O círculo – Dave Eggers

tumblr_o9i72vgbPK1qa42ilo1_500O círculo – Dave Eggers

Eu queria muito ter gostado de O Círculo, que estava na minha lista de leitura há pelo menos um ano. O livro faz uma crítica sarcástica à cultura do Vale do Silício, à empresa que quer ser a sua melhor amiga, quer que você se sinta bem e amado e acolhido enquanto pede em troca nada mais que a devoção total e irrestrita.

Mas… O livro é muito longo. E por longo eu quero dizer chato. A protagonista é um porre e nem o seu dilema “dividida entre três homens” anima. Acho que isso até faz parte da crítica, mostrar uma representante de uma geração meio vazia, mas em nenhum momento eu me importei com ela. Quanto à trama, há uma estrutura de “conspiração” que cresce devagar no livro, mas é tão mal resolvida no final que dá até raiva, por sofrer de protagonices (quando tudo estaria resolvido se ninguém ficasse esperando A Protagonista fazer coisas apenas porque ela é a protagonista).

O livro não é de todo ruim, há algumas piadas com a cultura de “fazer o cliente feliz” que me divertiram bastante por já ter trabalhado com atendimento ao cliente em uma empresa que idolatra a tal “cultura startup”. Há também dois momentos em que você pensa “oh, o que vai acontecer agora”, cria expectativa que o livro vai ganhar ritmo, mas logo ele volta à morosidade da rotina no campus.

Fiquei pensando se eu não deixei passar algum significado mais profundo. No entanto, as consequências das ações do Círculo só aparecem lá no finalzinho, nas últimas páginas, não existe um pensamento mais profundo sobre vigilantismo, um dos temas principais do livro. Se o lado do Círculo é muito bem representado, o outro lado fica capenga com representantes idosos ou isolacionistas, o que nem chega a construir um contraponto inteligente.

O livro tem longas passagens descrevendo as atividades online de Mae Holland, como “postou x fotos, curtiu y mensagens, etc etc etc” que deveriam ser divertidas. É um livro baseado em sarcasmo, em ironia. Mas isso é um bicho delicado, eu poderia ter adorado o livro se ele não fosse tão cansativo. São 520 páginas onde quase nada acontece, e na vigésima vez que você está lendo a mesma piada já não é tão engraçado. Um livro com a metade do tamanho talvez tivesse sido genial.