Então eu meio que resolvi sair do Facebook. Oh noes!

Quando comentei com minha esposa que havia decidido deixar o Facebook ela revirou os olhos e respondeu “a-ham, faz três anos que você fala isso”. Então tá! Mas como quem quer confete ao cancelar amizade em qualquer rede social, resolvi escrever um pouco sobre o assunto.

Porque eu meio que não vou sair. E as pessoas vão ficar confusas quando eu começar a perguntar onde é que dá para segui-las. E vou parar de curtir suas postagens, mas não é pessoal.

Meio que sair só que não

Só não saí ainda porque eu TRABALHO com mídias sociais. E uso o tal azulão para fazer muita divulgação dos meus projetos, freelas e textos. (Mas também me pergunto até que ponto isso não uma falácia. Nós postamos o trem no Facebook e está ticada a caixa “divulgação”, mesmo que a mensagem tenha sido mostrada só para sua mãe, seu cachorro e talvez a melhor amiga.)

É também a rede onde mantenho contato com escritoras e gentes lindas e bacanas que conheci nesses anos como editor da Trasgo e considero pacas. É duro ter que abrir mão disso. Ou não? O que é conexão e o que é ilusão?

Então eu não vou sair do Facebook. Eita, mas…?

Eu só vou deixar de seguir todo mundo. TODO MUNDO. A princípio, vou manter alguns grupos, porque a discussão ali ainda é interessante. E ainda vou receber as mensagens (embora eu volta e meia esqueça de responder ali). Ou seja, vou sair da timeline. Pelo menos tentar.

Então vamos para a outra parte. Por que sair dessa rede tão bonita, tão cheia de samba?

Mas por que diabos?

A timeline do Facebook é uma mistura daquela praça pública lotada cheio de vendedores mendigando sua atenção com aquele espaço íntimo de uma conversa entre amigos na sala de casa. O problema é quando aquele amigo não para de falar do crowdfunding dele até com a boca cheia do macarrão que você cozinhou com tanto carinho. E sua mãe resolve discutir sua hemorroidas em voz alta na praça.

Por causa das bad vibes

O maior problema disso são as bad vibes. Eu sei que lutar é importante. Mas na total falta de contexto que uma rede dessas oferece, eu me vi acalentando minha recém nascida no colo enquanto a rede me atirava duas histórias terríveis envolvendo bebês. Fiquei mal, muito mal. Essa situação só ilustra uma das várias pequenas formas que a rede me deixava triste e descrente quase todos os dias, como aquele vizinho que faz questão de bater na sua porta com o Notícias Populares debaixo do braço para contar dos últimos sequestros, assassinatos e escândalos políticos.

Existe um limite de quanto pinga-sangue você consegue absorver até que isso comece a prejudicar sua saúde psicológica. Eu percebia como isso atrapalhava minha escrita, meu dia a dia, e não fazia nada a respeito. Vibrações ruins é petróleo vazado no oceano, contamina sua visão de mundo, empapa suas asas, impede de voar. E com uma filha para cuidar, eu não preciso disso agora.

Outra coisa que começou a me incomodar muito foi uma falsa sensação de estar informado. Mas aí o viés da confirmação começou a bater forte (viés da confirmação é quando o Facebook só mostra as notícias que ele acha que você vá gostar, portanto que só reafirmam a sua visão do mundo, tornando qualquer um que não pense como você um perfeito idiota). Com a situação do país de mal a pior, golpe de estado e câmara mais retrógrada em um bom tempo, estava ficando ávido por qualquer argumento que conseguisse me dar a esperança de dois grupos pensando diferente, e não um moedor de políticas sociais.

Porque uma coisa é você ler um argumento contrário, discordar, e ter um pingo de esperança de que você esteja errado e que o melhor é realmente a política do outro (eu sei, tá difícil, BEM difícil, viver em 1832, mas continuemos). O Facebook não vai te dar o argumento do outro.

Porque o coiso é uma máquina que se alimenta de ultraje

Quanto mais ultrajado eu me sentir, maior a probabilidade de curtir, compartilhar, comentar, revoltar-me e aumentar ainda mais o vórtex temporal que consome horas do meu dia. E sim, você adivinhou, ultraje só aumenta as vibrações ruins.

E o risco de ficar por fora do lance dos amigos?

Outro dia descobri que um amigo havia terminado há certo tempo com a namorada de longa data. Moramos em cidades diferentes, trocávamos poucas mensagens sobre interesses em comuns. “Você não soube?”, ele me perguntou.

Nós postamos as coisas e imaginamos que todos os nosso amigos leram. Mas não, existe uma chance enorme de que o azulão não achou o seu post interessante o bastante para a maioria dos seus contatos, restringindo a aparição para somente uma dúzia de pessoas. O que eu quero chegar é que existe uma falsa sensação de duas vias.

– Nós postamos algo ali e imaginamos que todos já sabem quase tudo sobre as nossas vidas. Aí nós desaprendemos a contar as novidades, agindo como celebridades mimadas em frente a repórteres despreparados. “Nossa, você não viu que eu postei?”, seguido daquele azedume, se fosse amigo de verdade leria minhas coisas.

– E nós desaprendemos a perguntar e a nos interessar de fato sobre a vida das pessoas mais próximas. Parece que perdemos aquela coisa de se encantar com qualquer coisa que seja que esteja acontecendo com alguém, pensando que não há mais nada a descobrir. E como qualquer pessoa casada pode te contar, uma vida não é o bastante para conhecer alguém a fundo assim.

Mas e Autocontrole?

“Mas isso tudo é culpa sua, seu viciado.” Primeiro, tire o dedo do meu nariz, sim? Obrigado.

Sim, tudo isso que está escrito aqui acima é culpa da minha própria falta de autocontrole. Por um lado é verdade. E o que você faz quando se descobre viciado em açúcar? Corta o veneninho branco, ué. Por outro lado, o Vale do Silício emprega os melhores profissionais do mundo em sequestro de atenção. É você contra os maiores especialistas em te distrair. Complicado, não?

Mas você vai ficar por fora das novidades, dos eventos, de tudo o que está acontecendo! Vai se esconder numa caverna, cavar um buraco e ser como aqueles malucos que criam bunkers esperando o apocalipse!

Calma, tio. Eu me pergunto o quando eu já não estou por fora do que acontece. Quantos eventos que fui convidado por amigos e simplesmente não vi a notificação. Quantas feiras com uma programação bacana passaram batidas pela timeline.

Tomei duas decisões: vou perguntar às pessoas interessantes como posso acompanhar o trabalho fora do Facebook (acredite ou não, as pessoas ainda mantém blogs, sites, newsletters). E resolvi assinar o jornal Nexo, que parece um dos poucos veículos brasileiros que ainda praticam jornalismo. Não sei dizer se com isso vou ficar mais por dentro ou por fora. Ou se isso faz alguma diferença de verdade.

No fim, isso tudo é uma experiência

Eu sempre digo isso, não é mesmo? Acho que faz parte do meu jeito de levar a vida. Algo não está funcionando do modo bacana como você espera? Testa outra coisa, vê. Se for o caso, volta.

Espero usar o tempo perdido na rede azul para escrever mais e ficar mais com minha filha. Vou continuar divulgando meus projetos e posts por ali (tá vendo, nem precisava de textão, ninguém vai perceber que você saiu). Mas se você quiser me acompanhar fora do Facebook, são dois caminhos:

  • O Viver da Escrita é um blog sobre escrita, produtividade, vida freelancer e redação. Se você escreve, ilustra, vive de arte ou afins, leia o blog e assine a newsletter!
  • O meu site pessoal fica em rodrigovankampen.com.br, e é onde direciono qualquer um que se interesse pelo meu trabalho, leitores e curiosos.

Vejo vocês por aí! ;)

Encontro Irradiativo – Impressões de um homem branco cis hétero

Ir ao Encontro Irradiativo, um evento de dois dias com palestrantes negras, trans, gays, não-binárias e gente diversa, foi lindo. Mas também foi bastante incômodo. Não é todo dia que você é obrigado a ouvir, baixar a cabeça e sentir um pouquinho do mal que fazem o seus pares àquelas pessoas. E não importa se você não se identifica com as opiniões retrógradas dos seus pares, você tem acesso a todos os benefícios que essas identidades constroem.

Este não é um texto sobre o problema da falta de diversidade, de como representação importa, ou explicando por que há tantos nerds machistas e preconceituosos. O Manifesto Irradiativo já é lindo e cumpre o seu papel, e como outros já tratam do problema muito melhor que eu, deixei os links no final deste texto.

Também não posso falar sobre sofrer preconceito e exclusão, pois por mais problemas que eu tenha tido em minha vida, isso seria falso paralelismo. O protagonismo da luta deve ser de quem carregue a bandeira. Vou falar das únicas coisas para as quais me sinto gabaritado: privilégio e empatia.

 

Privilégio é transparente

Vou repetir, isso é importante: privilégio é transparente. Você não enxerga os benefícios que ele traz. Você não enxerga o olhar torto na fila do banco, a madame apertando a bolsa, porque tais olhares não fazem parte do seu mundo. Você não sente a porrada que sofre por ser quem é, por não concordar em abaixar a cabeça, porque ela não chega em você. É difícil validar a luta do Manifesto Irradiativo quando todos esses problemas não te atingem. Estão longe, lá na esfera do outro. A você, tudo isso é transparente.

Um das coisas mais poderosas que alguém, privilegiado como eu, pode fazer é investigar o próprio privilégio. Não é fácil, pois envolve desconstruir os blocos onde se apoia a sua própria identidade. Portanto, perdoem essa espiral ego-trip dos próximos parágrafos.

Tenho uma condição de vida confortável, e embora não tenha dinheiro para comprar tudo o que quero, nunca me faltou comida na mesa ou um teto. Saí de casa aos quinze anos para fazer colégio técnico em escola pública, ralei de estudar para passar no vestibular da Unesp, trabalhei de agência em agência, cheguei esgotado em casa muitas vezes, e continuo batalhando em busca de uma condição de vida um pouco melhor.

Essa é uma das minhas identidades construídas. Tudo isso é verdade. Mas ao mesmo tempo eu não posso esquecer que tive o privilégio de estudar em uma boa escola particular, tenho uma família bem estruturada que sempre incentivou os estudos, uma mãe leitora que me colocou no caminho das letras desde cedo e uma rede de segurança que me permite saltos mais ousados. Eu sempre tive (e ainda tenho) para onde voltar caso as coisas não dessem certo. Isso é privilégio.

Vamos investigar mais adiante. Meus pais trabalharam muito para que eu tivesse tudo isso, viveram o período da hiperinflação, chegaram a ter uma dívida no banco que equivalia quase à totalidade de seus bens. Se hoje eles pertencem a uma classe média-alta, é porque conquistaram esse direito com muito trabalho. Mas não podemos esquecer que ambos fizeram faculdade, tiveram acesso a uma boa educação pública, e sempre tiveram um pedaço de terra sobre o qual construir.

Ah, mas por sua vez, os seus pais… Bom, meu avô paterno chegou ao Brasil quase sem dinheiro, afetado por uma Europa devastada pela guerra, mas teve acesso a um pedaço de terra no Brasil oferecido pelo governo holandês.

Onde quero chegar: já é mais do que hora de desconstruir o mito do self-made-man, ninguém se ergue sozinho. Se não há a família, há sempre uma professora, um amigo. Há mérito em trabalhar duro, assim como há humildade em reconhecer todos que ajudaram você a estar onde está.

Peguei aqui apenas os aspectos socioeconômicos. Mas podemos ampliar esse espectro para qualquer esfera. Uma mulher só tem direitos básicos graças àquelas que lutaram tanto por isso no início do século.

Investigar o próprio privilégio é chato. É descobrir que você é o menino mimado que sempre teve tudo. Mas ao mesmo tempo, é isso que abre os horizontes. Ao analisar o que você tem, ao tornar o processo menos transparente, você se torna capaz de enxergar aqueles que não têm.

É muito importante dizer que isso não invalida a luta dos seus antepassados para que você esteja em sua posição. Muito pelo contrário, é um exercício de humildade e agradecimento, de perceber o quanto tantos outros fizeram para que você pudesse ser quem é. E se existe um meio de valorizar aqueles que vieram antes é carregando essa tocha adiante. Isso nos leva ao segundo ponto:

Empatia

Eu nunca vou saber o que é estar na pele do namorado da minha prima quando meu avô o impediu de entrar na piscina por ser negro. Eu não sei o que é entrar no ônibus e ter um ataque de pânico porque está cheio de homens. Eu não sei o que é apanhar no meio da Avenida Paulista por andar de mãos dadas com o meu namorado. Eu não sei. Mas eu posso imaginar. E só de imaginar dói.

Empatia é mais que necessário neste tempo de opiniões extremas. Por isso a primeira parte é tão importante, quanto mais você se desconstruir, mais será capaz de se colocar no lugar do outro, e poderá enxergar como essa luta é importante e básica. É uma luta para que possamos nos tornar mais humanos. Todos nós.

No Encontro Irradiativo vi gente com raiva, mágoa, rancor. Pessoas que não queriam ser assim, mas a quem enfrentar o mundo dia após dia torna a sua vida muito mais difícil. Mas ao mesmo tempo, pessoas brilhantes, que transformam tudo isso em amor, em luta, em obras de arte incríveis.

Apesar da divergência de opiniões quanto à forma, havia unanimidade em relação à importância da luta. Nos intervalos entre as palestras o clima era ótimo, sorrisos para todos os lados. Todos ali, sem exceção, tinham amor pelo que faziam. E naquele ambiente seguro podiam baixar a guarda e entregar-se plenamente a ser quem eram, pessoas únicas, representadas.

O que nós, privilegiados, podemos fazer a respeito

A primeira coisa é enxergar-se nessa condição. Eu preencho a cartela toda: homem, branco, cisgênero (tenho identificação com meu sexo biológico), hétero (sinto atração pelo gênero oposto). Mas quase todo mundo é privilegiado de alguma forma. Negro, mas de boa condição econômica. Mulher, mas branca. Nenhuma luta é mais importante que outra. Não é difícil enxergar onde você sofre preconceito, enxergar o privilégio talvez exija algum esforço.

A quem tem privilégio as portas estão sempre um pouco mais abertas. Então use o seu palco e redirecione os holofotes. Não se trata de pegar a bandeira e roubar o protagonismo, mas apoiar de todas as outras formas. Dar voz, compartilhar os pontos de vista, coletar o seu lixo e chamar a atenção do coleguinha que está fazendo piadas retrógradas.

E onde entra a cultura pop, o cinema, quadrinhos e a literatura em tudo isso?

Uma das “receitas de bolo” veio na última mesa: representatividade e inclusão.

Representatividade trata-se de aumentar a diversidade de personagens, fugir dos estereótipos e colocar gente gay, trans, negros, índios, gordos e de todo o tipo nas suas obras. Mas como?, perguntavam as pessoas brancas-hetero da plateia, eu incluso. Primeiro, trate-os com respeito, como seres humanos, abandone estereótipos e evite extremos. Seu personagem negro não precisa ser o bandido, mas também não precisa ser a Madre Teresa. É uma pessoa, com qualidades e defeitos. Seu personagem trans até pode sofrer um pouco de preconceito, mas não transforme isso no eixo do personagem a menos que você conheça a questão de perto e saiba muito bem o que está fazendo.

Um primeiro passo, para quem nunca trabalhou diversidade, é apenas colocar lá. Funciona assim: crie um personagem qualquer. Em algum momento da narrativa diga (ou melhor, mostre) que ele é gay, negro, trans, whatever. Continue a narrativa como se não tivesse nada de mais, não levante bandeiras por isso. Se essa não é a forma 100% perfeita, é melhor do que estereótipos e melhor que uma obra panfletária superficial. Representatividade é importante para que as pessoas que se identificam com aquele grupo possam se enxergar na cultura da qual fazem parte. Num dos exemplos mais clássicos, Whoopi Goldberg declarou que descobriu que uma mulher negra podia ser atriz ou fazer qualquer coisa na vida quando viu Uhura em Star Trek. E isso é mágico.

Mas representatividade deve ser apenas o primeiro passo. O segundo é inclusão. É termos mais produtores de conteúdo que contem suas próprias histórias. Abrir espaço para escritoras, editoras, cineastas, pessoas diversas dirigindo os holofotes.

Trasgo – Chamada por diversidade

Eu tenho um espaço. Chama-se Trasgo, e é a revista de contos de ficção científica e fantasia mais legal do mundo. É trimestral, com seis contos por edição. E embora publicamos mulheres em todas as edições e alguns contos de autores negros e diversos, é pouco.

O que queremos: mais diversidade. Mostrar todo o potencial da fantasia e da ficção científica em apresentar o diferente, em mostrar um novo mundo, em extrapolar preconceitos. Queremos contos escritos por pessoas trans, queremos contos escritos por autoras negras, queremos contos escritos por pessoas não-binárias.

Precisa ser um conto exclusivamente sobre o assunto? Não. Queremos todo tipo de conto. O que importa são os vários pontos de vista. Se você é uma pessoa trans e quer escrever sobre um dinossauro mothafucka quebrando tudo numa nave espacial, pode. Se você é uma mulher branca e quer escrever sobre alienígenas sofrendo racismo na sociedade humana, pode. Pode tudo!

A ficção científica e a fantasia sempre trataram de metáforas e extrapolações. Apresentam visões de mundo diferentes, exercitam a empatia. É assim que tem que ser, e é assim que a Trasgo vai caminhar cada vez mais.

Também é importante explicar que a Trasgo é um espaço seguro, porém aberto. O que significa? Que nada impede que uma autora seja atacada em outros lugares a partir de algo escrito na revista, mas isso não vai acontecer no próprio site, pois os comentários são moderados. Você também não precisa me dar um nome real ou social para publicar o conto, pseudônimos são aceitos. (A Trasgo paga as autoras, mas não se preocupe, arrumaremos um meio de fazer este pagamento). E a Trasgo tem uma comunidade de gente linda que lê e apoia a revista.

Por isso enviem os seus contos. Todos serão lidos com muito carinho. Respondemos a todas as submissões em até três meses. Para mandar material para a Trasgo, entre no site da revista.

Enfim

Espero que este texto não seja lido do modo errado. Ao analisar meu próprio privilégio, o objetivo é servir de exemplo, em busca de mais empatia por aqueles que não têm a mesma sorte que eu. É um exercício incômodo, mas muito, muito menos incômodo do que viver dentro de uma sociedade que não te aceita, não te representa e faz questão de mostrar isso em cada pequeno detalhe, até na “cor de pele” de um curativo.

Aproveitando o final do texto, algumas recomendações de leitura, só para começar a entender o tamanho do buraco.

Manifesto Irradiativo

Como foi o Encontro Irradiativo – Sem Serifa

O Efeito Scully – Momentum Saga

Valentina e os Porcos – Jim Anotsu

Das lutas de cada uma – Ana Cristina Rodrigues

[Atualização: na versão anterior deste artigo estava escrito Manifesto Irradiativo, onde deveria estar Encontro Irradiativo. O Manifesto surgiu no começo do ano, o encontro aconteceu no último fim de semana na Biblioteca Viriato Corrêa, em Sampa.]

Viver da Escrita – Uma nova jornada

Olá! Alguém por aqui neste blog? Nunca se sabe.

Passei para avisar que estou publicando minhas letrinhas em um novo canal: Viver da Escrita. Lá falo um pouco sobre tudo o que venho aprendendo desde que mergulhei de cabeça na vida de redator freelancer, com dicas para escritores, redatores, freelancers e todo tipo de monstro que trabalha de casa.

viver-da-escrita-shareLeiam o novo blog, assinem a newsletter! Vamos juntos?

Este espaço pessoal continua, mas deve entrar em um hiato de publicações. Usarei para conteúdo mais pessoal de vez em nunca. Até mais!

Arrume um bom mecânico – e outros conselhos para escritores

O que motos têm a ver com literatura? Eu explico. Estava pensando em uma lista de coisas que eu queria que alguém tivesse me contado quando comprei minha primeira motoca. E nessa de listas, comecei a pensar no que eu queria saber quando comecei a escrever. E não é que as duas listas se tornaram praticamente iguais? Olha só:

1. Arrume um bom mecânico. E confie nele.

[Atualização: Este post foi movido para meu outro blog, Viver da Escrita: Arrume um bom mecânico – e outros conselhos para escritores

 

Curso Online de Criação Literária

Eram 18:20 e eu tentava fazer meus pés pararem de tremer para não bater o carro, dez minutos antes de dar a primeira aula da oficina literária que ministrei na Pandora. Enquanto meu lado racional repassava o que preparei para aquela aula, alguns diálogos aleatórios do Twitter e o famoso “o que pode dar errado?”, o outro lado cutucava: “quem é você para ensinar alguém a escrever, para coordenar uma oficina? Eles vão dormir na primeira meia hora. E se alguém desistir depois da primeira aula?”

Vamos voltar um pouco. Por que raios eu resolvi ministrar uma oficina de criação literária?

Primeiro vieram os textos com dicas de escrita que publicava no Scribe. Como editor da Trasgo, eu via os mesmos erros se repetirem entre os autores novatos, não por falta de técnica ou habilidade, mas por falta de um entendimento do que faz um texto bom, uma leitura fluida. A intenção nunca foi ensinar a escrever, até porque as aulas de português do ensino fundamental estão aí para isso. A proposta é que os autores prestem atenção a alguns efeitos, como um professor de cinema chama a atenção para tal ou tal enquadramento.

Os textos ganharam seguidores, e pensei em ministrar um curso com os mesmos conceitos, por que não? Organizei as aulas, vendi o projeto, conseguimos uma turma. Pequena, é verdade, mas ainda assim, alunos. A dúvida veio rastejando. “Eu nunca compraria um curso de um escritor sem nenhum livro publicado. Em que editora esse cara trabalhou? Nenhuma? Pffff.”

Foi minha terapeuta que disse que muitos professores não são tão bons na prática. Muitos são apenas apaixonados pelo assunto, e às vezes se saem melhor do que aqueles para quem a arte é natural. Este argumento foi metade do que eu precisava para me convencer. A segunda metade foi perceber que “eu” não importava. Sim, tenho alguma experiência de dois anos editando a Trasgo (e haja leitura crítica e correção de texto para cada edição da revista), tenho minha cota de contos publicados em coletâneas, e a parcela de livros em avaliação por aí. Mas nada disso importa. Eu tenho gente muito mais interessante do meu lado.

Gente do calibre de Neil Gaiman, Chuck Palahniuk, Stephen King, Luiz Bras e muitos outros. Gente que criou discurso, artigo, livro e material sobre a arte de escrever, material que devoro com voracidade. Meu pequeno mérito consiste apenas em organizar os conceitos espalhados por aí.

Percebi que eu não precisava dominar com maestria a arte de criar cenários fantásticos, elaborar personagens cativantes ou trabalhar o estilo do narrador. Bastaria escolher os exemplos certos. Temperar com alguns exercícios criativos e tentar organizar as aulas de modo dinâmico para que ninguém caísse no sono. Essa foi a parte difícil.

Não nego que há um grande valor em aprender diretamente com a fonte. Mas infelizmente quase não temos oficinas literárias no Brasil. Há alguma coisa em São Paulo, em alguns núcleos universitários e cidades que investem mais em cultura, mas isso deixa de fora grande parte do país. Aqui em Campinas há pouca coisa pelo tamanho da cidade. Esse curso surgiu mais ou menos como a Trasgo: eu queria fazer uma oficina bacana, mas como ninguém aparecia para ministrá-la, montei uma.

Para quem ficou curioso, esta foi a bibliografia do curso, entre exemplos lidos em sala, recomendados ou enviados por e-mail. Os materiais gratuitos estão linkados, o resto você encontra por aí para comprar.

Sobre a Escrita – Stephen King
Galimatar – Fábio Fernandes em Cidades Indizíveis
O Longo Caminho de Volta – Ana Cristina Rodrigues em Cidades Indizíveis
Primeiro de Abril: Corpus Christi – Luiz Bras em Cidades Indizíveis
Passarinha – Kathryn Erskine
Antologia da Literatura Fantástico (Passagens diversas) – Casares, Borges e Ocampo
Nicholas Era – Neil Gaiman em Fumaça e Espelhos
João Anticristo – Rodrigo van Kampen em O Outro Lado da Cidade
Gatos – Laerte
O Consertador de Bicicleta – Bruce Sterling
Human Readable – Cory Doctorow em With a Little Help
Ateliê de Criação Literária – Luiz Bras
O que separa as coisas – Felipe Castilho em Um dia das Bruxas Nem um Pouco Épico
Belas Maldições – Neil Gaiman e Terry Pratchett
Rani e o Sino da Divisão – Jim Anotsu
A Última Árvore – Luiz Bras em Trasgo #06
O Senhor da Foice – Terry Pratchett
Os Caçadores de Sonhos – Neil Gaiman
Quando Fomos Ver o Fim do Mundo – Neil Gaiman em Fumaça e Espelhos
Amores, Exorcismos e uma Dose de Blues – Eric Novello
Antropomaquia – Carlos Orsi em Fantasias Urbanas
The Day the World Turned Upside Down – Thomas Olde Heuvelt em LightSpeed Magazine
Personagens, Argamassa e Tijolos – Erick Novello
The Prophets of Oak Ridge – Dan Zak para o Washington Post
“Thought verbs” – Chuck Palahniuk
10 Reasons to Draft 10 Times – Peter Derk

Para quem é de Campinas

Queremos fazer outra edição desta oficina, mas dependemos do interesse do pessoal para fechar uma turma. Entre em contato com a Pandora pelo e-mail atendimento@escolapandora.com.br e diga que você deseja fazer o curso de criação literária.

Para quem não é de Campinas

Tenho a intenção de criar esta oficina online: o aluno inscrito receberá um texto explicando determinado conceito, e um exercício para fazer, que será corrigido por mim. Assim, as aulas podem acontecer no ritmo de cada um, sem a necessidade de horários rígidos. Quero descobrir se existe demanda para este curso, por isso peço apenas para deixar seu e-mail aqui:

http://goo.gl/forms/Zv9hXcJChD

Espero que todo mundo clique e compartilhe o link acima para que eu consiga montar esse curso online! Vai ser bacana.
PS: Quem preencher o formulário ganha um brinde no final! ;)

Oficina de Escrita Literária na Pandora comigo!

Olá, pessoas! Em julho estarei ministrando na Escola Pandora uma oficina de escrita de ficção científica e fantasia!
Duração: 4 semanas (curso de férias)
Total: 12 horas (4 aulas de 180 minutos)

O curso é voltado a escritores em formação, jovens ou adultos, que desejam se aprimorar na escrita de contos, romances ou roteiros. Serão abordados temas como estilo de texto, estrutura narrativa, criação de personagens e estruturas de diálogos, sempre com estudos de obras.

A oficina contará com uma produção intensa de pequenos contos e exercícios que serão lidos e debatidos no curso, identificando pontos fortes e a melhorar em cada aluno, além de exercitar o olhar crítico sobre a própria produção. Com exemplos de clássicos e contemporâneos da ficção científica e da fantasia, o curso trabalhará conceitos universais da literatura, que podem ser explorados para qualquer direção na produção literária.

Tópicos abordados

– Inspiração, motivação e reescrita
– As primeiras palavras
– Roteiro e ritmo do texto
– O olhar crítico: como ler e avaliar a própria obra de forma profissional
– Conflitos e antagonistas
– Personagens incríveis
– Estilos de escrita e narrador
– Diversidade e criatividade na escrita literária
– O olhar (e o bloquinho de anotações) do escritor
– Descrição ativa e passiva
– Diálogos!
– Coesão e coerência
– Criação de mundos fantásticos
– Leitura crítica e debate sobre as obras produzidas
– O próximo passo: como publicar?

Sobre o professor (eu!)

Rodrigo van Kampen é editor da revista Trasgo de Ficção Científica e Fantasia. A Trasgo publica contos de autores nacionais consagrados e estreantes e foi considerada uma das mais importantes iniciativas na literatura de nicho brasileira. Como escritor tem contos publicados pelas editoras Draco e Aquário, além de outras obras publicadas de modo independente.

Inscrições na Escola Pandora pelo telefone 19 3234.4443, ou mais informações no site da Pandora.

Tudo isso que a vida traz

Caramba, como o tempo voa!

Este último ano, em especial os últimos seis meses, foram uma aventura. Desde que deixei o último emprego com carteira assinada e resolvi correr atrás dos sonhos, muitas coisas aconteceram. Mas como elas aconteceram de vários modos diferentes, resolvi juntar tudo num “como anda a vida em geral”.

O ponto de partida, naturalmente, é este texto mais pessoal que escrevi no Blumerangue, o blog de um amigo: “Então você quer ser um escritor?” Ali explico meus planos: escrever muito, arrumar freelas como redator publicitário e ver o que acontece.

Estou descobrindo que sobreviver de freelas não é fácil, mas é viável.

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Tenho lido mais e publicado comentários sobre o que tenho lido ali no Tumblr. Mas não, minha vida não tem sido deitar de pernas para cima com um bom livro todo dia.

Estive trabalhando no conteúdo do site de uma empresa de tecnologia, escrevi o texto do cartão de natal para o blog de amigos e fui contratado para escrever um livro de memórias, que já está no processo de revisão.

Também trabalho na conversão de livros de papel para e-books a uma editora da cidade.

Ainda não consigo tirar um salário estável desse trabalho. Às vezes isso é desesperador. Mas recentemente li a frase “as melhores coisas da vida são difíceis”.  Acredito que seja verdade. Eu nunca trabalhei tanto, mas nunca estive tão feliz e realizado com o que faço.

O último post deste blog contava do lançamento da Trasgo.  Um ano depois, a revista vai muito bem, obrigado, e acabei de lançar a quinta edição, a primeira a ser vendida, com os autores remunerados.

Recebi também o convite para um novo projeto, do tipo “escritor por encomenda”, no ano que vem. Ainda não é certo, mas pode ser mais um freela para ajudar a tocar o barco, então tudo se endireita.

Ainda que a literatura seja a prioridade na minha vida agora, tenho me dedicado também a outras coisas. Kung-Fu é uma delas. Tenho gostado cada vez mais dos treinos, e comecei o curso para me tornar instrutor. É outro trabalho onde posso me sentir realizado e no futuro receber por isso.

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Falando em literatura, as coisas vão bem.

Não posso detalhar muito ainda, mas tenho o contrato assinado de um livro para sair no ano que vem. Yay!

Aproveitando a experiência que ganhei com a Trasgo, passei a escrever textos com dicas semanais para novos escritores.

Saí na coletânea Futebol – Histórias Fantásticas de Glória, Paixão e Vitórias, da Editora Draco, ao lado de gente bacana.

Fui aprovado na coletânea Dinossauros, da editora Draco (em produção).

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Um dos meus objetivos em julho era começar e terminar mais um livro antes do fim do ano. Consegui escrever um romance YA (Young Adult), com criaturas folclóricas e Kung-Fu. Está na mão dos leitores beta. Depois de arrumado, vou procurar uma editora bem bacaninha para ele.

Fui convidado para escrever para um novo projeto para sair no ano que vem, do qual também não posso contar mais, a não ser que meu conto se trata de um cara de moto no interior paulista após o cataclisma que secou todos os rios e matou quase todo mundo.

O conto enviado para a coletânea Sherlock Holmes – O Jogo Continua não entrou, mas foi selecionado como menção honrosa, o conto e será vendido como e-book independente. O mesmo aconteceu com o conto enviado para a coletânea Samurais X Ninjas.

Recebi também uma parcela de rejeições, agora estou com alguns contos na manga, decidindo o que faço com eles.

E o trabalho continua! Mais alguns projetos estão prestes a sair da gaveta, vamos ver o que vai ser. Ninguém disse que seria fácil. As pedradas vieram em áreas da minha vida que eu nem imaginava.

Mas está dando certo e só posso me sentir realizado e grato por tudo isso que a vida tem me trazido. E ser grato também à esposa, que tem segurado a barra junto comigo, minha âncora neste mundo doido. :)

#Vem-ni-mim-2015!

Revista Trasgo no ar!

Aqueles que me acompanham mais de perto sabem o suor que foi gasto para trazer a edição piloto ao ar. Foram horas de revisão, horas conversando com a Lídia Costa Grigorini, designer envolvida, e mais horas conversando com o Fábio Scaico, que resolveu boa parte das pendengas de programação do site.

Claro que a gente nunca está satisfeito. A revista que está no ar está incrível, com ótimos contos, mas ainda tem muito espaço para melhorar, evoluir, ouvir a opinião do pessoal. Espero mesmo que a revista agora voe, que ganhe fãs, divulgadores, entusiastas!

O lançamento desta revista é um sonho antigo. Valeu cada minuto do fim de semana de trabalho.

Sabe aquele momento em que você sai de casa para uma longa jornada, e inspira fundo olhando a estrada à frente? Então estou muito feliz em apresentá-la a vocês.

Bem vindos à Revista Trasgo!

Sobre sonhos – e sua insistência em nos perseguir

Quando comecei esta história estava com uma pergunta em mente. O quanto eu estava disposto a investir para tornar isso realidade? Quanto dinheiro, e principalmente, quanto tempo? Quando percebi que a resposta era “praticamente todos os meus fins de semana e o porquinho inteiro de minhas economias”, estava no caminho certo.

Hoje apresento ao mundo o que estava apenas nos bastidores, e faço o pré-lançamento da revista Trasgo, uma revista de contos de ficção científica e fantasia.

Falar de sonhos e projetos é sempre lindo. Mas pouca gente pode se dar ao luxo de pedir demissão e correr atrás, o que não é necessariamente ruim.

Porque cria um filtro. Se você não consegue perseguir isso no terceiro turno, à noite ou no pouco tempo que conseguir, acredite, você não quer tanto assim. A máxima “quem quer arruma tempo” nunca fez tanto sentido. ;)

Eu poderia dizer que essa história começou há seis meses. Eu parecia criança no Natal quando descobri a Lightspeed Magazine, achei a coisa mais incrível do mundo, a ponto de me revoltar por não existir algo tão legal em língua portuguesa para mostrar a todos os meus amigos que não lêem em inglês.

Eu poderia dizer que essa história começou pouco antes do último ano da faculdade, que meu TCC seria uma bela revista de contos, que por alguns motivos não aconteceu. Mas raios, já na época do vestibular eu tentei fazer o curso de editoração porque queria trabalhar em uma revista de contos.

Seu eu tivesse lançado a revista antes, ela não seria o que a Trasgo está se tornando. Seria mais amadora, mais experimental, mais diferente.

Não posso dizer que não tentei. No final da faculdade lancei o Balaio Branco, para explorar modelos de contação de histórias, uma revista online. Não deu certo, mas aprendi com os erros. Na verdade prometi que nunca mais faria algo assim, foi um gasto de energia imenso e um momento triste quando finalmente cancelei o domínio e assumi que ele não renasceria das cinzas.

Mas sonho é feito de material mais insistente. Você pode chutá-lo, empurrar para longe, falhar, mudar, mas ele sempre está ali, espiando na próxima esquina, esperando para vir te dar um abraço, uma sugestão no pé do ouvido.

Ainda há muito trabalho até o lançamento da edição piloto. E muito mais trabalho depois disso! Mas não estou sozinho. Tenho orgulho em ter arrastado comigo grandes amigos muito talentosos, além de ter conhecido gente nova que topou participar com apenas um e-mail.

E gostaria de pedir a ajuda de vocês na primeira etapa dessa jornada: visitem o site e cadastrem os seus e-mails para serem avisados quando a revista estiver no ar. E mandem o link a seus amigos que gostam de literatura, ficção científica e fantasia.

Um grande abraço, muito obrigado e apertem os cintos.
Visitem http://trasgo.com.br

87 Links Fascinantes

Esta é uma coleção de links que tenho acumulado há um tempo para um projeto que talvez será abandonado. Como o conteúdo é bom, achei que valia a pena postar aqui. Recomendo tudo!

Ciência

A que distância fica Marte? Longe… pra caramba!

Ciencia! Algumas fotos ridículas de bancos de imagens sobre como os fotógrafos pensam que as experiências são feitas…

Algumas pessoas têm alucinações com notas musicais, partituras e marcações. Fascinante.

Aparentemente, ratos são fisicamente incapazes de vomitar. Sério!

Criaturas estranhas do fundo do mar. Com olhinhos, claro.

Os russos já pensaram em derreter o ártico durante a Guerra Fria. E represar o oceano Pacífico. Sim.

Se você está curioso para saber como é viver em uma estação espacial, veja os vídeos do comandante Chris Hadfield.

Físicos da IBM filmaram o menor curta do mundo, estrelado por 35 átomos (sim, átomos) de Xenon.

Estourando 100 balões com um laser azul. Divertido.

Por que armaduras femininas não podem ter peitinhos pontudos. (Porque ela te mataria).

O quão alto um ser humano pode atirar algo para cima? 16 girafas.

Estábulos são vermelhos por causa de uma reação química nas estrelas que morrem.Interessante leitura.

Um caminho fascinante para mostrar como a música que você ouve define quem você é: Your Brain is Not a Video Camera.

Design e Arquitetura

Quem inventou as figuras do xadrez? Um belo artigo com a evolução (e padronização) das peças no século XIX na Europa.

Lindas casas que matariam seus filhos. Na verdade eu teria medo de morar em uma delas, sou meio desastrado.

Como a Microsoft criou, sem fazer muito alarde, um campus industrial do futuro, onde tudo (temperaturas, luz, gasto de energia) é medido, analizado, e controlado remotamente.

Que bela produção essa campanha “Salve um livro” da associação de editores de Madrid.

9 incríveis mansões abandonadas.

Uma boa coleção de capas de revista.

Todos os S do Superman.

Videos

Se você manter suas ideias na cabeça, ficará lapidando, lambendo, até se viciar nelas. Assim, nunca estarão prontas para o mundo.

Esse clipe de Miss Atomic Bomb, do The Killers, que mistura filme e animação grudou na minha cabeça.

Eu não quero voltar sozinho é um ótimo curta nacional.

Um tributo às vozes mais ridículas na história da música.

Porque não basta tocar bem com uma mão só. Tem que fazer a percussão com a outra. MC Hammer – U Can’t Touch This – no violão.

Stop motion do início do século XX. Sim, havia stop motion em 1901. Com insetos!

A evolução da música, através dos séculos, em um medley.

Street Fighter 2 – Guile Theme Acapella. Ok, trilhas a capella não são novidades. Mas a barba do rapaz conquistou o seu espaço.

Um rolezinho de skate na Índia em lindas imagens.

5 caras e um piano.

To This Day é um dos mais impactantes vídeos sobre bullying. Achei uma versão legendada pra vocês.

Como é passar dois meses em um “icebreaker”, aqueles navios gigantes capazes de navegar através do gelo.

2001, uma odisséia no espaço. Trailer versão blockbuster de verão.

The Ray Harryhausen Creature List. Se você reconhece esse nome, assista. Se não, assista também.

Fur Elise, versão 2013.

Um pouquinho dos bastidores de um show de mágica de ruas. Engraçado e lindo.

Casal que canta unido permanece unido. (E ganha gasolina de graça!)

Gandalf tocando gaita de foles em um uniciclo em Portland.

As maiores ameaças do cinema. Todas juntas.

Videozinho para quem gosta de bike, com Chris Akrigg.

Cíntia deixou a vida de agência para se tornar chef. Continue Curioso.

Incrivelmente adorável este comercial da Visa.

A Life Well Lived. Um breve documentário com Jim Whittaker, o primeiro americano a subir o Everest.

Linda campanha para a Cruz Vermelha Brasileira, com a colaboração voluntária de sete artistas e designers.

Get Lucky em 1920, 30, 40 e etc. Ótimo!

Música para os olhos: Simmetry and Sound.

Isso é lindo: “Eu me sinto grande, porque meus átomos vieram dessas estrelas. Há um nível de conectividade. Isso é realmente o que você quer na vida, você quer se sentir conectado, você quer sentir que faz parte do que acontece ao seu redor. É exatamente isso que somos, apenas por estarmos vivos.” Neil deGrasse Tyson.

Videozinho para quem gosta de bike 2, com Danny MacAskill.

Auto ajuda e filosofia

Quais são as 10 coisas mais importantes para se saber na vida? Boas respostas lá no Quora.

Um contraponto interessante a Seth Godin. Nem sempre podemos ser memoráveis em tudo. “You know, sometimes, a person just has to work in their daily work“.

A arte zen de aprender como atravessar um estacionamento.

Um bom conselho para você não cair na armadilha de ser bom em algo realmente chato: não pense no que você é bom, mas no que você quer ser bom.

Como convencer conservadores a apoiar o casamento entre pessoas do mesmo sexo?

Ira Glass on Storytelling. O segredo do sucesso: close the gap.

Você vende seu tempo para os homens cinzentos?

This is Water, de David Foster. Assista, é um conceito diferente de felicidade e liberdade dentro da rotina.

Pessoas criativas dizem “não”. Interessante.

Gatilhos. Basta ativar um deles para que as coisas saiam totalmente do controle. Eu sei que tenho os meus alguns (vários).

Quando as limitações se transformam no principal estímulo à criatividade: Thinking inside the box.

11 modos de viver uma vida medianamente média. Ilustrados.

E de repente você descobre que existe uma prova de bicicleta de 4418 km, do Canadá aos Estados Unidos. Para poucos.

Jogos e Ferramentas

Um pequeno jogo sobre violência e desarmamento, com um conceito interessante: quanto maior a violência do seu personagem, maior a resposta dos inimigos. The Best Amendment.

Hiperlapse com as imagens do Google Street View. Você até pode fazer o seu.

Como fazer um montão de roupa caber na mala. Ou no baú da moto.

Podemos considerar Candy Crush um problema de saúde pública?

Here is Today. Para colocar a sua noção de tempo em perspectiva.

Jogos sobre depressão, câncer e suicídio. Com belas e humanas histórias.

Pac-Man, reimaginado como um survival-horror.

Literatura, Ficção e Não-ficção

Jackson tinha sete anos quando encontrou uma caixa que poderia fazer qualquer coisa. “Deus Ex Arca”, um conto por Desirina Boskovich.

Starlog, space, making-of Star Wars, robôs, e tudo o que minha esposa diria que é a minha cara.

A palestra de Neil Gaiman na Digital Minds Conference, sobre o futuro dos livros e da indústria cultural em geral.

Vocês estão com inveja do meu jetpack. E outros ótimos cartoons.

Uma freira de 82 anos, um pintor de parede e outro ativista invadiram o maior complexo americano de produção de armamentos nucleares. Surreal a história, e que layout incrível para apresentar uma grande reportagem na web.

A última pergunta. Um dos melhores contos de Asimov.

Para quem gosta de fotografia. Para quem gosta de moda. Para quem gosta de gente. Humans of New York.

Uma historinha no espaço, com uma trilha sonora acompanhando a leitura. NASA Prospect.

Machines for Life, uma reportagem sobre o Daftpunk.

“Não faz sentido, pra que que a pessoa quer gravar as coisas que não são da vida dela e as coisas que são, não?” Crônica de Antonio Prata.

Internet e Tecnologia

Como nasceu o primeiro banner. E como o pensamento naquela época era realmente outro.

O cara que pediu demissão em uma carta feita de bolo. Sim.

Porque a China é demais. Não basta criar um robô fazedor de macarrão, tem que fazê-lo igual a um changeman!

Já existem robôs voadores do tamanho de insetos. Que funcionam.

Todos (ou quase todos) os estilos de músicas, clicáveis para você ouvir cada um.

Dez GIFs que explicam como os carros funcionam.

Essas esculturas feitas de pedaços de bonecas são meio aterrorizantes.

O seu “like” vale dinheiro, muitas vezes para as pessoas erradas. Um artigo sobre Like Farming, que todo mundo que usa redes sociais deveria ler.

Para encerrar, o melhor link de todos. Brlblrlrblrlbr.

O que são todos esses links?

Estive pensando em começar um pequeno projeto de uma newsletter semanal com cerca de sete links bacanudos, entregues toda semana no seu e-mail. Tudo isso aí em cima são coisas que eu venho separando nos últimos meses.

Em vez de desistir, vou testar para ver se existe algum interesse nisso. Se você gostou do material daqui e gostaria de receber conteúdo desse tipo, deixe um comentário abaixo, dizendo que assinaria.

Dependendo do número de pessoas que aparecer, a gente volta a conversar. ;)

10 dias sem açúcar

Comecei hoje a experiência de passar 10 dias sem consumo de açúcar. Pode ser que nada aconteça, pode ser que meu humor fique péssimo, pode ser que eu desista no meio. Vamos ver.

Essa experiência, na verdade, tem a ver com o cigarro. Eu não fumo e nunca fumei, por isso, para mim é muito fácil olhar feio e imaginar que alguém pode simplesmente parar de fumar. Olhando meu próprio umbigo, meu vício é açúcar.  Como tranquilo uma barra inteira de chocolate em um dia ruim. Então resolvi testar se eu consigo ficar um tempo sem.

Não sou de comer muito açúcar, desse refinado de colocar no café. Mas se somar o que eu como de chocolate, bolo, sorvete, geléia e afins, é muita glicose.  Agora serão 10 dias de café sem açúcar (vai ser difícil), sem balas, jujubas ou pirulitos e nada de chocolate. :(

Me preparei para esta semana com bolo de cenoura e coca-cola. =3
Me preparei para esta semana com bolo de cenoura e coca-cola. =3

Pão, apesar de ter açúcar, está liberado, porque tenho certeza que não fico 10 dias sem. O objetivo aqui não é nem ser mais saudável, então trocar geléia por embutidos vale.

Talvez seja fácil. Talvez eu fique muito chato (perdão adiantado aos que convivem comigo). Dona esposa apostou que no terceiro dia já desisti.

Aguardaremos os próximos capítulos.

— Atualização —

Dia 1.

O engraçado sobre o café sem açúcar é que ele é ruim. Sério. Não dá vontade de tomar café, o que me leva a pensar se a vontade tem a ver com cafeína ou açúcar. Ou ambos. Continuei tomando, mais por hábito mesmo. O dia foi tranquilo, mas à noite a dificuldade em resistir aumentou. Como geralmente como um docinho à noite, ou tomo um leite, fiquei com a sensação de não ter jantado. Talvez a esposa esteja certa, não sei se aguento 10 dias.

Dia 2. 

O tal bolo delicioso que eu não comi.
O tal bolo delicioso que eu não comi.

Dia de prova difícil, já que teve aniversário na agência, com festinha, bolo e refrigerante. Resisti bravamente! Continuo sentindo falta do açúcar, principalmente à noite, mas não percebi qualquer alteração no humor. Talvez porque terça-feira seja o dia em que faço curso de iniciação ao espiritismo, cujas aulas sempre me trazem serenidade. Ahn, o café está lentamente se tornando mais palatável.  As discussões no Facebook têm se tornado uma das partes mais divertidas da experiência toda.

Dia 3. 

Sobrevivi ao terceiro dia, o que significa que passei da expectativa da esposa! Pensei em tomar um Yakult, mas fui olhar no rótulo, e tem açúcar, droga! Será que tudo tem açúcar e o mesmo gosto, e até hoje eu não havia percebido isso? O curioso é que não estou sentido alterações no humor, acho que até um pouco o contrário, me sinto mais equilibrado. Claro que tudo isso pode ser placebo. O café sem açúcar está melhorando. :)

Dia 4. 

Volta e meia me pego perguntando por que estou fazendo isso, principalmente naquela hora que bate a vontade de um docinho. Não tem a ver com saúde, é mais uma experiência sobre vício e sobre os efeitos do açúcar sobre meu corpo, ou de sua ausência.

Reparei que tenho bebido mais água. Quando você faz um lanche acompanhado por um copo de leite, é um copo de leite. O mesmo lanche com água pede dois ou três copos. Acho que não seria interessante cortar o açúcar se eu estivesse tentando emagrecer, já que, na vontade de comer um doce, acabo comendo dois salgados.

Dia 5.

Já que não pode fazer bolo, resolvi torrar amendoim.

Dia 6.

Sábado é difícil, já que é o dia oficial de tomar sorvete e comer besteiras. Acho que finalmente a experiência afetou meu humor, passei o dia irritado e com dor de cabeça, sem saber por quê. Passei no drive-trough do McDonalds e por pouco não pedi um McFlurry (sorvete) e mandei a experiência toda pro espaço.

Dia 7. 

Domingão difícil, humor péssimo. Sabe aquela sensação de ardência  que fica na língua depois de comer algo muito salgado? Estou assim constantemente. Domingo sem Coca-cola não é domingo, não tem a mesma graça. Tem uma barra de chocolate na geladeira, que na história deste país nunca durou tanto tempo. Experiência idiota.

Dia 8. 

Trapaceei sem perceber. Organizamos um evento em SP, onde em determinado momento havia distribuição de Red Bull, que aceitei sem pensar. Só fui lembrar que tinha açúcar quando a lata estava quase no fim. Em compensação, o pessoal abriu uma caixa de bombons ao final do evento, que fiquei olhando, só olhando… Quanto mais tempo passa, menos eu consigo arrumar uma explicação decente sobre por que estou fazendo isso, ou seja, se a ordem fosse parar de vez, não conseguiria. Só mais dois dias!

Dia 9. 

É engraçado como a rotina facilita muito as coisas, o hábito é um poderoso instrumento de persuasão, difícil é encaixar as coisas e criar um novo hábito.

Dia 10. 

Último dia da experiência, sem grandes dificuldades, embora eu realmente estivesse esperando o fim para poder voltar a comer sem restrições.  Hora de juntar as impressões sobre a experiência toda.

Humor: Esta parte realmente me surpreendeu, eu esperava alterações mais drásticas de humor. Pensei que eu fosse ficar tão chato quanto sou quando estou com fome, o que não aconteceu.

Saúde: O efeito em minha saúde foi o contrário do esperado, pois ao cortar o açúcar aumentei bem a quantidade de sal e sódio, que podem ser muito mais danosos ao organismo. Em vez de comer um docinho, apelava para dois ou três salgados. Agora é diminuir o sal, 10 dias sem sal! Hahaha, não.

Força de vontade:  A parte mais valiosa da experiência.  Em geral era fácil resistir às tentações, principalmente ao pensar que seriam apenas 10 dias. No entanto, em diversos momentos eu questionava sua validade, queria mandar tudo isso para o espaço. Ou seja, ao realizar uma mudança (qualquer uma) que o colocará a prova, é melhor martelar um motivo muito forte para isso em sua cabeça, pois haverá momentos em que ele será a única coisa para se agarrar. Auto-sabotagem acontece, sua mente começa a raciocinar ao contrário para justificar o seu desvio.

Minha esposa fofa comprou um muffim para eu comer no décimo primeiro dia. <3
Minha esposa fofa comprou um muffim para eu comer no décimo primeiro dia. <3

Facebook: Costumava postar todos os dias uma atualização. Como o Facebook oculta as mensagens para parte do público (em média, só 1/3 dos seus contatos vêem qualquer publicação sua), meus amigos foram sabendo da experiência aos poucos, cada um em um dia diferente. Os comentários nas mensagens também foram uma parte ótima, é bem legal saber como cada um pretende se privar de algo diferente, para saúde, para emagrecer, por diversos motivos. Recebi apoio de pessoas inesperadas, conversar sobre isso foi divertido.

Muito obrigado por todo mundo que participou desta experiência comigo, seja comentando no Facebook, seja oferecendo chocolate para me testar! :)

Borboletas no estômago

Estou prestes a tocar um projeto pessoal que começou no meio do ano passado, e foi crescendo pouco a pouco. Até agora não havia riscos, ele era apenas um documento inofensivo ali no Google Drive.

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Chegou o momento do frio na barriga. Em todo projeto, existe um certo momento mágico em que pisar no freio se torna tão dolorido quanto ir adiante e falhar. É a hora de pisar no acelerador, grudar o carro no chão e tentar conquistar a próxima curva.

Em uma apresentação no 99U, Jad Abumrad, criador do programa de rádio e podcast RadioLab, comenta um pouco sobre o frio na barriga neste momento do processo criativo. Aparentemente, essa era uma sensação comum para o homem das cavernas. Ao perceber um predador, seu corpo desligaria tudo que não fosse essencial naquele momento, e quem precisa de digestão com um dente-de-sabre atrás de você?

A sensação persiste nos dias de hoje. Você provavelmente não corre risco de vida antes de apresentar um projeto. Mas se sente vulnerável, exposto, e ao mesmo tempo com uma energia fantástica.

Estou com borboletas no estômago. O projeto começou a se movimentar bastante nos bastidores, e logo logo ele ganha vida pública, para sua verdadeira prova.

Aguardemos os próximos capítulos.