Trabalho Honesto no Pacotão Literário

Minha novela Trabalho Honesto faz parte do Pacotão Literário! Isso significa que pelos próximos dias você pode comprá-la num pacote junto com outros 6 livros incríveis, todos ambientados no Brasil!

Como funciona o Pacotão Literário:

Nós do Pacotão Literário somos autores e autoras independentes com um desejo enorme de alcançar novos leitores. Se você ama ler, o Pacotão é uma excelente maneira de descobrir livros independentes de qualidade a preços bem acessíveis. Periodicamente disponibilizamos alguns livros (de sete a dez, em média) e juntamos todos eles num só Pacotão. Você, o leitor, contribui para nossa causa com o valor que achar justo (a partir de R$1,00) e recebe os e-books no seu e-mail. Quanto mais contribui, mais recompensas você recebe, como, por exemplo, livros físicos autografados pelos autores.

Sobre Trabalho Honesto:

Trabalho Honesto

Sobre as outras obras que fazem parte do pacote:

O Pacotão Literário #4 – Aventuras do Brasil nos traz obras dos mais variados gêneros: fantasia, horror, cyberpunk, ficção histórica, crônica, entre outros. Todas elas são ambientadas no Brasil e contadas por escritores de diversas partes do país, trazendo um pouco de cultura regional para suas histórias.

A Sombra do Cão“, de Alec Silva, se passa no interior da Bahia, onde um mal antigo persegue um rico fazendeiro, que assiste tudo o que possuía ser consumido por um espírito vingativo e demoníaco.

Em “O Fim do Medo“, de Ricardo Santos, os protagonistas testam os limites da sanidade em histórias ambientadas numa Salvador que não está nos cartões postais.

Kapoor“, de Lauro Kociuba, revisita o mito da caipora, criando um clássico moderno do folclore nacional.

Porfírio e os Cangaceiros“, de Tarcísio José da Silva, conta a história de um grupo de cangaceiros que espalha o terror e a violência entre a população do sertão baiano.

Onisciente Contemporâneo“, de Irka Barrios e outros autores premiados, reúne contos que refletem modos diversos de cada autor ver a vida. Olhares singulares e alguns poéticos aproximam o foco sobre situações cotidianas e outras nem tanto.

Em “Os Cavaleiros da Santa Cruz: A Trilha das Pedras“, de Bruno Rodrigues, os protagonistas terão que arriscar a vida por Tiradentes e sofrer na mão dos Inconfidentes, que o condenaram a participar de um dos momentos mais sombrios da História do Brasil.

Claro que tudo isso é por tempo limitado. Acesse http://pacotaoliterario.com.br/ e compre o seu pacote de livros! \o/

Então eu meio que resolvi sair do Facebook. Oh noes!

Quando comentei com minha esposa que havia decidido deixar o Facebook ela revirou os olhos e respondeu “a-ham, faz três anos que você fala isso”. Então tá! Mas como quem quer confete ao cancelar amizade em qualquer rede social, resolvi escrever um pouco sobre o assunto.

Porque eu meio que não vou sair. E as pessoas vão ficar confusas quando eu começar a perguntar onde é que dá para segui-las. E vou parar de curtir suas postagens, mas não é pessoal.

Meio que sair só que não

Só não saí ainda porque eu TRABALHO com mídias sociais. E uso o tal azulão para fazer muita divulgação dos meus projetos, freelas e textos. (Mas também me pergunto até que ponto isso não uma falácia. Nós postamos o trem no Facebook e está ticada a caixa “divulgação”, mesmo que a mensagem tenha sido mostrada só para sua mãe, seu cachorro e talvez a melhor amiga.)

É também a rede onde mantenho contato com escritoras e gentes lindas e bacanas que conheci nesses anos como editor da Trasgo e considero pacas. É duro ter que abrir mão disso. Ou não? O que é conexão e o que é ilusão?

Então eu não vou sair do Facebook. Eita, mas…?

Eu só vou deixar de seguir todo mundo. TODO MUNDO. A princípio, vou manter alguns grupos, porque a discussão ali ainda é interessante. E ainda vou receber as mensagens (embora eu volta e meia esqueça de responder ali). Ou seja, vou sair da timeline. Pelo menos tentar.

Então vamos para a outra parte. Por que sair dessa rede tão bonita, tão cheia de samba?

Mas por que diabos?

A timeline do Facebook é uma mistura daquela praça pública lotada cheio de vendedores mendigando sua atenção com aquele espaço íntimo de uma conversa entre amigos na sala de casa. O problema é quando aquele amigo não para de falar do crowdfunding dele até com a boca cheia do macarrão que você cozinhou com tanto carinho. E sua mãe resolve discutir sua hemorroidas em voz alta na praça.

Por causa das bad vibes

O maior problema disso são as bad vibes. Eu sei que lutar é importante. Mas na total falta de contexto que uma rede dessas oferece, eu me vi acalentando minha recém nascida no colo enquanto a rede me atirava duas histórias terríveis envolvendo bebês. Fiquei mal, muito mal. Essa situação só ilustra uma das várias pequenas formas que a rede me deixava triste e descrente quase todos os dias, como aquele vizinho que faz questão de bater na sua porta com o Notícias Populares debaixo do braço para contar dos últimos sequestros, assassinatos e escândalos políticos.

Existe um limite de quanto pinga-sangue você consegue absorver até que isso comece a prejudicar sua saúde psicológica. Eu percebia como isso atrapalhava minha escrita, meu dia a dia, e não fazia nada a respeito. Vibrações ruins é petróleo vazado no oceano, contamina sua visão de mundo, empapa suas asas, impede de voar. E com uma filha para cuidar, eu não preciso disso agora.

Outra coisa que começou a me incomodar muito foi uma falsa sensação de estar informado. Mas aí o viés da confirmação começou a bater forte (viés da confirmação é quando o Facebook só mostra as notícias que ele acha que você vá gostar, portanto que só reafirmam a sua visão do mundo, tornando qualquer um que não pense como você um perfeito idiota). Com a situação do país de mal a pior, golpe de estado e câmara mais retrógrada em um bom tempo, estava ficando ávido por qualquer argumento que conseguisse me dar a esperança de dois grupos pensando diferente, e não um moedor de políticas sociais.

Porque uma coisa é você ler um argumento contrário, discordar, e ter um pingo de esperança de que você esteja errado e que o melhor é realmente a política do outro (eu sei, tá difícil, BEM difícil, viver em 1832, mas continuemos). O Facebook não vai te dar o argumento do outro.

Porque o coiso é uma máquina que se alimenta de ultraje

Quanto mais ultrajado eu me sentir, maior a probabilidade de curtir, compartilhar, comentar, revoltar-me e aumentar ainda mais o vórtex temporal que consome horas do meu dia. E sim, você adivinhou, ultraje só aumenta as vibrações ruins.

E o risco de ficar por fora do lance dos amigos?

Outro dia descobri que um amigo havia terminado há certo tempo com a namorada de longa data. Moramos em cidades diferentes, trocávamos poucas mensagens sobre interesses em comuns. “Você não soube?”, ele me perguntou.

Nós postamos as coisas e imaginamos que todos os nosso amigos leram. Mas não, existe uma chance enorme de que o azulão não achou o seu post interessante o bastante para a maioria dos seus contatos, restringindo a aparição para somente uma dúzia de pessoas. O que eu quero chegar é que existe uma falsa sensação de duas vias.

– Nós postamos algo ali e imaginamos que todos já sabem quase tudo sobre as nossas vidas. Aí nós desaprendemos a contar as novidades, agindo como celebridades mimadas em frente a repórteres despreparados. “Nossa, você não viu que eu postei?”, seguido daquele azedume, se fosse amigo de verdade leria minhas coisas.

– E nós desaprendemos a perguntar e a nos interessar de fato sobre a vida das pessoas mais próximas. Parece que perdemos aquela coisa de se encantar com qualquer coisa que seja que esteja acontecendo com alguém, pensando que não há mais nada a descobrir. E como qualquer pessoa casada pode te contar, uma vida não é o bastante para conhecer alguém a fundo assim.

Mas e Autocontrole?

“Mas isso tudo é culpa sua, seu viciado.” Primeiro, tire o dedo do meu nariz, sim? Obrigado.

Sim, tudo isso que está escrito aqui acima é culpa da minha própria falta de autocontrole. Por um lado é verdade. E o que você faz quando se descobre viciado em açúcar? Corta o veneninho branco, ué. Por outro lado, o Vale do Silício emprega os melhores profissionais do mundo em sequestro de atenção. É você contra os maiores especialistas em te distrair. Complicado, não?

Mas você vai ficar por fora das novidades, dos eventos, de tudo o que está acontecendo! Vai se esconder numa caverna, cavar um buraco e ser como aqueles malucos que criam bunkers esperando o apocalipse!

Calma, tio. Eu me pergunto o quando eu já não estou por fora do que acontece. Quantos eventos que fui convidado por amigos e simplesmente não vi a notificação. Quantas feiras com uma programação bacana passaram batidas pela timeline.

Tomei duas decisões: vou perguntar às pessoas interessantes como posso acompanhar o trabalho fora do Facebook (acredite ou não, as pessoas ainda mantém blogs, sites, newsletters). E resolvi assinar o jornal Nexo, que parece um dos poucos veículos brasileiros que ainda praticam jornalismo. Não sei dizer se com isso vou ficar mais por dentro ou por fora. Ou se isso faz alguma diferença de verdade.

No fim, isso tudo é uma experiência

Eu sempre digo isso, não é mesmo? Acho que faz parte do meu jeito de levar a vida. Algo não está funcionando do modo bacana como você espera? Testa outra coisa, vê. Se for o caso, volta.

Espero usar o tempo perdido na rede azul para escrever mais e ficar mais com minha filha. Vou continuar divulgando meus projetos e posts por ali (tá vendo, nem precisava de textão, ninguém vai perceber que você saiu). Mas se você quiser me acompanhar fora do Facebook, são dois caminhos:

  • O Viver da Escrita é um blog sobre escrita, produtividade, vida freelancer e redação. Se você escreve, ilustra, vive de arte ou afins, leia o blog e assine a newsletter!
  • O meu site pessoal fica em rodrigovankampen.com.br, e é onde direciono qualquer um que se interesse pelo meu trabalho, leitores e curiosos.

Vejo vocês por aí! ;)

Nova turma da Oficina de Redação!

Pessoal, a minha Oficina Online de Redação está com uma nova turma aberta!  O curso é baseado nas principais dificuldades que encontro nos novos autores que enviam material para a Trasgo e traz muita coisa bacana para quem quer levar a escrita a sério.

A parte mais legal são os exercícios e comentários. Ou seja, mais do que ler passivamente um conteúdo, você vai ter o seu trabalho analisado. Poderei apontar quais as suas dificuldades, pontos fortes, sugestões de leituras e recomendações personalizadas para você.

Algumas opiniões de quem participou de turmas anteriores:

Muito além das expectativas. Estive trabalhando numa obra literária durante p curso, e todas as aulas deram-me muito auxilio em questões de enredo, aprofundamento, etc. (Annie Alice)

Me ajudou muito! Como eu disse, estou descobrindo agora muitas coisas e tudo o que quero é melhorar minha escrita. O conteúdo das aulas me auxiliou bastante, as correções de exercícios foram excelentes (e preciso fazer muitos ainda). Cada dica acendia uma “luzinha” dentro da minha cabeça, e tenho a impressão de que aos poucos todo esse aprendizado vai se incorporando de um modo mais orgânico nos meus textos. (Liége Báccaro Toledo)

Tem promoção para inscrições antecipadas!

  • 30% de desconto para os primeiros 15 inscritos!
  • Indique um amigo e ganhe 50% de desconto para ambos!

Saiba mais sobre o curso e inscreva-se em http://viverdaescrita.com.br/oficina-de-redacao/

Agenda: outubro e novembro

agenda

Então que até parece que eu sou importante e aparecerei por aí em breve, e talvez vocês se interessem por algo.

> 20/10 – Início da Oficina de Audiodrama no SESC Campinas! Mais informações e inscrições na secretaria do SESC

> 12/11 – Vou bater um papo na Jornada de NaNoPalestras [São Paulo]. Vai ser na Biblioteca Viriato Corrêa, das 11h às 17h, com um monte de gente bacana!

> Novembro – Nova turma da Oficina Online de Redação! Assina a newsletter do Viver da Escrita que inscrições antecipadas vão ter desconto no curso! ;)

Outros recados:

> Lancei a novela Trabalho Honesto, uma autopublicação bacanuda. Compre lá, é baratinho!

> Participo com uma galera gente boa da coletânea Contos de Taverna, que precisa muito da sua ajuda no Catarse.

> O audiodrama Morango está completo! Dá para ouvir tudinho no portal Leitor Cabuloso!

Trabalho Honesto

  

Anos após a abertura dos portais, cucas, unhudos e sacis ainda têm dificuldades em se integrar à civilização humana. Para um lobisomem como Rhalfe, tornar-se braço de Victor Sombrera é uma das poucas opções de trabalho honesto. Dependendo de quão ampla é sua definição de “honesto”.

Trabalho Honesto é uma novela cyberpunk em sem seis partes, em uma Campinas futurista. Uma trama ágil e carregada de infâmias:

  • Piada infame com pão de queijo.
  • Piada infame envolvendo um saci hacker.
  • Os clássicos clichês do gênero “máfia”.
  • Lobisomem acelerando uma moto, lobisomem saindo na porrada com robôs e armas laser apenas porque sim.
  • Robô-cafeteira-assassino.

Comentários de leitores:

“Assinei para receber em primeira mão, porque a história se passa em Campinas, cidade próxima a minha. Nada de bruxas, elfos, magos. Aqui o negócio é tropical! Tem saci, lobisomem, iara, boto, cuca. Tem bairros e rodovias brasileiras. Tem ação, aventura, crimes, máfia. Tem tudo o que podemos esperar de uma boa obra de ficção literária, sem dever nada para as obras gringas.” (Graziele Lima)

“Tem uma leitura rápida, cenas de ação muito legais e personagens cativantes — o que mais alguém pode pedir? Dá pra notar o cuidado em descrever a tecnologia e a ambientação em si sem cansar o leitor. “Tesla Stalingrado” é o melhor nome ever pra um modelo de moto.” (André Caniato)

“No geral, achei que Trabalho Honesto é uma novela de fantasia bastante interessante — só de usar o folclore nacional e evitar o ranço ludita que às vezes parece assombrar a fantasia, a novela já ganharia minha atenção.”

“Me diverti muito e, como grande entusiasta da ficção folclórica, tenho especial apreço quando nossa cultura popular é utilizada em gêneros inesperados. Nesse sentido sua novela faz um grande serviço e cumpre bem o papel de divertir e instigar o interesse.”

 

Trabalho Honesto faz parte do Pacotão Literário #4 – Isso significa que você pode comprá-la junto com 6 outros livros incríveis ambientados no Brasil!

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Dark Life: Vida Abissal – Kat Falls

tumblr_oazmftykTw1qa42ilo1_400Dark Life: Vida Abissal – Kat Falls

Dark Life é uma distopia surpreendente. Em um mundo cujo nível dos mares subiu, a população da superfície mora em espaços abarrotados. Outros optaram por morar no fundo do oceano, em uma comunidade experimental. Ty, com quinze anos, foi o primeiro a nascer e viver embaixo d’água, e por isso ele é um pouco diferente das outras pessoas.

Peguei o livro sem esperar muito, no terceiro capítulo já estava bastante curioso. Apesar de recomendado para leitores mais jovens, tem uma trama política bem amarrada e personagens muito bem construídos. A relação de Ty e Gemma (a garota do topo) é ao mesmo tempo íntima e conflituosa, com desejos e opiniões que seguem às vezes alinhadas, às vezes em sentidos opostos.

O cenário é muito rico. As criaturas abissais, as fazendas submarinas com suas cortinas de bolhas, casas no formato de águas-vivas, veículos arraia e variedade de tubarões e ameaças submarinas, é um mundo bem envolvente e rico. Além da parte submarina, temos um mercado na superfície, que faz a ponte entre os dois mundos, cheio de cheiros, clima e sensações.

No entanto, o que brilha no livro é a trama. Kat Falls segue à risca a regra de criar um conflito atrás do outro, as coisas dão errado, depois dão errado de novo, ih, agora piorou, e quando você pensa que as coisas vão começar a ser resolvidas aí que tudo se complica ainda mais. Você sente a ameaça o tempo todo, não só à vida dos personagens, mas aos seus desejos mais profundos, que caminham numa tênue linha prestes a se romper a qualquer momento.

Nômade – Carlos Orsi Martinho

tumblr_oazlexhq9B1qa42ilo1_400Nômade – Carlos Orsi Martinho

Nômade é um romance curtinho, para ler de uma vez. Conta a história de um grupo de adolescentes que, durante um treinamento de sobrevivência na selva, tem que lidar com uma pane geral na Nômade (a nave onde estão), bem quando um deles cai desmaiado.

O cenário é bastante interessante, com tribos diferentes dentro da Nômade, embora o autor apresente apenas vislumbres das diferenças entre elas. A aventura é ágil: enquanto os protagonistas investigam para descobrir os problemas e tentar salvar o amigo, têm que lidar com variações da gravidade artificial, robôs de manutenção e outros problemas.

Embora o livro não traga nada novo a leitores habituados com FC, tem vários pequenos detalhes muito bem encaixados, dialogando com as séries espaciais clássicas e foge dos clichês esperados, encerrando de modo surpreendente. Uma leitura bacana, bom para presentear uma criança que começará a desbravar os conceitos da ficção científica.

Sonho, sombras e super-heróis – Luiz Bras

Fotógrafa
Fotógrafa

Sonho, sombras e super-heróis – Luiz Bras

O que é sonho, o que é realidade, como sabemos quando estamos acordados? Partindo desta temática Luiz Bras escreve uma aventura em Cobra Norato, envolvendo super-heróis, androides, um grande vilão e Efraim, um adolescente tentando resolver isso tudo aí.

O livro brinca com referências a vários conceitos da ficção científica pop, numa corda bamba entre Matrix e A Origem (Inception), sem nunca descambar para o pastiche e prendendo a atenção a cada reviravolta (que não são poucas).

Se o começo do livro é um pouco mais devagar e tende a apontar para um final que seria “e então ele acordou”, a trama ganha corpo no meio do livro, com um final surpreendente e interessante.

Em resumo: Matrix + Inception para adolescentes. Recomendo.

Canto do Uirapuru – Érica Bombardi

tumblr_o9t04pURlw1qa42ilo1_500Canto do Uirapuru – Érica Bombardi

Canto do Uirapuru é um livro sobre família, sobre amizade, e principalmente sobre crescer. Tem cara daqueles livros que você encontra na estante de alguém, começa a folhear e de repente já está lá na fazenda ao lado de Max, Deia, o cachorro Tom e todos os outros personagens. Para dar uma ideia de como a escrita da Érica é mágica, reproduzo aqui o comecinho do livro:

“Grande que é esse mundão, e a gente no mesmo lago. O mesmo barranco de terra vermelha, a árgua lodosa das margens e o brilho cego do sol àquela hora todo santo dia.
Tanto lugar para andar, e a gente bem pra cá só.
Pensar em ir embora eupensava. Difícil era desatar o nó entre o pensamento e os pés.”

A trama, apesar de rica, não importanta tanto assim. O que importa mesmo é aproveitar a prosa poética em cada página enquanto Max se apaixona, tem medo, briga e vive. É um livro lindo, daqueles de terminar suspirando.

Mais sobre o livro aqui:
https://ericabombardi.wordpress.com/canto-do-uirapuru/

O círculo – Dave Eggers

tumblr_o9i72vgbPK1qa42ilo1_500O círculo – Dave Eggers

Eu queria muito ter gostado de O Círculo, que estava na minha lista de leitura há pelo menos um ano. O livro faz uma crítica sarcástica à cultura do Vale do Silício, à empresa que quer ser a sua melhor amiga, quer que você se sinta bem e amado e acolhido enquanto pede em troca nada mais que a devoção total e irrestrita.

Mas… O livro é muito longo. E por longo eu quero dizer chato. A protagonista é um porre e nem o seu dilema “dividida entre três homens” anima. Acho que isso até faz parte da crítica, mostrar uma representante de uma geração meio vazia, mas em nenhum momento eu me importei com ela. Quanto à trama, há uma estrutura de “conspiração” que cresce devagar no livro, mas é tão mal resolvida no final que dá até raiva, por sofrer de protagonices (quando tudo estaria resolvido se ninguém ficasse esperando A Protagonista fazer coisas apenas porque ela é a protagonista).

O livro não é de todo ruim, há algumas piadas com a cultura de “fazer o cliente feliz” que me divertiram bastante por já ter trabalhado com atendimento ao cliente em uma empresa que idolatra a tal “cultura startup”. Há também dois momentos em que você pensa “oh, o que vai acontecer agora”, cria expectativa que o livro vai ganhar ritmo, mas logo ele volta à morosidade da rotina no campus.

Fiquei pensando se eu não deixei passar algum significado mais profundo. No entanto, as consequências das ações do Círculo só aparecem lá no finalzinho, nas últimas páginas, não existe um pensamento mais profundo sobre vigilantismo, um dos temas principais do livro. Se o lado do Círculo é muito bem representado, o outro lado fica capenga com representantes idosos ou isolacionistas, o que nem chega a construir um contraponto inteligente.

O livro tem longas passagens descrevendo as atividades online de Mae Holland, como “postou x fotos, curtiu y mensagens, etc etc etc” que deveriam ser divertidas. É um livro baseado em sarcasmo, em ironia. Mas isso é um bicho delicado, eu poderia ter adorado o livro se ele não fosse tão cansativo. São 520 páginas onde quase nada acontece, e na vigésima vez que você está lendo a mesma piada já não é tão engraçado. Um livro com a metade do tamanho talvez tivesse sido genial.

Metanfetaedro – Alliah

tumblr_o3u9gbrUlR1qa42ilo1_400Metanfetaedro – Alliah

Metanfetaedro é um livro estranho, como não poderia deixar de ser. O livro é uma das melhores expressões nacionais do New Weird, aquele gênero entre a FC e Fantasia mais conhecido por provocar expressões como “masquê? Hein?”

Gostei muito, mas também não gostei. O livro é sujo e sem frescuras. Ok. Mas ao mesmo tempo, em diversas passagens, principalmente no começo, Alliah explora o grotesco pelo grotesco, flerta com o horror e o gore, que não são meus favoritos. Mas o estilo, que aliado um certo clima depressivo das primeiras passagens, me pareceu pouco além de metáforas para as coisas ruins que acontecem (principalmente nas metrópoles). Isso se mostra principalmente pelos finais, quase todos tendendo à tragédia (a noção mais contemporânea, “de que nada realmente muda”, em vez da noção clássica).

Por outro lado, há contos maravilhosos que eu não conseguia parar de ler, como “Uma cidade Sonhando Seus Metais”, uma maluquice incrível e Morgana Memphis, que aparece em dois contos, é uma personagem maravilhosa, eu compraria um livro inteiro sobre essa mulher.

Por fim, tem o “O Jardim de Nenúfares Suspensos”. Que conto lindo. Ele destoa um pouco dos outros, é mais intimista, mostra uma sociedade mais alternativa que pós-punk, e tem um pouquinho de ação, um pouquinho de mistério e muito de uma personagem tentando aprender a lidar com o próprio sentimento.

Transformando tudo o que eu disse em estrelinhas, eu diria “comprem o livro”. Mas como foi publicado pela Tarja, que não existe mais, preciso descobrir como vocês fazem para encontrá-lo.

Universo Desconstruído II – Ficção Científica Feminista

tumblr_o34bc7t9k41qa42ilo1_500Universo Desconstruído II – Ficção Científica Feminista

Se você ainda não baixou, vá lá baixar o Universo Desconstruído II, uma coletânea de contos feministas, totalmente grátis. Tem coisa imperdível neste volume, cujos contos são FC de primeira protagonizados por todo o tipo de personagens femininas.

Baixe em http://universodesconstruido.com/

Como toda coletânea há pontos altos e baixos. Vou comentar apenas meus favoritos:

Começamos com “Corpo Escuro”, um incrível cordel de Jarid Arraes. Nunca havia lido FC em cordel e vou te contar, gostei demais!

BSS Mariana, de Lady Sybylla, é um belo conto antenado com a FC contemporânea. Uma nave de exploração, considerada perdida, retorna à terra depois de cem anos, e agora Endyra e sua equipe precisarão descobrir o que aconteceu com ela, o que ou quem está lá dentro e ainda sambar na burocracia envolvida no assunto. Embora essa parte de “burocracia” seja enfadonha em alguns momentos, o conto melhora muito da metade para o fim.

A Divina Nervura do Virtual, de Ben Hazrael, é uma porra-louquice maravilhosa. E isso basta.

Boneca, de Clara Madrigano, é aburdamente incrível, se for para escolher um conto para te convencer a baixar este livro, é este. Sou fã de carteirinha da autora e este conto é de prender o fôlego, de tão angustiante. Acompanhamos em primeira pessoa uma menininha que é mantida prisioneira por um homem em um porão. Sem meias palavras, sentimos cada minuto da agonia da protagonista, e coisas acontecem e você quer abraçar a personagem e dizer que vai ficar tudo bem e… Caramba. Que conto!

Por fim, uma pequena birra, ou melhor, crítica técnica de quem edita e-books: Não tem índice! Aaaaargh! (Nem em página, nem o automático do Kindle). Eu queria mostrar um conto para a esposa e foi horrível ficar passando as páginas para lá e para cá até encontrá-lo!