, comprei um Wii, e tenho experiências legais com às pessoas à minha volta.

Aos que interessam: Não tive problemas nenhum com a faculdade, e agora procuro emprego como professor de inglês. Tenho um bocado de falta, não posso mais perder aulas, mas não vou reprovar de ano. E as pessoas à quem dei presentes gostaram, isso é bem legal.

As pessoas me perguntam se eu acho que valeu a pena. Não é uma pergunta simples de responder, mas, somando-se todos os prós e contras, eu acho que valeu muito a pena sim! Foi uma tremenda experiência lá nos EUA, vivenciei coisas que nunca faria aqui, e agradeço muito à Experimento e aos meus pais que tornaram essa viagem possível. Como diz um amigo meu, que já foi a Macchu Picchu e nessas férias foi à Austrália. “Há um certo tipo de felicidade medido em milhas.”

Se eu recomendo para as outras pessoas? Não tenho dúvidas que sim! Existirão aqueles dias que você estará triste, perguntará o que está fazendo lá no fim de mundo, que você apenas quer chorar por estar longe de casa. Mas existirão todos os outros dias relatados no vídeo do post anterior, que você mostrará para os seus amigos e eles rirão com você, desejando ter ido junto.

A partir daqui, volto ao meu blog anterior, o Navegando Sonhos, no qual quem ainda não viu pode encontrar o tal documentário sobre a vida dos lenhadores. E encerro aqui esse blog, com um profundo agradecimento a todos que leram e me estimularam a escrever as minhas vivências, e com isso poder aproveitar ainda mais os meus dias americanos.

Fim de festa

Acabo chegar da Gunflint Trail, era o meu programa para esse segundo dia de folga, e não digo que foi tempo perdido, porque fiquei dirigindo o meu carro, conversando com Bidula, volta e meia desviava os olhos para um lago congelado, paisagens cobertas de neve, Goo Goo Dolls rolando no som do carro (sem baixos, porque as caixas de som deve ser do século passado). Foi legal, tive um dia legal, no qual acabei refletindo um bocado sobre essa experiência aqui, sobre para onde a minha vida está caminhando, e essas coisas. Acho que posso dizer que sou um homem feliz. Ninguém é feliz todos os dias, eu acho que sou na grande maioria deles. Tenho uma família que me orgulha profundamente, amigos que me amparariam em qualquer situação e que tomariam um tiro por mim, e uma namorada que eu amo mais do que eu achei que faria, e que consigo acreditar tranquilamente que me ama de volta do mesmo modo.

Para falar a verdade me decepcionei com a tal Gunflint Trail. Não esperava muito, é verdade, mas queria ao menos uma vista de tirar o fôlego. Na verdade tive uma só, quando estava voltando, e faltava apenas uma milha para chegar em Grand Marais, pude ver o Lago Superior, emoldurado por belas árvores e com a baía da cidade ao centro. Deveria ter tirado uma foto, mas estava dirigindo.

O Bidula foi comigo, conversamos mais na ida, porque ele foi em uma festa ontem e estava um pouco cansado, acabou dormindo grande parte da volta. Falta apenas uma semana e alguns dias para chegar ao Brasil, e não vejo a hora de pousar em São Paulo. Aliás, mais que isso, não aguento mais os Estados Unidos. Sabe quando você está em uma festa e já são cinco horas da manhã, a banda toca o seu último pop-rock dos anos 80, os seus amigos já estão bêbados e tudo o que você quer é que aquele cara que vai te dar uma carona termine de beijar sua ficante para te levar para casa? Então, é assim que eu estou me sentindo aqui, sem mais disposição para mais nada, esperando o dia de voltar.

Ainda vou fazer snowboard amanhã, mas não esperem posts ansiosos sobre coisas americanas e experiências porvindas. Daqui para frente é só saudade e ansiedade para isso aqui acabar. Isso não significa que todos esses três meses aqui não valeram a pena, valeram muito, eu aproveitei sensações e coisas que raramente teria oportunidade no Brasil, eu agora dou muito mais valor a coisas que antes me passavam despercebidas, o que por si só já é uma mudança bem forte. Não sei se as pessoas vão me ver diferente agora, eu espero que não, espero que eu seja o mesmo que eu sempre fui.

Porque, parando para pensar, eu sempre fui quem eu sempre quis ser. (Ok, eu não virei um ultra-saxofonista, nem escrevi quatro best-sellers com quinze anos, tampouco ganhei na loteria, mas fora esses detalhes, não consigo pensar em ninguém mais que eu queria ser senão eu, o que, por si só, já me faz uma pessoa feliz).

Não sei porque estou escrevendo essas coisas. Provavelmente porque estou com vontade de escrever essas coisas agora.

Conheci muita gente interessante, melhorei o meu inglês, consigo assistir filmes em inglês quase sem problema nenhum, fiz bonecos de neve, fiz snowboard, brinquei na neve, trabalhei como garçom, limpei privada suja, esquiei bêbado, dei muita risada, comprei coisas, tirei fotos, mandei cartões postais, comi fast-food. Basicamente, foi isso que eu fiz aqui nos Estados Unidos. Bastante coisa, não?

Abri mão de muitas outras coisas, acho que já escrevi sobre isso. Mas, no final das contas, eu gostei bastante dessa experiência, valeu muito a pena sim!


Esse é o fim da trilha. Ela simplesmente acaba de repente. Estranho, não?


Esse sou eu. Feio, né?

Uma última coisa que eu gostaria: de pedir um favor a todos vocês que lêem esse blog. Eu gostaria de pedir que todo mundo que acompanhou essa viagem, leu esse blog, mesmo se você leu só um post, se você leu todas as linhas, se você só viu as fotos, eu gostaria que deixasse um comentário. Não precisa nem comentar nada, só escreve o seu nome no comentário: “Eu li.” Eu ficaria muito feliz. E isso inclui as pessoas que eu sei que leram, como por exemplo a minha família. Eu tenho curiosidade para saber quem leu essas linhas tortas que escrevi esses três meses.

Abraços! Agora espero ver um monte de comentários “Eu li” aqui embaixo!

Contando os dias

Como eu não atualizo há um tempinho, resolvi escrever alguma coisa aqui. Mas a verdade é que nada acontece por aqui, nevou bastante, mas isso já está coberto no outro post. O Meatloaf ainda não derreteu inteiro, mas o braços já caíram, e ele está todo torto…

O lodge está bem vazio, a temporada está bem fraca, essa semana estive trabalhando duas, no máximo três horas por dia. Não tem serviço, fazer o quê. Estive gripado esse tempo também,então não pude aproveitar o tempo livre para esquiar e outras coisas assim, fiquei no quarto mexendo na internet e assistindo TV.

A propósito, não aguento mais ver tv aqui nos EUA. Não assisto às séries, nas quais se você perde um episódio não entende mais nada, então fico com o outros programas, o que já exclui metade da programação. O problema é que tem muita coisa repetida. Aliás, eu e o Bidula já decoramos metade das propagandas também. Ainda tem as propagandas milagrosas, com soluções milagrosas para os mais diversos problemas.

Na semana que vem estamos tirando três dias de folga, para tentar aproveitar a região: Na segunda vamos para DUluth, vou tentar comprar um Wii novamente, vou comprar mais outras coisinhas, será a última vez que comprarei alguma coisa aqui. Na terça vou pegar o carro e dirigir até a fronteira do canadá, onde tem um lago, fazer um pouco de turismo. E na quarta nós vamos fazer snowboard novamente, espero não me quebrar tanto quanto da primeira vez.

Agora que está chegando a hora de voltar eu estou ficando cada vez mais ansioso para chegar logo no Brasil, estou com saudades de tudo! Não vejo a hora de chegar em casa e comer arroz e feijão!!!

Meatloaf, o boneco de neve

Bom, aqui vou eu para mais um post nesse blog.

Poucas coisas acontecendo por aqui, para falar a verdade estou trabalhando cada vez menos, uma vez que o lodge está vazio, e esse inverno só deu prejuízo. Mas fazer o quê, a essa altura do campeonato o dinheiro que eu ganhei tá ganho, o que não der não deu. Vou tentar aproveitar o melhor que posso minhas últimas semanas aqui.

Finalmente neve de verdade! Nevou um pé de neve por aqui, tivemos bastante shoveling (tirar a neve com uma pá) para fazer. Tentamos fazer sled mais uma vez, mas desistimos, porque como nevou bastante, a neve estava tão fofa que acabava parando o sled, e ficava lerdo.

Aconteceu um fenômeno estranho, mas bastante interessante aqui: uma mudança de vento, junto com umas tempestades, e mais umas coisas que eu não faço idéia criaram umas montanhas de gelo nas bordas do lago. Mas não nas praias, sobre o lago, flutuando! São vários pedacinhos de gelo com neve formando uma montanha de diamantes refletindo a luz do sol, num azul incrivelmente profundo. É uma das coisas mais bonitas que eu já vi, e o pessoal daqui disse que nunca viu isso antes. Foi muita sorte mesmo, tirei várias fotos pra vocês.

Hoje fizemos o nosso primeiro boneco de neve! Na verdade uns turistas peruanos fizeram um boneco de neve antes da gente, então decidimos que era necessário lavar a nossa honra criando um boneco de neve maior que o deles. E hoje: Mission Acomplished! Nos tomou umas cinco horas de trabalho, fizemos uma montanha de neve, depois fomos esculpindo para o formato de um boneco de neve até ficar grande… Ainda falta resolver o problema do outro boneco de neve… Estamos pensando em alguma coisa bem malvada para fazer com ele.

Dia desses fizemos uma corrida de Sled, estou colocando o vídeo também. Como eu filmei à noite, eram quase onze horas, o vídeo ficou bem escuro, praticamente uma tela preta, essa versão que vocês estão vendo é beeeem editada, por isso a perda gigante de qualidade.

Última notícia, meio chata. Estou ficando gripado de novo. É a segunda vez aqui, acho que ficar brincando na neve, mergulhando de cara na neve e ficando molhado a -10ºC não deve ser a melhor coisa para a sua saúde.

Pelo menos tem filmes legais na TV pra ver, estou assistindo School of Rock.

Ahn, e talvez na segunda feira o BS compre um Wii pra mim, uma vez que ele vai pra Duluth. Fui para lá na segunda passada, comprei uma câmera igual à minha para minha mãe, e um mp3 player igual ao meu para o meu irmão. As estradas não estavam a melhor coisa do mundo, estavam com neve e tal. Mas fomos devagar. Compramos meio rápido, porque eu estava querendo voltar logo, pois estava nevando e eu estava preocupado com a estrada piorar, mas foi sossegada a volta. Eles tiram a neve da estrada e salgam tudo, e como não tinha nevado taaanto assim… Então, na segunda não tinha o Wii na loja, mas o Michael foi para a mesma loja na quarta, e disse que eles tinham o Wii… Então, dedos cruzados!


Ponte de gelo!


A big man


Meatloaf in the house!


Eu e Meatloaf indo pra balada!


He`s the man!

Snowboard!

Snowboard é muito louco!!!!

Mas se eu pudesse descrever a sensação de passar um dia inteiro aprendendo a descer colinas de neve sobre uma prancha em uma só palavra, ela seria: dor. Nós éramos tão ruins que capotamos milhares e milhares de vezes, de costas, de cabeça, de bunda, que a noite estávamos todos quebrados. Eu inclusive trouxe um gelol para essas situações, mas doía todos os músculos do meu corpo, então acabei desistindo de untar todo o meu corpo com aquele creme.

Só que dóia tanto que precisei tomar um paracetamol (analgésico) pra conseguir dormir, uma vez que respirar doía. Mas nada para se preocupar, nós já estamos melhores, meu ombro dói um pouco ainda, mas quase nada. E eu estou louco para voltar lá e fazer aquilo novamente! É muito bom!!!

Hoje eu fui pra Duluth, fui comprar algumas coisas, comprei uma câmera igual à minha para minha mãe, e um mp3 player igual ao meu para o meu irmão. E uma bateria extra para a câmera, porque ficar sem bateria é terrível…

Ontem nós fomos numa festa lá no tal Papa Charlie’s, fica no mesmo lugar onde fomos fazer snowboard. Era uma “festa latina”, para os estudantes estrangeiros que estão trabalhando por aqui, o Matt nos levou. A festa foi muito boa! (Pelo menos a parte que eu lembro dela… Brincadeirinha.)

A verdade é que eu bebi umas oito doses de vodca antes de ir para a festa e estava, no mínimo, alegre. Mas são o suficiente para não cair no chão nenhuma vez, e lembrar de tudo o que aconteceu, como por exemplo que fomos vestidos de lenhador, e que teve pizza de graça lá! E tocou alguns, aliás, vários lixos brasileiros e peruanos que tocam nas baladas brasileiras.

Incrível, nem aqui eu consigo escapar de pagodes, axés, e outras coisas do gênero.

Estou cansado, dirigi 300 km até Duluth e voltei, além do cansaço pós-festa. (Ressaca…)

Ontem teve uma nevasca aqui, não é muito legal ver neve voando para tudo quanto é lado com um vento relativamente forte. E como eu estava trabalhando, a neve ficava se enfiando na gola da camisa, e em tudo quanto é lugar. O lago superior também acumulou um bocado de gelo, que com o vento fazia um baita barulhão. Eu tentei tirar uma foto, quanto o vento já tinha parado. Conseguimos também um bocado de neve, vamos tentar fazer um boneco de neve logo logo.

Última informação: Tentei comprar o meu Wii hoje, mas não consegui achar em lugar nenhum, estava esgotado em todos os lugares. Espero que chegue a nova leva antes de eu sair dos EUA, senão, no way.


Gelo no lago.


Deers, bem na frente do lodge.


Lumbermans go to party!

By the Fire

Esse post provavelmente vai ficar desorganizado… Algumas coisas que quero escrever, outras que vou acabar lembrando no caminho.

Vou começar pelo final então: a fogueira que o Matt resolveu acender lá fora. Quando eu disse que estava quente, fazendo -3ºC, eu não estava bricando. Ok, um pouco. Mas a verdade é que estou tão acostumado ao clima abaixo de zero aqui que essas temperaturas próximas de zero nem são mais tão frias para mim. Eu só preciso de duas blusas nessa temperatura, que já fico aquecido. O mais importante mesmo é o gorro, porque sem ele, aí sim sua orelha fica gelada.

O Matt acendeu aquela fogueira muito rápido… Ele só empilhou a madeira lá e menos de dois minutos depois já estava tudo queimando. Foi divertido, o Bidula jogando o máximo de lenha que ele conseguia empilhar naquele espaço de concreto, o Bidula tentando tacar fogo em um arbusto, o Matt alegre com as três (ou será que foram cinco?) cervejas que ele tinha bebido, eu tentando tirar fotos com aquela iluminação parca. O Matt nos levou marshmallows, e nos ensinou a fazer um tipo de sanduiche de marshmallow, que por aqui é chamado de S’Moore. (Ou qualquer coisa parecida ou nada a ver com isso.) Trata-se de biscoitos do tipo crackers, chocolate, e marshmallow aquecido no fogo. Esmaga tudo isso e come. É muito bom, e dois desses já estufam bastante…

Acabamos conversando sobre coisas sem muita importância, como sempre ocorre em reuniões em volta de fogueiras, o Matt nos contou um pouco sobre como funcionam as universidades aqui, sobre os seus tempos de universidade, há alguns anos, e nós explicamos algumas coisas sobre o Brasil. Muita coisa não faz sentido no Brasil. Mas muita coisa não faz sentido por aqui também.

Agora a historinha de quando fomos esquiar. Chegamos na trilha já um pouco com medo de ficarmos presos, porque pegamos um quilômetro de pista com neve (na qual fomos a 20 km/h), até o estacionamento da trilha. Só que eu estacionei meio torto, e resolvi estacionar direito… E chuga-chuga-chuga-chuga… CHuga-chuga-chuga… O nosso carro não queria mais ligar. Que legal, ficar preso no meio do nada. Aí pegou! Resolvi estacionar direitinho e torcer para que ele ligasse depois do esqui. Aliás, o esqui a gente pode pegar de graça aqui no Lodge, que eles alugam para os hóspedes.

Enfim, uma vez na trilha estava divertido, é mais legal do que parece, porque você vai indo, e acaba indo rápido, principalmente na descida… Mas cansa. Cansa muito, tanto que nos três dias que seguiram a minha perna doía como se eu tivesse corrido uma maratona. Foi difícil fazer housekeeping se a minha perna mal respondia pra pular uma mochila no chão.

Amanhã vamos fazer snowboard, Downhill, acho que vai ser muito divertido! Vamos ficar o dia todo lá, provavelmente vamos nos cansar pra caramba. E cair milhares de vezes, rolar milhares de vezes colina abaixo…

Me lembraram que as minhas aulas começam na semana que vem. Nossa, como as coisas passam rápido, de repente, eu percebi quanto tempo eu estou aqui. Agora é só mais um mês de trabalhos americanos e diversões na neve. Só que quanto mais perto chega da hora de voltar para casa, mais ansioso eu vou acabar ficando…

PS: Arrumei as fotos no post anterior, e coloquei umas legendas, então dá uma conferida lá também!


Cascade Lodge com 15s de exposição

Foto da estrada com 15s de exposição

A seguir: eu brincando com fogo. (E com uma câmera fotográfica)


Matt e Bidula


Queima!!!


Não é droga não, é material de sanduíche de marshmallow


Algo parecido com isso…


Ou com isso…

Esquiando

Olá pessoal!
Dessa vez a falta de atualizações não foi por falta de assunto, mas por exesso de trabalho. Esse fim de semana foi um feriado prolongado aqui nos EUA, por isso o lodge e o restaurante ficaram lotados, e acabei trabalhando bastante, e à noite não tinha mais saco para postar.

Aliás, para falar a verdade, trabalhei nove horas hoje e estou um pouco cansado demais para escrever. Quinta feira vamos fazer snowboard em Lutsen, eu tenho certeza que vamos capotar bastante!

Outro dia eu e o Bidula fomos esquiar, fazer um pouco de cross-country, como eles chamam. É muito mais divertido do que parece, mas cansa demais, as minhas pernas ficaram doendo por dois dias inteiros!

Amanhã, ou outro dia eu conto como foi, e conto mais coisas, como por exemplo que fomos de novo naquele jantar para intercambistas. Só passei para deixar essas fotos e esse vídeo aqui

Essas duas primeiras fotos eu fiz no dia que fomos comer pizza com o Matt, após voltarmos. Não tem photoshop nenhum, só tempo de exposição de 15 segundos. Estava pra colocar isso há um tempo, acabei esquecendo.

O Matt vai acender uma fogueira na beira do lago hoje que está bem quente lá fora. (-3ºC), vou para lá agora. Talvez eu conte amanhã como foi, talvez mais tarde…


Tempo de exposição: 15 segundos.


Eu esquiador


Bidula lenhador esquiador


Bidula tentando (sem sucesso) tirar uma foto boa nossa.


Finalmente a foto que saiu certa


Vista do lago congelado


Vista do lago congelado

O Youtube zoou o video… Mas é isso…

Up to Lookout Mountain

Acho que esse é o maior tempo sem atualizações desde que eu comecei esse blog… Na verdade eu já sabia que isso ia acontecer quando caísse na rotina aqui, mas não foi só isso. Como eu disse antes, estou trabalhando nos turnos da Judy, que provavelmente volta no sábado, por isso estou com os meus dias ocupados, sendo que à noite, quando sobra tempo, me falta saco para escrever aqui.

Mas cá estou aproveitando que tenho que esperar até as dez para passar nas cabines para perguntar se elas precisam de alguma coisa, para contar-lhes as novidades: Uma delas é que chegou o MP3 player que eu comprei pela internet, ainda não deu muito tempo de testá-lo, mas até agora estou gostando dele!

Segunda o Bidula e eu subimos até a Lookout Mountain, para tentar descê-la de sleds, uma vez que todo mundo aqui fica repetindo que as trilhas estão péssimas para esquiar, foi uma caminhada de mais ou menos um quilômetro na subida inclinada… Subimos pela trilha de hiking (caminhada), que era inclinada, mas para descer, as trilhas de esqui davam a volta, então nem tinham inclinação suficiente, salvo alguns raros pedaços, que foi onde fizemos o vídeo.

O mais engraçado dessa trilha foi encontrar um abrigo de camping com um cofre anti-urso, do qual fiz questão de tirar uma foto! Estamos planejando subir uma outra montanha aqui, talvez vamos de esqui, mas essa é o triplo da distância, então temos que tirar uma tarde inteira de folga.

Estou aqui planejando uma viagem a Nova York, ainda não tenho certeza se vou, preciso ver algumas coisas, como se eu vou ter dinheiro, quanto exatamente vai custar esse pacote, se o meu patrão vai me dar os cinco dias de folga que eu pedi, entre outras coisas.

Outro dia estava conversando com o Bidula enquanto fazíamos housekeeping. Todo mundo ficava dizendo que essa experiência ia ser muito boa, que íamos aprender muita coisa nova. Acho que isso aconteceu mesmo, mas ambos concordamos que o que mais aprendemos, aliás, percebemos seria a palavra certa, é que nós não queremos ficar longe das pessoas que amamos no Brasil. Outro dia o Matt nos levou para comer pizza em Grand Marais, à noite, e não sei o que me deu, mas senti falta do meu irmão…

Minha irmã passou no vestibular, está indo pra Baurulandia, coitada, e vai ficar umas semanas na minha república enquanto arruma um buraco para ela se enfiar. E eu não vou estar lá para recebê-la, ainda bem que eu confio nos meus companheiros de república para fazer isso do melhor modo possível!

Essa viagem me fez perceber também quanta coisa acontece em três meses. “Perdi” o Natal, Ano novo, páscoa, aniversário da minha mãe, formatura do meu irmão, a minha irmã passando no vestibular, vou perder o início das aulas dela na mesma faculdade que eu. Foi uma opção, eu troquei essas experiências, que agora eu valorizo muito mais, por outras aqui, não me arrependo, mas é aquela coisa: você tem uma coisa boa e abdica de outras.

Eu sinto falta de todo mundo, em horas diferentes, e a melhor parte é saber que daqui um mês e pouco eu vou rever todo mundo, vou voltar pro Brasil com um monte de histórias pra contar, apesar de eu já estar contando quase todas elas aqui.

Um último comentário: hoje é dia dos namorados aqui, e eu estou sem a minha namorada fofa! Que saudades!

PS: Espero que a galera que recebeu os postais tenha gostado!

PS2: Ainda não aprendi a escrever “sleding”.


Gelo nos cílios


Minha cara depois do vídeo!


Gelo no gorro!

Um passeio pelas trilhas

Como não havia muito o que fazer hoje, resolvi dar uma caminhada pelas trilhas à tarde. Me empacotei dentro dos pares de meias, camisetas, blusas e casacos, e fui-me caminhar sobre a neve.

O engraçado é que coloquei tanta blusa para não sentir frio, que acabei sentindo um pouco de calor, apesar do termômetro marcar -12ºC e do canal do tempo dizer que a sensação térmica é de -18 com o vento. Tirei algumas fotos, mas a história que vale a pena ser contada é a da foto não-tirada.

Me embrenhei por uma trilha que subia montanha acima, pé ante pé, fui jogando o meu peso para frente para me ajudar na subida. Estava indeciso se continuava naquela trilha, um bocado íngreme, ou se voltava para as trilhas de esqui, que são mais planas e largas. Resolvi continuar, eu sabia que todo aquele esforço valeria a pena. Eu tinha que chegar em algum lugar. E assim, após um quilômetro de subida cheguei a um ponto escrito “lookout”. Dois passos adiante estava uma vista maravilhosa, um lugar alto de onde era possível avistar uma faixa enorme de floresta, além de um outro monte ao fundo, sob um céu maravilhosamente azul. Saquei minha câmera, liguei, mirei, e puf… “Please exchange battery pack”. Isso mesmo, meus queridos, depois daquele esforço todo a minha câmera ficou sem bateria, e não pude tirar A foto que eu queria…

Também encontrei um veado saltitante quando voltava para o lodge, mas desse eu não teria conseguido a foto de qualquer maneira, não teria dado tempo de pegar a câmera e disparar.

Além desse também encontrei um cachorro na trilha, que acompanhava alguém em uma outra trilha próxima, que não cheguei a encontrar. O engraçado é que esses cães aqui têm sinos pendurado no pescoço, então ficam fazendo barulhos enquanto correm para lá e para cá na neve. Também gosto do barulho que as botas fazem na neve, é parecido com o de andar na areia, só que mais alto.

Duas das fotos aí abaixo eu tirei enquanto estava sobre o rio que passa aqui do lado, ele congelou, então você pode caminhar tranquilamente sobre ele. Estou pensando em descê-lo com aquelas bacias azuis, o problema é a cachoeira… (de gelo)

P.S.- Para Helena: A câmera é muito boa, mas essas fotos estão ajustadas no photoshop (só os levels).

Frio pra caramba!

Estive gripado esses dias, mas já estou melhorando.
Não tive tempo de escrever esses dias porque a garçonete do turno da tarde, a Judy, quebrou a perna, e eu acabei pegando quase todos os seus horários, e como de manhã eu faço housekeeping, estou trabalhando bastante, e vou continuar assim essas próximas duas semanas.

E para compensar, esse fim de semana foi o mais frio desde que eu cheguei aqui, com temperatura mínima de -36ºC. Recebemos até um alerta de temperatura extrema, dizendo que esse frio junto com não lembro o que mais, podia criar baixas de -50ºC com vento, e nessa temperatura qualquer parte do corpo congela em minutos. (Nem sabia que existiam esses alertas!)

O chato é que está frio pra caramba, mas não está nevando…

Não consigo pensar em muita coisa para escrever agora, o lodge está praticamente vazio, e estamos trabalhando bastante em coisas extras que inventaram para nos manter ocupados.

Ontem foi a final do SuperBowl (Futebol americano). O povo aqui é tão viciado que nem uma alma apareceu no restaurante no horário do jogo. E toda a TV girava em volta desse jogo, igual ao que acontece no Brasil na final da Copa do Mundo. Acho que para os EUA os campeonatos internacionais não importam muito, os internos é que suscitam as maiores rivalidades e paixões. O resto do mundo não tem muita importância.

Detalhe: O Michael outro dia me disse que antes da gente vir para cá ele pensava que os brasileiros moravam em cabanas… E a Sonia disse para o Bidula ir dirigindo até a Holanda, se ele queria mesmo ir para lá. Deu para ver que o povo aqui não manja muito de geografia…

Como eu não tenho muito o que colocar hoje, fiquem com essas fotos do Lago Superior com fumaça.